quinta-feira, junho 10, 2010

Inaceitável

Considero inaceitável, intolerável mesmo, que os membros dos gabinetes, todos eles em funções porque foram nomeados para o efeito, não sejam abrangidos pelo esforço de redução do salário-base em 5%. Os membros dos gabinetes – chefes de gabinete, secretário(a)s, adjunto(a)s, motoristas, ou outros, são nomeados por políticos eleitos, pessoas que obviamente tem a liberdade de escolher os seus colaboradores mais directo(a)s. Quando os políticos, que procederam a essas nomeações e que foram eleitos pelo povo, são obrigados por lei a uma redução de 5% do seu salário, considero intolerável que a lei abra excepções. Respeito as opções de cada um, mas tenho que reconhecer que fica mal e é desonesto ter uma postura, no meu caso, diferente. Profissionalmente exerço um cargo e tenho uma função porque o Presidente da Assembleia Legislativa fez o favor de depositar a sua confiança na minha pessoa e se confiar no meu saber. Não me parece que seja admissível que o Presidente da Assembleia, que me nomeou, sofre um corte de 5% no salário e eu, que fui por ele nomeado, fique sentado de sofá a rir-me de tudo isto e a não ser obrigado também a uma extensão dessa decisão. Por isso resta-me a única atitude em coerência com o meu pensamento e maneira de estar e de ser: solicitar que os mesmos 5% me sejam retirados ao meu salário mensal. mesmo tendo a consciência de que esta medida é apenas uma cedência aio populismo, porque não vai resolver nada do que é preciso resolver, em termos de gastos na administração pública. Mesmo que ache caricato que sejam alguns jornalistas que auferem salários mensais da ordem dos 10 a 15 mil euros mensais, os primeiros, com aquela cagança e presunção idiota que por vezes os caracteriza, a reclamar a redução do salário dos políticos. Alguns deles (desses jornalistas) trabalhando em órgãos de comunicação social públicos, pagos também pelos contribuintes que eles insistentemente lembram ser os "pagadores" dos salários da função pública, políticos incluídos.

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