Segundo a jornalista do Público, Isabel Paulo, um “estudo da
Universidade do Minho conclui que construção de viadutos e arruamentos em ano
de autárquicas alarga margem de votos. O aumento da despesa municipal em ano de
eleições é "normalmente recompensado" com uma maior margem de vitória
do candidato em funções face ao principal partido da oposição. Esta é a
principal conclusão de um estudo de dois investigadores da Escola de Economia e
Gestão da Universidade do Minho, publicado na revista 'Public Choice'. O
trabalho de Linda Veiga e Francisco Veiga teve por base dados de 278 municípios
portugueses ao longo de quase 30 anos. O artigo revela que, quanto menor é a
esperança de vencer as eleições maior é o incentivo para "manipulações
oportunistas das políticas económicas". "Os autarcas que antecipam
uma eleição mais renhida tendem a ser mais eleitoralistas", referem os
autores do estudo "Election results and opportunistic policies: a new test
of the rational political bussiness cycle model". A tese agora publicada
surge após outro estudo de Linda e Francisco Veiga (Ciclos político-económicos
ao nível municipal), destacando que gastos em viadutos, arruamentos e viação
rural são os mais comuns em períodos pré-eleitorais. "Este comportamento
visa mostrar a competência do autarca de forma a aumentar a probabilidade de
ganhar eleições, mas pode também gerar ineficiência na afetação de recursos e
acumulação de dívida a longo prazo", afirma Francisco Veiga.
Efeito de contágio entre municípios
Num estudo paralelo de Linda Veiga em coautoria com Miguel Portela
(Uminho) e Hélia Costa (Instituto Europeu de Florença), a publicar em breve na
revista científica "Regional Studies", conclui-se ainda que as
despesas das autarquias afetam as decisões dos municípios vizinhos. "Por
mero efeito de arrastamento ou por exigência de coordenação de obras entre
autarquias próximas, os municípios geograficamente próximos são também tentados
aumentar mais as despesas", realça a docente”.