Ouvi atentamente a entrevista de Alberto João Jardim à SIC. Acho bem que não a tenha transformado num “muro de lamentações” ou que a tenha circunscrito á madeira e aos problemas que afectam a região, sob pena de ser olhado com desconfiança e de sobre ele recaírem suspeitas de “egoísmo” subjacente ao seu aparente interesse em envolver-se na política nacional. Mas fiquei sobretudo com a ideia, mais uma vez, que Alberto João Jardim parece temer correr riscos, que se mostra excessivamente cauteloso e que provavelmente deixou claro nas entrelinhas da entrevista a Mário Crespo que uma sua eventual corrida para a liderança do PSD nacional é um cenário que ele afastou definitivamente. O facto de ter repetido que aos 66 anos não tem idade para ser “emigrante em Lisboa”, embora, por outro lado, tenha defendido o tal prazo máximo para que o PSD nacional se decida (final de Fevereiro) se tem ou não uma solução ganhadora, a afirmação de que “não tem tropas”, mas o pouco interesse mostrado em tentar reuni-las, pareceram-me, entre outros indicadores, sinais óbvios de que Jardim não avançará provavelmente por temer o que possa acontecer na retaguarda, leia-se no PSD regional. Julgo que as pessoas sabem o que penso sobre este assunto, já disse o que tinha a dizer, em Maio do ano passado, e mais recentemente, não creio por isso que deva insistir numa ideia que não obtém qualquer receptividade por parte do principal protagonista de uma estratégia que poderia resultar. Não são as vitórias obtidas na Madeira – e que sendo importantes para a Região e para a autonomia regional, no plano nacional esbatem-se, desde logo a começar pelo próprio partido – que deveriam impedir um confronto aberto fosse com quem fosse, já que são as bases que devem decidir - e Jardim voltou a reafirmar que sem partidos não há democracia, princípio que eu subscrevo. Mas quando diz que queria dirigir-se aos portugueses, o Presidente do Governo certamente que não se esqueceu que, antes disso e em primeiro lugar, teria que se dirigir às bases do PSD, porque são elas que elegem os líderes sendo depois através da mobilização dessas bases e da dinamização dos partidos que se organizam candidaturas. Ou estou a cometer um enorme erro de interpretação – as entrevistas deste género são susceptíveis de gerar essa dúvida – ou o Presidente do Governo através da entrevista à SIC ter-se-á despedido definitivamente de uma candidatura nacional. A ser assim, admito que as pessoas, sobretudo os social-democratas continentais, se interroguem sobre a insistência do líder madeirense numa decisão, no âmbito do tal prazo considerado máximo (final de Fevereiro) para que o partido decida o que vai fazer para derrotar o PS e José Sócrates.
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