quinta-feira, setembro 19, 2013

Portugueses sentem-se os mais afetados pela crise


Li no Expresso,num texto da jornalistas Luísa Meireles e Ana Serra, que “a crise é quem mais ordena e o último inquérito internacional Transatlantic Trends demonstra-o: 90% dos portugueses dizem sentir-se pessoalmente afetados pela crise económica, sendo a percentagem mais alta entre os países europeus estudados. A título de comparação, a média europeia é de 65% e a dos americanos 75%. O Transatlantic Trends é uma sondagem anual feita desde 2002 pelo German Marshall Fund nos Estados Unidos e em 12 países europeus (França, Alemanha, Itália, Holanda, Polónia, Portugal, Reino unido, Eslováquia, Espanha, Roménia, Suécia) incluindo a Turquia, sobre questões transnacionais. A crise económica é o dado português mais relevante em termos comparativos - 70% desaprovam a forma como o Governo tem gerido a crise (mais 5% do que em 2012), mas outros tantos também consideram que deve descer o nível da dívida pública. Mais em relação às despesas com a Defesa (46%) e infraestruturas (45%), menos quanto ao Estado Social (27%) e Educação (11%). A título ilustrativo, os portugueses são dos que mais desaprovam a gestão da crise pela líder alemã Angela Merkel (65%), enquanto a média europeia de desaprovação é de 42%. Os números variam muito consoante os países, sendo que é naqueles mais afetados pela crise que mais se faz sentir essa desaprovação. Mais portugueses consideram também agora que o euro tem sido mau para a economia (65% - mais 10% do que em 2012), embora 55% o queiram manter. A nível europeu, a média em desfavor do euro é de 60%, a favor 30%. Os portugueses são aliás aqueles que, depois dos italianos, pensam que o sistema económico é mais injusto e só beneficia alguns (92%). Só 15% dos europeus, 25% dos americanos e 23% dos turcos estimam que o sistema funciona de forma justa para todos.
Não à guerra
Quanto a temas internacionais, os portugueses alinham com os europeus na discordância quanto a uma intervenção na Síria (80% em Portugal, 73% no resto da Europa) e quanto ao uso da força de modo geral (73% contra). Ao contrário, concordam com o uso da força 68% dos americanos e 31% dos europeus. Os portugueses continuam a apoiar Barack Obama e os EUA de forma estável, e têm a visão oposta quanto à Rússia e a China. Questionados sobre a liderança da Rússia, 54% consideram-na indesejável (65% é a média europeia). Quanto à China, 56% descrevem-na como uma ameaça económica, mais do que uma oportunidade, uma visão diferente da que têm em relação à India, Brasil  e Indonésia, a respeito dos quais 69% pensam o contrário.
Preocupados com a imigração
Com apenas cerca de 8% de imigrantes em Portugal, os portugueses são todavia os mais preocupados entre os 12 quanto à imigração ilegal (88%), embora a esmagadora maioria (74%) afirme não estar preocupado com a imigração legal. Portugal é também entre os 13 aquele onde a percentagem de imigrantes é mais sobrestimada. Apesar disso, os portugueses pensam que eles se integram bem na sociedade e a maioria (53%) considera que os imigrantes não tiram o emprego aos nacionais. No sentido oposto, são também os mais preocupados com a emigração (88%), considerando-a um problema para o país, tal como os italianos e espanhóis. A mobilidade, a migração e a integração foram perguntas novas introduzidas este ano no estudo, que foi conduzido entre 3 e 27 de Junho e envolveu cerca de 1000 pessoas maiores de 18 anos, de ambos os sexos.