Segundo a jornalista do
Expresso, Luísa Meireles, “os europeus e americanos expressam cada vez maior
insatisfação face à condução da crise pelos respetivos Governos e consideram
que o sistema económico funciona de maneira desigual, mas ambos estão de acordo
sobre a necessidade da NATO e contra uma intervenção na Síria, segundo os
resultados da última sondagem Transatlantic Trends, conduzida em 12 países europeus,
Turquia e Estados Unidos. Assim, 64% dos americanos (mais 12% do que no ano
passado) e 62% dos europeus (mais 5% do que em 2012) desaprovam a gestão da
política económica dos seus Governos. O maior aumento registado foi em França,
cuja percentagem de desaprovação cresceu 17% desde o ano passado, alcançando
agora 74%. Curiosamente, divergem na importância que atribuem aos outros face
aos seus respetivos interesses nacionais. Assim, perguntados sobre se os países
da Ásia, como China, Japão e Coreia do Sul, eram mais importantes nesse sentido
do que a Europa, 45% dos americanos concordaram, e 44% discordaram. Quanto aos
europeus, não houve dúvidas: 64% preferem os americanos. Mas 56% dos europeus e
49% dos americanos consideram que o aumento do comércio e do investimento mútuo
seria benéfico para as suas economias. Tal facto não impede que americanos
(62%), europeus (46%) e turcos (41%) concordem quem que a China representa mais
uma ameaça económica do que uma oportunidade. Só os americanos (49%) veem
também a China como uma ameaça militar, no que discordam 56% dos europeus e 60%
dos turcos.
Antes democracia que
estabilidade
Quanto aos
desenvolvimentos recentes no Médio Oriente e Norte de África, perguntados sobre
o que era mais importante, a estabilidade ou a democracia, 58% dos europeus,
57% dos turcos e 47% dos americanos escolheram a democracia, mesmo que isso
conduza a um período de instabilidade, por contraponto à estabilidade (mesmo
que isso signifique aceitar um Governo não democrático). Quanto à NATO, é vista
como "uma aliança de países democráticos" e como tal deve manter-se.
Quanto ao desafio colocado pelo Irão, todos estão de acordo em privilegiar a
abordagem das sanções económicas e, relativamente à Síria, é esmagadora a
opinião contra a intervenção: são 62% dos americanos e 72% europeus, percentagem
idêntica à dos turcos. Aos inquiridos deste ano, foram pela primeira vez
colocadas questões sobre a imigração. Ao passo que uma maioria de turcos (70%)
e metade dos americanos (50%) pensam que os imigrantes "roubam os empregos
aos nacionais", a maioria dos europeus discorda (62%). Europeus (50%) e
americanos (57%) acham que os imigrantes são um peso para os serviços sociais,
mas discordam que sejam uma ameaça para a cultura nacional. O Transatlantic
Trends é uma sondagem realizada anualmente pelo German Marshall Fund nos
Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Holanda, Polónia, Portugal, Reino
Unido, Eslováquia, Espanha, Roménia, Suécia e Turquia. Foi realizada entre 3 e
27 de Junho, a cerca de mil pessoas, maiores de 18 anos de ambos os sexos. Em
Portugal, tem o apoio da Fundação Luso-Americana (FLAD)”.