sexta-feira, abril 10, 2009

Vídeo mostra taliban paquistaneses a chicotearem adolescente

Num texto da jornalista do Publico, Sofia Lorena, ficamos a saber que “as imagens são claras: há uma rapariga, que se sabe ter 17 anos, e ela está deitada no chão, há três homens que a seguram e mantêm quieta, e um terceiro que a chicoteia. Os homens são taliban paquistaneses e o espancamento aconteceu há cerca de duas semanas na região de Swat, no noroeste do Paquistão. Chand – escreve o jornal “Daily Telegraph” que é esse o seu nome – foi considerada culpada por adultério e condenada a ser chicoteada. As ordens foram dadas por um comandante taliban de Matta, um bastião dos “estudantes de teologia” nos arredores da capital de Swat, Mingora. “Por favor! Basta! Basta!”, grita Chand num dialecto do pashtu, escreve o site da BBC. O pashtu é a língua das tribos que dominam esta região paquistanesa e que é também a etnia maioritária no Afeganistão. Chand tem uma burqa (túnica que cobre corpo e rosto) por cima de umas calças e no vídeo voltará a gritar: “Por favor, parem. Matem-me ou parem”, implora. “Estou arrependida, o meu pai tem vergonha do que eu fiz, a minha avó tem vergonha do que eu fiz.” Vêem-se pernas de muitos homens em redor, que assistem. O vídeo, de cerca de um minuto, continua. A certa altura o castigo pára e ela pode levantar-se. Há depois um homem – um dos que esteve a segurá-la – que a leva dali. Um dos homens entre a assistência, o que parece estar a coordenar o castigo, fica zangado. Segundo a BBC, ele não terá gostado que os outros a deixassem erguer-se entre os homens, algo que os taliban não aprovam. Ao que é possível apurar-se, as imagens, gravadas por um telemóvel, são posteriores ao acordo de paz alcançado entre o Governo de Islamabad e os líderes taliban de Swat. Um porta-voz taliban garante que, pelo contrário, Chand cumpriu a sua pena antes do acordo de paz com o Governo, escreve o correspondente do Paquistão do jornal britânico “The Telegraph”.
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Fique a saber ainda que o Presidente afegão foi acusado de legalizar violações. E leia ainda este texto do Publico, intitulado "Karzai ordena revisão da lei que viola os direitos das mulheres", da autoria da jornalista Isabel Gorjão Santos e esta notícia, ambos relacionados com este lamentável caso.

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