Li no Expresso,num texto da jornalistas Luísa Meireles e Ana Serra, que
“a crise é quem mais ordena e o último inquérito internacional Transatlantic
Trends demonstra-o: 90% dos portugueses dizem sentir-se pessoalmente afetados
pela crise económica, sendo a percentagem mais alta entre os países europeus
estudados. A título de comparação, a média europeia é de 65% e a dos americanos
75%. O Transatlantic Trends é uma sondagem anual feita desde 2002 pelo German
Marshall Fund nos Estados Unidos e em 12 países europeus (França, Alemanha,
Itália, Holanda, Polónia, Portugal, Reino unido, Eslováquia, Espanha, Roménia,
Suécia) incluindo a Turquia, sobre questões transnacionais. A crise económica é
o dado português mais relevante em termos comparativos - 70% desaprovam a forma
como o Governo tem gerido a crise (mais 5% do que em 2012), mas outros tantos
também consideram que deve descer o nível da dívida pública. Mais em relação às
despesas com a Defesa (46%) e infraestruturas (45%), menos quanto ao Estado
Social (27%) e Educação (11%). A título ilustrativo, os portugueses são dos que
mais desaprovam a gestão da crise pela líder alemã Angela Merkel (65%),
enquanto a média europeia de desaprovação é de 42%. Os números variam muito
consoante os países, sendo que é naqueles mais afetados pela crise que mais se
faz sentir essa desaprovação. Mais portugueses consideram também agora que o
euro tem sido mau para a economia (65% - mais 10% do que em 2012), embora 55% o
queiram manter. A nível europeu, a média em desfavor do euro é de 60%, a favor
30%. Os portugueses são aliás aqueles que, depois dos italianos, pensam que o
sistema económico é mais injusto e só beneficia alguns (92%). Só 15% dos
europeus, 25% dos americanos e 23% dos turcos estimam que o sistema funciona de
forma justa para todos.
Não à guerra
Quanto a temas internacionais, os portugueses alinham com os europeus na
discordância quanto a uma intervenção na Síria (80% em Portugal, 73% no resto
da Europa) e quanto ao uso da força de modo geral (73% contra). Ao contrário,
concordam com o uso da força 68% dos americanos e 31% dos europeus. Os
portugueses continuam a apoiar Barack Obama e os EUA de forma estável, e têm a
visão oposta quanto à Rússia e a China. Questionados sobre a liderança da
Rússia, 54% consideram-na indesejável (65% é a média europeia). Quanto à China,
56% descrevem-na como uma ameaça económica, mais do que uma oportunidade, uma
visão diferente da que têm em relação à India, Brasil e Indonésia, a respeito dos quais 69% pensam
o contrário.
Preocupados com a imigração
Com apenas cerca de 8% de imigrantes em Portugal, os portugueses são
todavia os mais preocupados entre os 12 quanto à imigração ilegal (88%), embora
a esmagadora maioria (74%) afirme não estar preocupado com a imigração legal.
Portugal é também entre os 13 aquele onde a percentagem de imigrantes é mais
sobrestimada. Apesar disso, os portugueses pensam que eles se integram bem na
sociedade e a maioria (53%) considera que os imigrantes não tiram o emprego aos
nacionais. No sentido oposto, são também os mais preocupados com a emigração
(88%), considerando-a um problema para o país, tal como os italianos e
espanhóis. A mobilidade, a migração e a integração foram perguntas novas
introduzidas este ano no estudo, que foi conduzido entre 3 e 27 de Junho e
envolveu cerca de 1000 pessoas maiores de 18 anos, de ambos os sexos.

