sexta-feira, outubro 23, 2026

Escassez de oferta e aumento das rendas: a realidade do mercado imobiliário em Lisboa e no Porto

Para arrendar uma casa na região da capital portuguesa, os valores começam nos 600 euros, 65% do salário mínimo. Já na Cidade Invicta as rendas dispararam quase 80% nos últimos cinco anos. A crise na habitação tem um impacto demolidor na vida de milhares de pessoas, sobretudo jovens. Arrendar uma casa na região de Lisboa, o município mais caro do país, é um pesadelo financeiro. Na região do Porto o problema é idêntico, com as rendas a dispararem quase 80% nos últimos cinco anos.

Encontrar um sitio para viver em Lisboa é, nos dias que correm, um desafio que não está ao alcance de todas as carteiras. Comprar é apenas um sonho para muitos, já que em média uma casa na capital custa 600 mil euros. A maioria é empurrada para o arrendamento, que em Lisboa consome mais 80% dos rendimentos familiares. De acordo com o Idealista, os valores começam nos 600 euros, 65% do salário mínimo, para um T0 de 30m2. A partir daí os valores ultrapassam os 700 euros para casas que num são maiores que os 20m2. Excluídas as propriedades consideradas, pela própria plataforma, de luxo, o T0 mais caro custa 2.750 euros por mês, tem 70m2 e apenas uma janela.

Há sempre a opção dos quartos, os valores variam dos 195 euros, para um quarto partilhado com 5 pessoas, aos 1.800 para um quarto numa casa partilhada com duas outras pessoas. As opções mais baratas, que não ultrapassem a taxa de esforço de 30% do salário de mais de metade dos portugueses, 1.000 euros, têm quase todas um problema, a falta de condições e sobre lotação.

Encontrar habitação fora do centro é igualmente desafiante

Quem não consegue suportar estes custos, é forçado a procurar mais longe do centro, onde os preços são também um desafio. Em Almada, por exemplo, o T0 mais barato custa 750 euros por mês e tem apenas 20m2, sendo que em loures um T2 pode ficar a mais de 1.000 euros.

Se ambos os elementos do casal ganharem 1.000 euros, só a renda consome quase 60% dos rendimentos. Lisboa é o município mais caro do país para arrendar casa e a cidade da Europa em que as rendas mais pesam nos salários.

Rendas no Porto sobem quase 80% em cinco anos

Na região do Porto, as rendas disparam quase 80% nos últimos cinco anos. Um estúdio com menos de 20 metros, pouco maior do que um quarto, custa agora mais de 600 euros por mês. Nos últimos cinco anos, arrendar casa na cidade Invicta ficou 76% mais caro, com o preço médio por metro quadrado a passar de 10,80 euros em 2021, para cerca de 19 euros em 2026.

É uma subida acumulada em cinco anos, com sinais recentes de alguma estabilidade. A freguesia de Campanhã continua a ser a mais económica, já a Foz e o Centro Histórico destacam-se com os preços mais elevados. O problema está há muito identificado, sendo ele a enorme escassez na oferta, que continua focada nos segmentos mais altos.

São precisamente as pessoas com menores rendimentos e sem acesso ao crédito que procuram casa para arrendar, mas não encontram rendas compatíveis com o poder de compra. Nesta procura inglória, rivalizam com trabalhadores deslocados e nómadas digitais, que chegam à cidade com mais dinheiro na carteira e sem perspetivas de permanência. O problema não é exclusivo do grande Porto, sendo que na Maia, por exemplo, as rendas continuam a aumentar enquanto em Vila do Conde, Matosinhos e Gaia parecem ter estabilizado ou até descido ligeiramente. O problema é que partem de uma base historicamente muito alta (SIC Noticias)

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