“Da minha parte não haverá confusão”
Miguel Albuquerque, numa declaração surpresa, entende que é preciso “refrear os ímpetos pessoais” e tratar da sucessão no PSD com “ponderação e humildade” Albuquerque parece seguir à risca a recomendação feita por Jardim, de que o partido e os candidatos à sucessão devem ter juízo e começar já a tratar do assunto. Com maturidade. De forma surpreendente, o presidente da CMF e “vice” do PSD revela-se moderado e com um discurso apaziguador nesta entrevista ao Tribuna, em vésperas do Dia da Cidade (21 de Agosto). Albuquerque garante que por ele a substituição de Jardim será feita “sem qualquer confusão” interna, mesmo que não seja ele o escolhido. Mas quando interrogado sobre a sua disponibilidade para colaborar com Cunha e Silva, responde na retranca: “Isso vamos ver.”
Tribuna – Jardim anunciou publicamente que se vai embora e instigou os militantes a tratar da sucessão em 2010. Está preparado para assumir a presidência do partido e do governo?
MA – Essa questão foi posta de forma muito clara pelo presidente do partido e, neste momento, temos que ter a humildade suficiente para partirmos para uma solução que seja razoável e de bom senso. É disso que teremos de tratar no presente, porque qualquer questão que extravase daqui acabará por beneficiar os nossos adversários políticos. Por muito grande que seja o ego dos políticos – eu também costumo dizer que tenho o meu ego demasiado grande – creio que a maioria dos quadros do partido tem maturidade suficiente e muitos anos de política activa para refrear os ímpetos pessoais e tratar daquilo que é importante para a Madeira e o partido.
Tribuna – Esse discurso é novo e prenuncia disposição para aceitar outra liderança que não a sua. É isso?
MA – Vamos a ver. Qualquer solução... Bem, eu não me vou pôr em bicos de pés. É evidente que estou disponível, sempre, para colaborar numa solução que esteja conforme os interesses da Região e do PSD.
Tribuna – Excluindo-se a si própria dessa solução?
MA – Evidentemente que sim, é isso que estou a tentar dizer.
Tribuna – O presidente do partido pediu para terem juízo nesta questão, pelos vistos o pedido está a surtir efeito?
MA – Acho isto [a sucessão] uma questão muito séria, que a partir de agora terá de ser vista com ponderação, bom senso e humildade.
Tribuna – Portanto, do que depender do dr. Miguel Albuquerque, a sucessão será feita sem prejudicar o partido, mesmo que não seja o escolhido?
MA – Da minha parte não haverá confusão. Não faz sentido. O PSD tem um património com muitos anos. Mas a questão para o futuro nem é o partido. O partido é um instrumento. Temos na Região duas linhas de rumo claras: uma de emancipação política, em que nós entendemos que os madeirenses têm possibilidade e capacidade para gerir o seu próprio destino, e uma outra de subordinação ao poder central.
Tribuna – Quando diz que não vai atrapalhar, está a auto-exclui-se dos potenciais candidatos?
MA – Atenção, eu não tenho por hábito auto-excluir-me de nada. Aquilo que estou a dizer é que a metodologia escolhida pelo presidente do partido é uma boa metodologia e que eu estou pronto a aceitar aquilo que a própria conjuntura venha a ditar.
Tribuna – Aceita que o presidente do partido procure influenciar a escolha?
MA – É normal que o faça. Ele [Jardim] continua a ser o líder do partido e qualquer solução má, a exemplo do que aconteceu nos Açores, é entregar isto de bandeja.
Tribuna – Como são as suas relações com o vice-presidente do GR?
MA – São relações institucionais normais.
Tribuna – Costuma discutir com ele o futuro da Madeira?
MA – As minhas questões pessoais não são para aqui chamadas. Aliás, a maioria dos meus amigos pessoais não está na política.
Tribuna – Se o próximo presidente do GR for o dr. João Cunha e Silva, o dr. Miguel Albuquerque está disponível para colaborar?
MA – Isso vamos ver. Ainda está muito longe. O partido tem vários quadros aptos, e só espero que tudo seja tratado com ponderação.
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