Em setembro de 1962, o papa João XXIII recebeu um diagnóstico que quase ninguém conhecia: ele estava com um câncro avançado no estômago. Tinha 80 anos e faltavam poucas semanas para um dos acontecimentos mais importantes de seu pontificado. João XXIII vinha sofrendo com problemas digestivos, episódios de vômito e perda de peso. Em 23 de setembro, exames revelaram a gravidade da doença. Mesmo assim, apenas 18 dias depois, em 11 de outubro de 1962, ele apareceu diante do mundo para inaugurar o Concílio Vaticano II.
Enquanto milhares de pessoas acompanhavam aquele momento histórico em Roma, poucos sabiam que o papa estava gravemente doente. Seu secretário pessoal, Loris Francesco Capovilla, registrou em seus diários que João XXIII enfrentava a doença enquanto conduzia a abertura do Concílio.
O diagnóstico foi mantido em sigilo. Médicos chegaram a avaliar a possibilidade de cirurgia, mas o tumor estava tão avançado que uma operação foi considerada inviável. A partir dali, o tratamento passou a se concentrar em controlar as complicações e aliviar os sintomas. João XXIII, porém, continuou trabalhando.
Poucas semanas depois, em outubro de 1962, o mundo viveu a crise dos mísseis de Cuba, quando Estados Unidos e União Soviética chegaram perigosamente perto de um confronto nuclear. Em meio à tensão, o papa fez um apelo público pelo diálogo e pediu aos líderes das duas potências que continuassem negociando para evitar uma guerra. Enquanto tentava influenciar um dos momentos mais tensos da Guerra Fria, sua própria saúde continuava piorando. Em abril de 1963, já bastante debilitado, João XXIII publicou “Pacem in terris”, uma encíclica dedicada à paz, aos direitos humanos e às relações entre os povos.
Seria seu último grande documento. Somente no mês seguinte o público começou a compreender a gravidade de seu estado de saúde. Nos últimos dias, João XXIII sofreu hemorragias e outras complicações. O tumor acabou perfurando a parede do estômago e provocando uma grave inflamação abdominal.
Em 3 de junho de 1963, milhares de pessoas se reuniram na Praça de São Pedro. O papa permanecia em seu quarto no Palácio Apostólico, cercado por familiares e pessoas próximas. Naquela noite, uma missa era celebrada por ele diante da Basílica de São Pedro, enquanto a multidão olhava para as janelas do palácio.
Pouco depois, João XXIII morreu. Tinha 81 anos. O papa que havia colocado em marcha o Concílio Vaticano II não viveu para ver sua conclusão. O encontro continuou sob o pontificado de Paulo VI e só terminou em dezembro de 1965. João XXIII passou seus últimos meses conduzindo uma das maiores transformações da Igreja Católica enquanto escondia do mundo a gravidade da própria doença (fonte, Facebook, Enfim, História)

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