terça-feira, julho 07, 2015

Domingues de Azevedo. “O IRS de 2016 vai provocar uma guerra civil”



“O bastonário dos técnicos oficiais de contas acusa o governo de dar com uma mão e tirar com outra.
Uma das medidas do governo tem sido o combate à fraude e à evasão fiscal. Esta semana detectaram uma fuga de 200 milhões. O objectivo está a ser cumprido?
Não tem havido tanto combate à fraude e à evasão fiscal como tem sido divulgado. O que tem havido é uma maior eficiência da máquina fiscal e é preciso ter em atenção em que momento do acto tributário é que se considera que é feito esse combate. A autoridade tributária entende o momento da liquidação, mas todo o processo pode passar por uma série de situações, o contribuinte pode discordar e vai reclamar e, muitas vezes, o acto ou é anulado ou alterado de forma profunda. Entendo que o governo tenha de mostrar trabalho feito e por isso estamos a ouvir uma série de barbaridades. Quando se questiona em que áreas é que foi feito esse combate à fraude e à evasão fiscal não conseguem dizê-lo, pondo em dúvida os valores que se avançam. Há uma maior eficiência, mas também alguns abusos nos actos inspectivos que, por vezes, põem em causa a prática da legalidade.
Os 200 milhões podem não estar nos cofres do Estado?
Poderão estar apenas liquidados.
São anúncios populistas?
Estamos a assistir a um desmerecimento muito acentuado dos direitos dos cidadãos. Vamos ser realistas, se tem o seu rendimento, a sua família constituída, uma casinha que construiu com sacrifício e no momento em que não paga uma contribuição autárquica e deve 1800 euros, o Estado vai por um valor destes colocar a casa em leilão? As casas acabam geralmente por ser vendidas abaixo do preço real, em que o Estado desde que cobre o seu, o problema não existe. Isto é uma falta de sensibilidade enorme por parte de quem gere a sociedade.
E é frequente existirem cada vez mais casos desses...
Sim e será que uma pessoa tem de ser penhorada por dever 1800 euros? Arrisca-se a ficar sem casa e não há ninguém com sensibilidade do lado do governo que diga: espere aí, estamos a pôr uma casa na praça por 1800 euros? As pessoas estão a ser tratadas como números. Se o Estado não pagar 1800 euros está impávido, sereno e nada acontece, mas se devemos ao Estado 1800 euros ele vai buscar a sua casa. Mas que diabo é justiça esta? Sempre defendi que a máquina fiscal tem de ser coerente, competente nas inspecções que faz, tem de ser rigorosa e acima de tudo ter um conceito de justiça. O que está a acontecer agora? Assisto diariamente a liquidações injustificadas. Há o conceito que ao Estado tudo é permitido e ao cidadão tudo é devido.
São os tais portugueses de primeira e os de segunda…
Não tenha dúvida nenhuma. O grande problema é que são mais os de segunda do que de primeira. Estourámos com uma classe média, a quem se triplicou a sua comparticipação nos impostos e temos hoje uma sociedade em que um grupo vive à grande e à francesa e que é protegido pelo nosso sistema.
A carga fiscal é demasiado elevada...
Está demasiado acentuada, não digo que não tivemos necessidade de estabelecer o equilíbrio financeiro, sempre defendi isso, mas peço que não seja pedido tudo a uns e a outros não.
Tributar as mais-valias iria criar um maior equilíbrio?
Evidentemente que sim. Porque é que as rendas de habitação pagam um imposto de 28% e um trabalhador pode ser tributado até 48%? Não entendo.
O governo diz que não tem condições para baixar os impostos.
Não há condições para baixar a uns, mas mantém as diferenças positivas para outros.
Insensibilidade do governo?
Não é só deste governo. É um problema que se arrasta há muito tempo.
E há condições para reduzir a sobretaxa?
Seria bom que se pudesse reduzir a sobretaxa, independentemente dos métodos seguidos. O que custa ao governo publicar uma portaria a dizer que aumenta o IRS? É como se diz: é simples, é barato e dá milhões. Para as empresas é fácil, chegam aos vencimentos dos trabalhadores e tiram. Mas não temos elementos suficientes para fazer as afirmações que foram feitas. Este governo tem usado o sistema de dar com uma mão e tirar com outra. Falou-se aí que iria haver uma redução da carga fiscal, teoricamente há um aumento de deduções porque na prática essas deduções não existem.
O que aconteceu?
No ano passado íamos a uma farmácia, comprávamos um medicamento. Se a taxa aplicada era de 6% entrava na declaração de IRS, mas se tivesse um problema de pele e tivesse de aplicar um produto taxado a 23% e se fosse prescrito pelo médico essa despesa era aceite e entrava no IRS. O que hoje não acontece. Se tem um problema com a vista e não consegue ver, os óculos são tributados a 23%. É justo que seja penalizada por não conseguir ver? As pessoas que têm esse problema não podem deduzir nos impostos? Há ainda outra questão que é a indexação dos códigos de actividade das empresas que vendem os produtos. Por exemplo, vou comprar um livro na mercearia e esta não está colectada para a venda de livros. A autoridade fiscal vai ver o código de actividade da empresa e não considera válida essa despesa. A incompetência da autoridade tributária é projectada negativamente a quem a vai fazer as compras a esses locais. Esse problema não se coloca nas cidades, mas imagine uma freguesia em Trás-os-Montes, como Vinhais que tem uma escola com 50 alunos e não vão comprar os livros a Vila Real num estabelecimento que vende tudo. Seria mais eficiente que pedissem às pessoas que guardassem as facturas caso surgissem dúvidas. Conclusão: vai haver uma diminuição drástica na dedução das despesas de saúde, mas vai haver uma diminuição muito maior com as despesas de educação. Porque estas não se limitam apenas à compra de livros, é preciso muito mais material e ao condicionarem o direito à dedução apenas à taxa mínima está a impedir que se faça a dedução dessas despesas. Se não pode deduzir então quer dizer que a matéria colectável está a ser aumentada. E vai pagar mais ou o mesmo em relação ao ano passado. Há algumas alterações são subtis e não se percebem à primeira vista.
O reembolso será o menor?
Em alguns casos sim e para o ano, na altura da entrega das declarações de IRS, vamos assistir a uma guerra civil. Ou o governo começa já a esclarecer e a tomar as atitudes ou vai haver uma grande confusão. Um contribuinte, por exemplo, com 70 anos não vai estar a confirmar se as facturas estão no sistema, alguns nem sabem trabalhar com aqueles programas. Nem estou a ver os contabilistas a confirmar as facturas todas. Todo este processo vai traduzir-se em prejuízo para os contribuintes com o rendimento colectável a subir e logo aumentar o imposto a pagar.
Mas começaram a ser pedidas mais facturas devido ao sorteio do fisco.
É uma vergonha o que se passou e o que se continua a passar. É a conceptualização de uma política espectáculo, sem dignidade. É um abandalhar. Portugal tinha uma tradição de chico espertismo, ou seja, de encontrar caminhos de contornar a lei e a própria sociedade aceitava esses comportamentos. Criámos uma sociedade que tem uma tradição latina de incumprimento. Foram impostas regras que criam algum medo de ser descoberto por não emitir a factura. Penso que este mecanismo foi positivo. Agora não consigo aceitar que se faça disso uma espécie de rifas como se vê nas feiras e nas romarias. Os consumidores quando pagam impostos estão sempre a sacrificar alguma coisa da sua vida, da sua comodidade e esse sacrifício ter como consequência uma rifa não faz sentido nenhum e ainda por cima sorteiam um carro. Uma pessoa que não tenha um rendimento muito alto, que peça as suas facturinhas e se sai o carro o que é que vai fazer? Vendê-lo e só este acto de vender perde logo 10 ou 15 mil euros. Preferia que o governo atribuísse um mérito a quem pede factura.
E como seria atribuído esse mérito?
Porque não em crédito ou em dinheiro? Em vez de pagar o carro porque não dar o dinheiro às pessoas? Era preferível que fosse dado um crédito a alguém que pague muito de IRS. E aí poderia gastá-lo ou deixar como um crédito do IRS para o ano seguinte. Porque é que sou obrigado a andar de carro?” (um trabalho do jornalista do Jornal I, Eduardo Martins, com a devida vénia)

Futebol: EUA conquistam Mundial feminino

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Grécia já tem novo Ministro das Finanças

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Ronaldo irrita-se e com toda a razão!



Cristiano Ronaldo abandona entrevista irritado com o seu assessor. Mais uma pergunta? Sim. E Ronaldo respondia. O ritmo das perguntas era acelerado. E a insistência também. "Mais uma pergunta?". Até que se ouve a voz do assesssor, por duas vezes, a pedir a Cristiano Ronaldo que termine a entrevista. E Ronaldo irrita-se. "Não tenho que ser estúpido para as pessoas". O insólito aconteceu durante uma entrevista, bastante infornmal, à agência desportiva SNTV.

Francisco Lufinha: um engenheiro à boleia do vento de Lisboa à Madeira



“Francisco Lufinha é recordista mundial de distância em kitesurf sem parar e vai tentar bater esse recorde nos próximos dias, a contar a partir de hoje. Conhecido por desafiar os limites, o velejador português vai tentar fazer uma travessia entre o simbólico Cais das Colunas, no Terreiro do Paço, em Lisboa, e a cidade de Machico, na Ilha da Madeira. Uma travessia que ronda os 1000 quilómetros e que pode durar entre 36 a 43 horas. A partida é esta tarde pelas 16 horas.
«O objectivo desta odisseia é bater o meu recorde (estabelecido em 2013). O segundo é tentar levá-lo até ao máximo», diz Francisco Lufinha ao SOL. «Esta é mais uma etapa que se vai juntar ao meu objectivo principal: percorrer todo o país pelo mar», adianta. Engenheiro de Gestão Industrial, Lufada (como é conhecido pelos amigos) decidiu deixar de parte o trabalho de secretária e dedicou-se ao seu desporto aquático de eleição. Em 2013, entrou para o livro do Guiness ao estabelecer o recorde mundial da maior viagem de kitesurf sem paragens. O kitesurfer ligou as cidades de Gaia e Lagos numa travessia ‘non-stop’ de 564 quilómetros e cerca de 29 horas,  o seu primeiro desafio do ‘Mini Kitesurf Odyssey’. No ano passado, Lufinha cumpriu um segundo desafio desta odisseia depois de ter ligado em 12 horas as Ilhas Selvagens, o território mais a sul de Portugal, ao Funchal. Para 2015, o desafio vai ser maior e mais intenso. A preparação para a aventura que hoje se inicia começou há cerca de um ano. Em Março último, Lufada realizou um exercício na Piscina Oceânica de Oeiras que contou com a presença de muitos apoiantes. O velejador esteve 36 horas sem parar em cima de uma prancha: «Fiz isto para perceber se me aguentava em cima de uma base instável como é a prancha. Testámos também a minha alimentação e o equipamento que vou utilizar. No final o resultado foi bastante positivo». Para além desta actividade na piscina, Lufinha mantém um plano de treino rigoroso que engloba corrida, natação e exercícios de fortalecimento muscular. «Normalmente treino quatro horas por dia. Mais do que isso é complexo para mim», sublinha. A alimentação também sofreu uma atenção especial da sua equipa. De acordo com Bárbara Cancela de Abreu, nutricionista que o acompanha, a dieta de Lufinha baseia-se apenas em gorduras, para evitar as idas à casa de banho. «A cada 45 minutos vou comer. Estão previstas 64 refeições para toda a viagem», antecipa o atleta ao SOL. A esta preparação física e psicológica acresce também um grande trabalho a nível logístico: «Este desafio requer que a nível logístico tudo seja pensado ao mais pequeno pormenor. Um dos exemplos é o barco de apoio. Dada a grande distância são raros os barcos que conjuguem as características necessárias para me acompanhar em termos de velocidade e de autonomia», refere Lufinha. Nesta embarcação vão seguir oito pessoas para apoiar o kitesurfer, entre elas a nutricionista Bárbara Cancela de Abreu e Nuno Gameiro, fisioterapeuta. Em terra estarão outras três pessoas. Estar tantas horas na água não o assusta. Para o kitesurfer a «maior ameaça» será a falta de vento, sem o qual a viagem não se pode realizar. «Sem vento não consigo atravessar, essa será a maior ameaça, mas o maior perigo é se, por acaso, perder-me do barco de apoio, se tiver alguma avaria, mas isso é o cenário menos provável», observa.
Confrontado com a possibilidade de representar Portugal nos Jogos Olímpicos   quando o Kitesurf for incluído nas modalidades olímpicas, Lufada remete a resposta para uma outra altura: «Não sei se vou participar. Depende de como estiver nessa altura. Para além disso, as distâncias numa competição olímpica são mais curtas. O que mais me atrai são as longas distâncias», esclarece o atleta de 31 anos, desde os 11 um assíduo dos desportos náuticos. Em 2005 sagrou-se campeão nacional de Kitesurf e em 2006 vice-campeão, alcançando neste mesmo ano o 5.º lugar numa regata do mundial PRKA (Circuito mundial de Kitesurf). Mas o que entusiasma Lufinha são os recordes e nos próximas dias vai tentar quebrar mais um. De Lisboa à Madeira à boleia de uma prancha de surf puxada por uma espécie de papagaio de praia. Ou pipa, como lhe chamam os praticantes... Haja vento” (fonte: Sol)

Marco Ferreira ao ataque: Vitor Pereira acusado de fazer "telefonemas estranhos"



O presidente da comissão de Arbitragem, Vítor Pereira, foi acusado por Marco Ferreira de fazer telefonemas estranhos em véspera de jogos importantes. O árbitro madeirense foi recentemente despromovido anunciou entretanto que deverá deixar a arbitragem.