quinta-feira, outubro 15, 2026

Portugal entre os três países da UE onde a comida mais encareceu: preços caem em quase metade da Europa

Apenas Chipre e Espanha apresentaram valores superiores, enquanto 13 dos 27 Estados-membros registaram descidas. Portugal foi um dos países da União Europeia onde os preços dos alimentos mais aumentaram em agosto. Segundo os dados do Eurostat, a inflação alimentar atingiu 2,1% em termos homólogos, colocando o país na terceira posição entre os Estados-membros com maiores subidas, em igualdade com a Roménia. Apenas Chipre, com 3,8%, e Espanha, com 2,3%, registaram aumentos superiores.

Os números revelam um contraste significativo entre Portugal e grande parte dos restantes países europeus. Enquanto os alimentos continuam a encarecer a um ritmo relativamente elevado no mercado português, 13 dos 27 Estados-membros já registaram descidas de preços e, em várias das principais economias europeias, os aumentos foram substancialmente inferiores. Em França e Itália, por exemplo, os preços dos alimentos subiram 1,1%, praticamente metade do aumento observado em Portugal. Na Alemanha, a subida ficou pelos 0,2%, o que significa que os produtos alimentares encareceram em Portugal a um ritmo mais de dez vezes superior.

Os dados do Eurostat evidenciam as diferenças na evolução do custo da alimentação na União Europeia, num contexto em que os encargos com energia, combustíveis e transportes continuam a pressionar o setor alimentar. Portugal e Roménia registam a terceira maior subida dos preços dos alimentos

A classificação europeia é liderada por Chipre, onde os alimentos ficaram 3,8% mais caros em agosto face ao mesmo mês do ano anterior. Segue-se Espanha, com uma subida de 2,3%, enquanto Portugal e Roménia partilham a terceira posição, ambos com 2,1%. A diferença em relação a outras economias da União Europeia é expressiva.

Na Finlândia e em Malta, a inflação alimentar situou-se nos 1,6%, enquanto no Luxemburgo foi de 1,3%. França e Itália registaram aumentos de 1,1% e a Bulgária ficou pelos 0,9%.

Mais abaixo na classificação surgem Alemanha, Irlanda e Grécia, onde os preços dos alimentos aumentaram apenas 0,2%. Na Bélgica, os preços mantiveram-se inalterados em relação a agosto do ano anterior.

A comparação mostra que Portugal se encontra entre os países europeus onde a alimentação mais encareceu, apesar de a evolução dos preços ser bastante mais moderada em vários dos seus parceiros económicos. Importa, contudo, distinguir a subida dos preços do seu valor absoluto. Os dados medem a inflação alimentar homóloga, ou seja, a variação dos preços face ao mesmo mês do ano anterior, e não permitem concluir em que países é mais caro fazer compras.

Em 13 países da União Europeia, os alimentos ficaram mais baratos

O contraste com Portugal torna-se ainda mais evidente quando se analisam os países onde os preços dos alimentos diminuíram. Em agosto, 13 dos 27 Estados-membros da União Europeia registaram descidas homólogas, com reduções particularmente acentuadas em alguns países do norte e do leste da Europa. A Suécia apresentou a maior queda, com os preços alimentares a recuarem 6,2% face ao mesmo mês de 2025. Seguiram-se a Hungria, com uma redução de 4,8%, a Chéquia, com 4,5%, e a Letónia, onde os alimentos ficaram 4% mais baratos.

Também a Estónia (-2,6%), a Eslováquia (-2,5%) e a Lituânia (-2,1%) registaram descidas superiores a 2%. Na Dinamarca, a redução foi de 1,5%, enquanto nos Países Baixos os preços recuaram 1%. A tendência estendeu-se à Eslovénia (-0,9%), Polónia (-0,8%), Croácia (-0,7%) e Áustria (-0,5%). Assim, enquanto Portugal registou uma subida de 2,1%, quase metade dos países da União Europeia apresentou uma evolução inversa, com os consumidores a beneficiarem de preços alimentares inferiores aos praticados um ano antes (Executive Digest)

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