sexta-feira, janeiro 09, 2009

Portugal: famílias sobreendividadas duplicam

Escreve o Correio da Manhã num texto da jornalista Diana Ramos e outros que "os pedidos de apoio das famílias com problemas de endividamento à Associação de Defesa do Consumidor (DECO) subiram praticamente para o dobro em 2008, face aos dados do ano anterior. Já o número de agregados directamente ajudados pelo Gabinete de Endividamento da DECO quase quadruplicou nos últimos quatro anos. Ainda antes de o País ter entrado em recessão e perante o avolumar da crise económica, em 2008, "houve um aumento significativo dos pedidos de esclarecimento de famílias com problemas de endividamento". Os números a que o CM teve acesso mostram que, no último ano, entre ajuda directa e indirecta, 8758 portugueses recorreram ao aconselhamento da DECO por não conseguirem pagar empréstimos e serviços (dívidas ao banco, crédito para a compra de electrodomésticos e facturas da água e luz): 2810 pediram informações telefónicas e pessoais, 2728 pediram apoio por escrito e 1186 foram acompanhados nas consultas. Em 2007, eram apenas 4641. Nos casos mais graves, a DECO abriu 2034 processos de ajuda, quando há quatro anos eram apenas 573. Desde 2000, quando a associação começou a fazer o acompanhamento de problemas financeiros, o número de casos graves tratados pelo gabinete tem vindo a crescer, tendo já chegado aos 7512 processos. Os números são ainda mais preocupantes quando reflectem o volume das dívidas existentes. Perto de dois terços (60%) dos agregados têm mais de três créditos e menos de dez contraídos e apenas 35% está numa situação em que os encargos se resumem a dois empréstimos. Aliás, quando os valores são cruzados com o dinheiro que cada família tem ao seu dispor em cada mês, as dificuldades acrescem. Os dados mostram que 29% das famílias sobreendividadas apoiadas pela DECO têm salários situados entre os 500 e os 1000 euros. Outros 30% não recebem mais de 1500 euros no total do rendimento familiar. Fazendo um retrato de norte a sul, apesar de os pedidos de auxílio surgirem de todos os pontos do País, as Regiões de Lisboa, Porto e Coimbra são aquelas em que se contabiliza maior número de casos. Na capital, 2008 encerrou com 897 processos de acompanhamento, no Porto houve 431 e em Coimbra 258".
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