Tendo em conta o aumento do preço dos combustíveis, para muitos portugueses, deslocar-se para o trabalho de carro representa cada vez mais uma despesa significativa, que aumenta com a distância entre casa e local de trabalho. Um trabalhador que aufira o salário médio líquido em Portugal, de 1.348€ mensais, e percorra 25 km por dia (ida e volta), precisa de 2 dias de trabalho por mês apenas para pagar o gasóleo das deslocações para o emprego. Se auferir o salário mínimo nacional, que se traduz em 819€ líquidos, são necessários 3 dias de trabalho para cobrir a mesma despesa.
Com o aumento da distância diária para 50 km, o esforço sobe para 3 dias de trabalho, no caso de quem recebe o salário médio, e 5 dias para quem aufere o salário mínimo. Para quem percorre 75 km por dia, são necessários 4 e 7 dias de trabalho, respetivamente.
Nos casos de maiores distâncias nas deslocações, o peso do combustível torna-se ainda mais expressivo. Quem percorre 100 km por dia precisa de trabalhar 6 dias por mês para pagar o gasóleo, se receber o salário médio líquido, e 9 dias se auferir o salário mínimo. Ou seja, neste último caso, quase metade dos dias úteis de uma quinzena é dedicada a pagar o combustível necessário para chegar ao emprego.
Estes valores consideram um preço médio do gasóleo de 2,146€ por litro, um consumo de 6 litros por 100 km e 23 dias de trabalho mensais. Não incluem outros custos associados à utilização do automóvel, como seguros, manutenção, estacionamento ou portagens. A dependência do automóvel tem, por isso, um custo que vai para além do preço dos combustíveis. Tem um impacto nas decisões profissionais. Para quem vive longe do emprego e não dispõe de alternativas de transporte viáveis, as deslocações para o local de trabalho podem representar uma despesa mensal significativa (Mais Liberdade, Mais Factos)

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