quarta-feira, agosto 29, 2012
Deduções de IRS e apoios sociais na calha para corte
Passos diz que concessão da RTP a privados é apenas uma hipótese de vários cenários em estudo
Vindimas já começaram na Madeira
(veja aqui o video da RTP sobre esta notícia)
Aumentou o número de falências no setor da construção civil
Na construção civil perdem-se, por hora, 90 postos de trabalho. As falências estão a aumentar a um nível alarmante. Só nos primeiros sete meses deste ano fecharam cerca de oitocentas construtoras. São mais 60 por cento de falências do que em igual período do ano passado (veja aqui o video da RTP sobre esta notícia)
Há uma praia paga no Porto Santo!
Aumentou o número de casas para alugar a turistas na Madeira através da internet
Na Madeira, o aluguer ilegal de casas particulares está a deixar os proprietários de Turismo Rural sem negócio. O mercado paralelo que começa no espaço virtual pode ser um grande risco para os clientes, arruinando o negócio de quem paga impostos (veja aqui o video da RTP sobre esta notícia)
Construção perde 90 postos de trabalho por hora...
Construção perde 90 postos de trabalho por hora...
O navio que nunca chegou aos Açores
Salários perdem 1,5 mil milhões desde a chegada da troika
Li no Correio da Manhã, num texto do jornalista Pedro Gonçalves que “os portugueses já perderam 1537 milhões de euros em salários desde que, em Maio do ano passado, Portugal assinou o memorando de entendimento para receber 78 mil milhões de euros de ajuda financeira. Assim, em média, cada trabalhador português por conta de outrem perdeu 30 euros de poder de compra por cada mês sob a ajuda da troika. Segundo os cálculos do economista Eugénio Rosa, feitos com base nos números do Instituto Nacional de Estatística (INE), antes de ter sido assinado o memorando com a troika (Banco Central Europeu-BCE, Fundo Monetário Internacional-FMI, e Comissão Europeia--CE), os portugueses ganhavam em média 813 euros líquidos por mês. No primeiro trimestre deste ano, esse rendimento tinha caído para 805 euros, em termos nominais. É preciso, contudo, descontar a inflação para calcular que os portugueses ganhavam na realidade, em média, 783 euros nos primeiros três meses do ano. Multiplicando esta perda no salário real de 30 euros pelos 3,66 milhões de trabalhadores por conta de outrem, a quebra real de poder de compra no País atinge os 109,8 milhões de euros por mês, ou seja, 1,53 mil milhões de euros por ano. A explicar a redução dos vencimentos dos trabalhadores em Portugal estão vários factores, como as empresas que contratam por salários mais baixos ou a recibos verdes, os desempregados que estão obrigados a aceitar empregos com vencimentos mais reduzidos, o que baixa a média salarial nacional, numa altura em que o Governo continua a implementar medidas de austeridade para equilibrar as contas públicas. Os cortes na Função Pública e a subida da carga fiscal também levam à redução do rendimento disponível dos portugueses. Apesar da quebra, o Banco Central Europeu recomenda que os salários desçam ainda mais, em nome da competitividade e do emprego. António Borges, antigo director do Fundo Monetário Internacional para a Europa, chegou a defender a mesma ideia, alegando que a "diminuição dos salários é uma emergência, não é uma política".
NOVO CÓDIGO CORTA NOS FERIADOS E HORAS EXTRAS
O novo Código do Trabalho que entrou em vigor veio tornar o trabalho mais barato. Com a redução da remuneração relativa a feriados e horas extraordinárias, há profissões que vão sofrer um grande corte no ordenado. "Há casos em que os trabalhadores vão perder 400 a 500 euros", explicou ao Correio da Manhã José Manuel Oliveira, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, criticando o facto de os trabalhadores, que agora têm direito a uma remuneração extra a 100% mais um dia de descanso (ou 250% sem a folga complementar), passarem a receber apenas 50%. "Vamos pagar para vir trabalhar e ficamos com saldo negativo ao fim do dia, porque não compensa", defende. O sindicalista garante ainda que se irão criar sérios problemas aos trabalhadores, porque estes "assumiram um nível de vida e gastos já a contar com a habitual remuneração do trabalho extraordinário".
Banca: prejuízos de 2,7 milhões por dia
ROTAS DAS PERDAS DEVE MANTER-SE AO LONGO DO ANO
"As margens financeiras estão esmagadas." O desabafo é recorrente nos corredores da Banca e transformou-se num dos factores de maior preocupação: é difícil continuar a subir as já altas comissões pelos serviços aos clientes, e a remuneração dos depósitos tem tido elevados custos para o retalho. Além disso, as repetidas inspecções da troika ao balanço dos bancos e a exigência em torno do reforço das provisões vão continuar a penalizar as contas. Fontes do sector admitem, por isso, que "a Banca vai fechar 2012 com prejuízos".
Olivedesportos dá carros a Vítor Pereira e a Gomes
Aeroporto de Beja com passivo de um milhão ainda aguarda extinção
Enquanto se adiar a extinção, alertou Pulido Valente, são “mais de 100 mil euros que vão à viola” por mês: “É um absurdo e é inaceitável que se continue sem resolver este problema, e os contribuintes a pagar.” O presidente da assembleia geral afiançou ainda que este impasse, “só pelo facto de o governo, e não se percebe porquê, não ter ainda tomado uma decisão”, já leva a que “o prejuízo acumulado” da EDAB ascenda a “mais de um milhão de euros”. “O que é preciso é o Estado aprovar o orçamento de extinção e devolver o capital social aos accionistas que não são Estado, nomeadamente à AMBAAL (Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral) e ao NERBE (Núcleo Empresarial da Região de Beja)”, explicou. Pulido Valente admitiu que seja precisamente a devolução das verbas que esteja “a empatar” a extinção da EDAB, que deveria ter sido concretizada em 2011, tendo sido depois aprovado um orçamento até Março deste ano para culminar o processo, o que ainda não aconteceu. No próximo dia 4 de Setembro, os accionistas da EDAB “voltam a reunir”, mas Pulido Valente deixou um recado ao governo. “Se não tiverem o processo em condições de tomarmos uma decisão, avisem-nos que é para não fazermos as pessoas deslocarem--se centenas de quilómetros e depois baterem com o nariz na porta outra vez”, disse. A EDAB é detida em 82,5% pelo Estado, em 10% pela AMBAAL e em 2,5% pela NERBE/AEBAL, tendo ainda como accionistas a empresa gestora do Alqueva (EDIA), a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, a AICEP Global Parques e a Administração do Porto de Sines”.
Argentinos alimentam-se com um euro por dia!
terça-feira, agosto 28, 2012
Ataques contra imigrantes na Grécia estão a ficar cada vez mais violentos!
Li no Publico um texto da jornalista Maria João Guimarães: “O que é preciso para matar um homem? Quantos agressores? Dez, vinte? Barras de ferro, facas? Na Grécia, os ataques violentos contra os imigrantes sucedem-se. A sorte decide quem sobrevive e quem acaba por morrer. Mas os grupos de atacantes têm usado armas cada vez mais letais. O aumento da violência ocorre numa altura em que as autoridades levam a cabo uma operação chamada (com ironia?) Xenios Zeus, a expressão que sublinha a faceta de hospitalidade de Zeus, em que foram detidos mais de 7000 imigrantes e presos 1600 que, segundo as autoridades, deverão ser deportados. Há quem veja nesta operação a tentativa do Governo liderado pelo conservador Antonis Samaras chegar aos eleitores descontentes que votaram no partido de extrema-direita, neonazi, Aurora Dourada, cujos membros são suspeitos nestes crimes contra imigrantes. "Primeiro começaram os ataques verbais, depois vieram as barras de ferro e agora estão a aparecer as facas", disse Javied Aslam, líder de uma organização de imigrantes paquistaneses e presidente da Associação de Trabalhadores Migrantes, citado pela agência Reuters. Nos últimos seis meses foram atacados pelo menos 500 imigrantes, disse Aslam, que trabalha como intérprete nos hospitais. Nas últimas três semanas, 20 foram hospitalizados por terem sido esfaqueados. E Javied Aslam faz a ligação com as operações levadas a cabo pelas autoridades que têm como alvo os imigrantes e o aumento da violência: as acções da polícia ainda encorajam mais acções de grupos de cidadãos armados. "Há claramente responsabilidade do Governo", acusou. A operação Xenios Zeus foi também criticada por grupos de defesa de direitos humanos como a Amnistia Internacional, que acusa as autoridades gregas de tratarem estrangeiros que respeitam a lei como criminosos e sujeitarem os detidos a "condições degradantes e desumanas". Esta semana, morreu um tunisino de 25 anos atacado em Salónica na terça-feira, vítima de ferimentos de arma branca. Em Atenas - a dois quarteirões da Câmara Municipal - foi assassinado um iraquiano de 19 anos também com golpes de faca. Um dia depois desta morte, um gabinete do Aurora Dourada foi alvo de uma bomba incendiária.Saiam daqui, ou então...
Há muitos imigrantes que sobrevivem para contar a agressão. Um deles é Abouzeid Mubarak, 28 anos, pai de três filhas, um pescador egípcio do porto de Piraeus. Numa noite especialmente quente, Mubarak foi dormir para o terraço. Acordou às 3 da manhã e viu 20 homens de T-shirts pretas. "Vi algumas pessoas - jovens, como eu. Bateram-me, e eu desmaiei." Mubarak foi agredido com bastões de madeira e barras de ferro. Outros pescadores encontraram-no numa poça de sangue e levaram-no ao hospital, achando que a qualquer momento ele ia morrer. Não morreu, mas passou semanas a recuperar. Tem o maxilar, que ficou partido, seguro por metal - fala com dificuldade e tem de comer por uma palhinha. Mubarak faz parte de uma comunidade de pescadores egípcios há muito estabelecida em Piraeus, o principal porto de Atenas. Todos se sentem agora ameaçados pela onda de violência. Os principais suspeitos são membros do partido de extrema-direita Aurora Dourada, cujos elementos deixaram folhetos aos imigrantes na zona dando-lhes um prazo para sair, "ou então..." O Aurora Dourada chegou ao Parlamento nas últimas eleições, em Junho, com 6,9% dos votos e 18 deputados (em 300). Apesar de, durante a campanha, o seu porta-voz, Ilias Kasidiaris, ter agredido uma deputada durante uma emissão televisiva. Procurado pelas autoridades, Kasidiaris desapareceu durante uns tempos, mas já regressou. Ainda recentemente, estava numa acção em que elementos do partido ofereceram comida na Praça Syntagma, em frente ao Parlamento, em Atenas. "Damos comida produzida na Grécia apenas a cidadãos gregos", anunciou Kasidiaris. Para levar um saco com fruta, vegetais e massa, as pessoas mostravam os bilhetes de identidade para provar a nacionalidade. "Este partido tem um forte elemento hooligan e ainda ligações ao submundo criminal", acusa o presidente da Câmara de Salónica, Yiannis Boutaris, citado pela revista britânica The Economist. Boutaris tinha sido criticado pelos membros do Aurora Dourada por ter apoiado a primeira marcha do orgulho gay na cidade.Grupos de direitos humanos dizem que depois de terem obtido bons resultados nas eleições, os membros do partido se tornaram mais ousados, com ataques contra imigrantes a ocorrerem quase diariamente, alguns em plena luz do dia. A responsável da Human Rights Watch Judith Sunderland falou da sua surpresa com o panorama na Grécia. "Todos os dias ficava chocada com as histórias que ouvíamos e o sofrimento que encontrávamos", contou. "Não fazíamos ideia da escala. Parece ser realmente um fenómeno diário"
Financial Times diz que Portugal tem feito uma recuperação 'nas sombras'
Grandes eventos desportivos espalham estádios-fantasma pelo mundo fora
"Os recintos de Aveiro, Leiria e Algarve são dos maiores exemplos de desperdício de dinheiros públicos na construção de equipamentos desportivos. O Mundial 2006, pelo contrário, é um exemplo a seguir. Ainda não são conhecidos os números oficiais finais do investimento britânico nos Jogos de Londres, mas dificilmente se aproximarão dos 32 mil milhões de euros de Pequim 2008. Uma soma astronómica para um evento que dura pouco mais de duas semanas. Neste oceano financeiro, surgem mitigados os 381 milhões de euros despendidos no "Ninho de Pássaro", o Estádio Olímpico que se transformou na bandeira do evento. Hoje é uma atracção turística, mas com os seus 90 mil lugares desertos grande parte do ano, apesar dos nove milhões de euros de custos de manutenção. É um dos "elefantes brancos" que os mega-eventos desportivos espalharam pelo mundo, com Portugal a ter um lugar de destaque. São projectos muitas vezes efémeros, quase sempre megalómanos, ávidos sorvedouros das receitas dos contribuintes. São estas as conclusões de um relatório do Instituto Dinamarquês de Estudos Desportivos (IDED), publicado recentemente, que alerta para o peso dos legados das grandes organizações desportivas, construídos sem racionalidade ou planos de sustentabilidade. O Euro 2004 e parte da sua herança material, fardos atrofiantes para algumas autarquias, é visto como caso exemplar de desperdício de fundos.O estudo estima que a organização nacional da prova da UEFA tenha implicado um investimento público na ordem dos mil milhões de euros, entre os valores assumidos por autarquias e Governo. O dobro da verba despendida, em conjunto, pela Áustria e Suíça, no Euro 2008. "Vários dos estádios construídos ou renovados constituíram uma herança problemática", refere o documento, apontando os casos dos estádios de Aveiro, Leiria (Dr. Magalhães Pessoa) e Faro-Loulé (Algarve), que registam baixos índices de ocupação anual. Um cenário desolador, mas perfeitamente previsível para este centro independente de investigação. A falta de um plano racional e sustentável dos equipamentos a prazo, que poderia ter passado por uma diminuição da lotação, após o fim do Euro 2004, para reduzir os custos de manutenção e adaptar os recintos às realidades futebolísticas locais, explica as dificuldades actuais. Os três estádios custaram aproximadamente 218 milhões de euros (e juntos disponibilizam 84 mil lugares), segundo números divulgados por uma auditoria do Tribunal de Contas, em 2005. Montante sem IVA e que inclui o estacionamento e as acessibilidades. A factura mais pesada do trio foi paga pela Câmara de Leiria: 83,2 milhões de euros. Seguiram-se a de Aveiro, com 68,1 milhões, e as de Faro e Loulé, com 66,4.
"A experiência portuguesa é ilustrativa para desmontar o lema "se construirmos estádios os espectadores aparecerão". Esta não é uma solução fiável. Alguns estádios foram postos à venda e a maioria regista fraquíssimos índices de assistência", refere o estudo, em que participou o investigador da Universidade de Coimbra (UC) Francisco Pinheiro.
Mas os portugueses não estão isolados na forma irracional como avançaram para a construção de muitos dos equipamentos. Numa lista que engloba Jogos Olímpicos de Verão e Inverno, Mundiais da FIFA, Europeus da UEFA, Taça das Nações Africanas, Jogos Pan-Africanos, Jogos Pan-Americanos, Jogos Asiáticos e Jogos da Commonwealth, num total de 65 estádios, em 20 países e cinco continentes, o desperdício de verbas públicas é, quase sempre, transversal. Do Japão, surge o caso do Estádio Olímpico de Nagano, uma memória pálida dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1998. Com uma capacidade de 30 mil lugares, custou 87 milhões de euros. Durante o ano de 2010, todos os espectadores somados ocupariam pouco mais de metade dos lugares. Em Inglaterra, ainda a viverem a ressaca dos Jogos, os contribuintes olham com apreensão para este passado de esbanjamento, enquanto especulam sobre o destino do Estádio Olímpico, onde investiram 590 milhões de euros. O seu futuro, que tem sofrido avanços e recuos nos últimos meses, continua incerto. À partida, o projecto arquitectónico deixou aberta a possibilidade de adaptações, como a redução dos 80 mil lugares para 25 mil, através da remoção do anel superior. Neste momento existem alguns clubes candidatos à utilização do recinto, destacando-se o West Ham.
Bom exemplo alemão
Apesar do cenário global negativo, o estudo do IDED também apresenta casos de sucesso. O maior deles é à organização alemã do Mundial de 2006. Aqui, a maioria dos estádios envolvidos na prova, construídos de raiz ou remodelados, registou um crescimento considerável da afluência de público, após o evento. A explicação é simples: "A forte tradição que o futebol tem por estas paragens, associada à competitividade da Bundesliga, traduz-se num dos maiores índices médios de espectadores nos estádios a nível mundial." Um oásis num deserto de desperdícios. "Este estudo pretende ser uma espécie de memorando com um elenco dos erros que ciclicamente são cometidos. Em particular algo que raramente é feito, como perspectivar o futuro dos equipamentos construídos e promover a criação de um plano de actividades, pelo menos para a década seguinte", sintetizou ao PÚBLICO Francisco Pinheiro. "Acredito que, nas próximas décadas, os países que optarem por uma racionalidade do ponto de vista financeiro, dificilmente irão candidatar-se a receber mega-organizações destas", prevê. Apesar de tudo, não têm faltado candidatos endinheirados à organização dos grandes eventos. A 2 de Dezembro de 2010, a FIFA atribuiu à Rússia a organização do Mundial de 2018 e ao Qatar a de 2022. Para vencer a corrida, os dois países comprometeram-se a construir mais de 20 novos estádios. "Nem a Rússia nem o Qatar têm uma infra-estrutura de equipamentos desportivos para uma prática satisfatória de futebol, conforme é exigido pela FIFA, nomeadamente no que se refere à capacidade dos estádios", aponta o estudo. Para obedecer aos regulamentos, os russos fixaram um orçamento oficial de três mil milhões de euros para a construção de estádios. Já o Qatar (país com 1,8 milhões de habitantes) vai investir 2,4 mil milhões de euros” (fonte: Publico)
Este texto incendiou Espanha...
Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.
Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.
Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.
A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.
Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.
Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.
A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.
A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.
Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.
Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.
Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos" (fonte: Dinheiro Vivo)

