quarta-feira, julho 28, 2010
Wikileaks: Estados Unidos prendem suspeito
Foi detido o principal suspeito de ter fornecido mais de 91 mil documentos confidenciais ao site Wikileaks. Registos sobre a guerra do Afeganistão que estão a preocupar Barack Obama e que o fundador do site não está arrependido de ter divulgado.
Salgado (BES): um dos vencedores
Não há dúvida que o presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado - que há poucos dias defendeu uma decisão rápida no processo de venda da participação na Vivo à Telefónica, considerando que o arrastar da situação prejudica os accionistas da PT - foi um dos vencedores do processo hoje anunciado de venda da PT à Telefónica da participação daquela na operadora brasileira Vivo.
terça-feira, julho 27, 2010
Vamos discutir desemprego e pobreza (III)
"Depois de crescer 27,7% num ano, desemprego estável nos Açores (Junho 2010)
Açores e Algarve foram as regiões onde o número de desempregados inscritos nos centros de emprego mais subiu em Junho, em termos homólogos, apesar das descidas mensais observadas em todas as regiões do país. Segundo dados divulgados ontem pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), os Açores tinham mais 27,7 por cento, somando 5.702 desempregados inscritos enquanto o Algarve tinha mais 28,3 por cento de inscritos, totalizando os 22.484 desempregados. Em relação ao mês anterior, assistiu-se à “diminuição generalizada do desemprego”, com destaque mais significativo na região do Algarve (-7,9 por cento). No caso dos Açores, (5.702 inscritos no desemprego) há uma redução de dois inscritos no desemprego em relação a Maio, segundo revelam as estatísticas. De acordo com o IEFP, em termos regionais, destaque para o aumento anual do desemprego verificado no Centro (mais 35,5 por cento), no Norte (mais 34,3 por cento) e nos Açores (mais 32,7 por cento). Em contrapartida, na Madeira e no Algarve, ocorreu um decréscimo, 21,2 e 19,8 por cento, respectivamente O número de colocados (6.261 no total), relativamente ao mês homólogo do ano passado, por sua vez, aumentou 13,2 por cento, sendo que a Madeira foi a região com maior variação ascendente (75,6 por cento). Comparativamente a Maio, efectuaram-se menos 14,7 por cento colocações, tendência que foi acompanhada por todas as regiões, em especial os Açores (com menos 39,6 por cento)". (fonte: Correio dos Açores)
Vamos discutir desemprego e pobreza (II)
"156.936 famílias recebem RSI. 21.100 pessoas são açorianas
As medidas de formação, educação ou aproximação ao mercado de trabalho ocorrerão num prazo máximo de seis meses após a subscrição do programa de inserção, mantendo-se a imposição de que todos os menores em idade escolar frequentem o sistema de ensino.De acordo com os dados da Segurança Social, a nível nacional, no final de Junho existiam 395.341 beneficiários com processamento de RSI, correspondentes a 156.936 famílias. Segundo números divulgados pela directora regional de Solidariedade e Segurança Social, no final do passado mês de Abril, cerca de 9 por cento dos açorianos (21.100 pessoas) auferem actualmente o RSI, embora 39 por cento desses beneficiários aufiram outros rendimentos (pensões, vencimentos e subsídios). Em Outubro do ano passado eram cerca de 19 mil os beneficiários na Região, o que demonstra um crescimento de dois por cento para os valores deste ano.Ao longo de 2009, o RSI nos Açores representou um montante de 14 milhões de euros, com uma média por beneficiário de 76,5 euros (então a mais baixa do país), em que cada família açoriana recebeu, em média, 258 euros por mês. No país, o RSI representou até Outubro de 2009, 35,6 milhões de euros e os Açores captaram 3,94% dessa verba. Neste mesmo mês do ano passado 7,94% da população açoriana recebia o RSI. Hoje são já 9%.No continente o valor médio desta prestação social era de 95,53 euros por beneficiário e 248,31 euros por família. Segundo o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), as verbas disponíveis para o Rendimento Social de Inserção vão progressivamente reduzir-se para os 400 milhões de euros em 2011 e 370 milhões de euros em 2012 e 2013.Criado no primeiro Governo de António Guterres (na altura chamava-se Rendimento Mínimo Garantido), o RSI é uma prestação que procura apoiar as famílias mais carenciadas e promover o seu regresso ao mercado de trabalho" (pela jornalista do Correio dos Açores, Ana Coelho)
Vamos discutir desemprego e pobreza (I)
Como vamos ter esta semana, quinta-feira, um debate na Assembleia Legislativa da Madeira dedicado ao desemprego, deixo-vos uma série de quadros, por mim elaborados apenas em função dos dados oficiais do Instituto de Emprego e Formação Profissional, na certeza de que uma coisa são os indicadores estatísticos e que outra coisa são as balelas dos discursos da treta. Além de que a verdade é a verdade e a realidade é a realidade, incontornavelmente.
Açores: aumentam os beneficiários do RSI...
Li no Correio dos Açores um texto da jornalista Ana Coelho, segundo o qual, "números divulgados pela directora regional de Solidariedade e Segurança Social, em Abril, cerca de 9% dos açorianos (21.100 pessoas) auferiam o RSI, embora 39 por cento desses beneficiários tivessem outros rendimentos. Em Outubro de 2009 eram cerca de 19 mil os beneficiários na Região, o que demonstra um crescimento de dois por cento para os valores deste ano. A Segurança Social vai cancelar o apoio aos beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), entre os 18 e os 55 anos, que recusem emprego conveniente, trabalho socialmente necessário ou propostas de formação. A medida, inserida na nova lei de condição de recursos, entra em vigor já no primeiro dia do mês de Agosto e estende-se aos Açores, como confirmou o nosso jornal junto da Secretaria Regional do Trabalho e da Solidariedade Social. Assim, após a cessação da prestação por motivo de recusa de emprego conveniente, trabalho socialmente necessário, formação ou outras medidas activas de emprego, o beneficiário do RSI ficará inibido de aceder a esta prestação durante um período de 24 meses. O diploma terá também impacto directo nas regras de atribuição do RSI, já que todos os beneficiários desta prestação entre os 18 e os 55 anos não estando no mercado de trabalho mas tenham capacidade para trabalhar serão abrangidos por medidas de reconhecimento e de validação de competências. As medidas de formação, educação ou aproximação ao mercado de trabalho ocorrerão num prazo máximo de seis meses após a subscrição do programa de inserção, mantendo-se a imposição de que todos os menores em idade escolar frequentem o sistema de ensino. De acordo com os dados da Segurança Social, no final de Junho existiam 395.341 beneficiários com processamento de RSI, correspondentes a 156.936 famílias. O valor médio desta prestação social era de 95,53 euros por beneficiário e 248,31 euros por família. Segundo o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), as verbas disponíveis para o Rendimento Social de Inserção vão progressivamente reduzir-se para os 400 milhões de euros em 2011 e 370 milhões de euros em 2012 e 2013. 156.936 famílias recebem RSI. 21.100 pessoas são açorianas As medidas de formação, educação ou aproximação ao mercado de trabalho ocorrerão num prazo máximo de seis meses após a subscrição do programa de inserção, mantendo-se a imposição de que todos os menores em idade escolar frequentem o sistema de ensino.De acordo com os dados da Segurança Social, a nível nacional, no final de Junho existiam 395.341 beneficiários com processamento de RSI, correspondentes a 156.936 famílias. Segundo números divulgados pela directora regional de Solidariedade e Segurança Social, no final do passado mês de Abril, cerca de 9 por cento dos açorianos (21.100 pessoas) auferem actualmente o RSI, embora 39 por cento desses beneficiários aufiram outros rendimentos (pensões, vencimentos e subsídios). Em Outubro do ano passado eram cerca de 19 mil os beneficiários na Região, o que demonstra um crescimento de dois por cento para os valores deste ano.Ao longo de 2009, o RSI nos Açores representou um montante de 14 milhões de euros, com uma média por beneficiário de 76,5 euros (então a mais baixa do país), em que cada família açoriana recebeu, em média, 258 euros por mês. No país, o RSI representou até Outubro de 2009, 35,6 milhões de euros e os Açores captaram 3,94% dessa verba. Neste mesmo mês do ano passado 7,94% da população açoriana recebia o RSI. Hoje são já 9%.No continente o valor médio desta prestação social era de 95,53 euros por beneficiário e 248,31 euros por família. Segundo o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), as verbas disponíveis para o Rendimento Social de Inserção vão progressivamente reduzir-se para os 400 milhões de euros em 2011 e 370 milhões de euros em 2012 e 2013.Criado no primeiro Governo de António Guterres (na altura chamava-se Rendimento Mínimo Garantido), o RSI é uma prestação que procura apoiar as famílias mais carenciadas e promover o seu regresso ao mercado de trabalho".
O "mexilhão lixa-se sempre"...
Não é o povo que diz que "quem se lixa é sempre o mexilhão?" Segundo o Correio da Manha, "os sócios da promotora do Freeport em Portugal, Charles Smith e Manuel Pedro, serão os dois únicos acusados pelo Ministério Público. O despacho da procuradora Cândida Almeida só é revelado hoje, mas ontem a SIC avançou que dos sete arguidos, só aqueles dois serão julgados pelos crimes de corrupção, tráfico de influências e fraude fiscal"
Contrastes...
"(...) Jacinto Serrão, Presidente do PS/M, veio esta semana apoiar a decisão do Governo Regional de obrigar as escolas da Madeira a manterem os crucifixos. Será que Serrão não sabe que esta medida fere a Constituição da República Portuguesa que define que o Estado é laico e que o próprio Tribunal Europeu tem decidido que a escolas não devem ostentar símbolos religiosos? Cada um deve ser livre de usar crucifixos, véus islâmicos ou a Estrela de David judaica no seu corpo ou nas suas vestes, dentro ou fora do espaço escolar. Mas símbolos religiosos nas paredes da Escola Pública de um estado laico, não devem ser permitidos. Ou será que, qualquer dia, Jacinto Serrão concordará com a foto do Presidente do Governo ao lado do Crucifixo, como nos tempos de Salazar?(...) - Roberto Almada hoje no DN do Funchal.
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"Estava no Santuário de Fátima e não ouvi nada" - José Manuel Rodrigues (CDS)."Daquilo que li e depois das reportagens que vi, só posso dizer que foram os discursos das vuvuzelas, com muito barulho e nada de novo", José Manuel Rodrigues hoje no DN do Funchal.
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Insisto: quem é que anda nervoso ao ponto de me parecer que está a perder toda a racionalidade? As eleições são só em Outubro de 2011 e os resultados do PND no Funchal, nas eleições autárquicas, conjugados com os do PCP, não significam que se venham a repetir e que por causa disso certos partidos estejam antecipadamente fora do parlamento regional. O meu conselho é que haja calma e o bom senso de criticar sem ofender. Quanto a JMR, e sem colocar em causa a sua ida a Fátima - por sinal vou lá várias vezes ao ano é é um dos locais onde me sinto bem, confesso - sempre gostava de saber se ele foi pedir para que não haja eleições antecipadas. É que havendo, sempre queria constatar se o CDS/PP manteria o seu deputado. Quem tem a resposta a isto é apenas o eleitorado em primeira instância, como é evidente, e o PS...
A desonestidade socialista
Segundo o DN de Lisboa, num texto do jornalista Rui Pedro Antunes, "José Junqueiro critica "coligações negativas" em mensagem a autarcas. Direita pede explicações a Silva Pereira. A oposição acusa o Governo de utilizar meios estatais com fins partidários. Na sequência de o secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, ter enviado mensagens escritas aos autarcas do País a criticar a actuação da oposição em "coligações negativas" no Parlamento, o PSD exige "uma intervenção do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira".O porta-voz do partido, Miguel Relvas, classifica esta acção de "ilegal e moralmente reprovável" e sugere mesmo que, "se o Ministério Público investigar o caso, o secretário de Estado tem que, no mínimo, repor do seu bolso o dinheiro que estas mensagens custaram aos cofres públicos". Também o CDS-PP, através do coordenador autárquico, Hélder Amaral, disse ao DN que este episódio é mais uma prova de que este é "um Governo faz de conta", classificando de "inaceitável o facto de o Governo fazer campanha política com meios do Estado". Hélder Amaral diz ainda que estas atitudes já são "usuais" em José Junqueiro, que "muitas vezes não consegue fazer a distinção entre ser governante e dirigente do PS" (ao caso, líder do PS/Viseu). O CDS não quer deixar passar incólumes as mensagens escritas e revela que está "à espera da reabertura do Parlamento para questionar o Governo sobre este assunto".O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, também criticou a acção, dizendo que o Executivo "só pode usar serviços para comunicações do Governo e não para criticar outros partidos". Já o secretário de Estado disse ao DN que considera o envio das mensagens legítimo, uma vez que se "referem a ambições dos autarcas, no âmbito, por exemplo, das inspecções automóveis". Para José Junqueiro, as mensagens "não têm rigorosamente nada de partidário" e são "transparentes". José Junqueiro considera assim que tem o direito de informar os presidentes de câmara sobre "assuntos que têm directamente a ver com a vida da autarquia". Este serviço de mensagens chama-se "infoSEAL" (as siglas da secretaria de Estado) e através do mesmo José Junqueiro já enviou onze mensagens aos autarcas. No entanto, deste rol de "SMS", existem três (de 12, 14 e 20 deste mês) que motivaram os protestos da oposição. Nestas mensagens, Junqueiro recorda aos autarcas que, "contra o Governo e a ANMP", a oposição chumbou a liberalização dos centros de inspecção automóvel "favorecendo interesses económicos instalados", bem como a nova lei sobre certificações de gás".Governo antecipa "funeral" da TAP?
Segundo o Filipe Paiva Cardoso do Jornal I, “é o governo que o diz. Numa carta datada de 20 de Julho, o ministério das Obras Públicas explica a urgência em privatizar a transportadora aérea TAP não com o défice, até porque não faz ideia de quanto irá encaixar com a venda, mas com a "necessidade urgente" de recapitalizar a empresa antes que surja uma nova crise - seja na procura, como em 2009, ou no preço do petróleo, como em 2008. Se a TAP voltar a passar por qualquer uma dessas situações não sobreviverá, considera o governo. E, segundo as Obras Públicas, nem o doloroso caminho de "melhoria dos resultados operacionais" que tem sido seguido a salva: "Este é o caminho que tem sido seguido pela TAP. Mostrando--se, contudo, ainda insuficiente, deverão ser consideradas todas as alternativas", revela o gabinete do ministro. "A recapitalização do grupo TAP é uma necessidade urgente e sem ela a empresa encontra-se numa situação fragilizada, correndo riscos de, em face de uma nova crise de mercado ou de aumento dos preços dos combustíveis, a empresa ser arrastada para uma situação de ruptura financeira e de impossibilidade de, por si só, solver compromissos", lê-se na carta enviada pelo gabinete do ministro António Mendonça em resposta a questões colocadas pelo Bloco de Esquerda a propósito da privatização da transportadora aérea. O governo constituiu em 2009 uma comissão para a reestruturação financeira da TAP, logo após terem sido conhecidos os 285 milhões de euros de prejuízos da empresa e a sua situação de falência técnica: no final do ano passado, os capitais próprios negativos chegavam a 200 milhões. Porém, e apesar de a comissão já ter entregado ao governo o seu plano para a TAP - como o i noticiou em Março -, nas respostas dadas ao deputado do Bloco de Esquerda, as Obras Públicas salientam que nos trabalhos "desta comissão têm vindo a ser desenvolvidos estudos sobre a matéria em apreço [privatização]" e que as recomendações do Comité de Reestruturação ainda não serviram para tomar qualquer decisão.Encaixe e empregos
Sobre o impacto de venda da TAP no abate do défice, o governo salienta que, sem decisão sobre o que será vendido a privados, ainda não consegue prever um encaixe. "Uma vez que, como se refere, não há ainda uma decisão final sobre o modelo a adoptar sobre a questão da privatização da TAP, não é ainda conhecido o impacto esperado do ponto de vista da evolução do défice", lê-se na carta do ministério das Obras Públicas. Contudo, sobre se o Estado vai garantir "os postos de trabalho associados às empresas a alienar", acabam-se as incertezas. Mesmo com a própria TAP a admitir que precisa de reduzir a mão-de-obra, o governo assegura que "garantirá os direitos dos trabalhadores" e que, "independentemente de quem seja o dono das acções" da TAP, "há condições para a empresa continuar a oferecer excelentes oportunidades de trabalho".
Outros argumentos s.f.f.
Li domingo no DN do Funchal uma notícia - que vale rigorosamente zero em termos de consequência para os visados, e é bom que tenhamos todo essa consciência - sobre viagens e executivas. Não tenho por hábito pronunciar-me sobre estas matérias, mas o que recomendo, e sinceramente o faço, é que não se volte a usar este argumento porque ridiculariza os autores e, pior do que isso, a função: (...) "Não está em causa qualquer preconceito ou, sequer, questão de dignidade da função parlamentar", mas o facto de o tempo de viagem ser usado por madeirenses e açorianos "para trabalhar em dossiers e assuntos parlamentares, que têm sob a sua responsabilidade". Segundo os deputados a classe económica não tem condições para que tal aconteça". Dispensável, no mínimo.
O jornalista que irritava presidentes
Do jornal Publico, e da autoria do jornalista Joana Amaral Cardoso, ciom a devida vénia transcrevo o seguinte texto: "Inimigo na lista de Richard Nixon, primeiro a entrevistar Khruschov para a televisão, membro da geração dourada de Edward Murrow e companheiro de cantoria de Frank Zappa. Daniel Schorr era uma das figuras mais conhecidas e polémicas do jornalismo americano. Daniel Schorr era um jornalista de outra época, um homem de tempos mais polidos em que um repórter era confrontado com o seu próprio nome quando lia a lista dos inimigos do Presidente Nixon em directo na televisão e mantinha a compostura. O jornalista trabalhou nos últimos anos - morreu sexta-feira em Washington, aos 93 anos - na NPR, a rádio pública dos EUA, onde os colegas o lembram como um profissional incansável, mas também como um homem que dactilografava bilhetes para os colegas e que foi convidado por Frank Zappa a cantar com ele numa iniciativa de apelo ao voto. E cantaram duas músicas de George Gershwin. Os tempos na NPR foram a sua segunda vida jornalística - terminou uma carreira de 60 anos como comentador noticioso. Começou em 1948 como colaborador do New York Times (onde não ficou, no início da década de 1950, porque o direcção do diário decidira não contratar mais jornalistas judeus)e do Christian Science Monitor. Em 1953 estava já na CBS a forjar o primeiro marco da sua longa carreira - era um dos "Murrow"s Boys", um dos membros da equipa do famoso jornalista televisivo americano Edward R. Murrow. Foi aí que nasceram as histórias que fariam a estória de Daniel Schorr: convencia, em 1957, Nikita Khruschov a dar a sua primeira entrevista televisiva; fazia uma cobertura do escândalo Watergate que lhe deu três Emmys; irritava os presidentes Nixon, Eisenhower e KennedyElectricidade em directo
Em 1976 demitia-se da CBS depois de se ter recusado a revelar a fonte que lhe entregara um relatório sobre actividades ilegais da CIA, que noticiou mas que a CBS se recusou a publicar e que ele entregou ao jornal Village Voice - o que fez com que fosse suspenso na estação. Schorr ainda tentou ser professor universitário, sem sucesso, mas a televisão não o deixava - voltou, mas nos ecrãs da CNN. Seis anos depois, zangava-se também com a CNN e com Ted Turner. "Pode ser que seja apenas difícil lidar comigo, mas sempre me pareceu que havia algumas questões de princípio envolvidas", comentava sobre as suas desavenças com os patrões nas suas memórias, Staying Tuned. Na rádio, estava feliz. "Aqui, nunca me disseram o que não podia fazer", explicava ao USA Today em 2006. O seu momento mais tenso foi mesmo vivido em directo. Richard Nixon, Presidente entre 1969 e 1974, tinha uma agora famosa lista de inimigos. Um ano antes da sua saída, coube a Daniel Schorr revelá-la em directo na CBS, lendo os primeiros 20 nomes do rol. O 17.º nome era o seu. "Consegui não me engasgar. Comecei a suar imenso. Foi o momento mais electrizante da minha carreira." Mas o mais relevante foi mesmo aquele que ditou a saída da CBS e a sua audição no Senado dos EUA, onde se recusou a revelar as suas fontes. Não era, ainda assim, consensual. Em 1977, lembra o Washington Post, foi classificado pelo também histórico jornalista Bob Woodward (que, com Carl Bernstein, noticiou o caso Watergate) como "um dos melhores jornalistas televisivos e um dos repórteres mais duros do sector". No mesmo ano, numa crítica ao seu livro Clearing the Air, Woodward lamentava que o jornalista "arrogante" "embelezasse" os seus feitos.
Um "furo" aos 12 anos
Mas a nostalgia perante a sua morte é evidente. Na NPR, Schorr conseguia "dar continuidade a essa credibilidade jornalística que tanto falta hoje ao jornalismo televisivo e de rádio", diz Michael Harrison, da revista sobre rádio Talkers. Para o editor da revista Inside Radio, Tom Taylor, citado pelo USA Today, com a morte de Schorr perdeu-se "o elo vivo à maior geração de jornalistas de rádio e de TV" encabeçada por Murrow, o homem que dirigiu uma série de reportagens que questionavam a conduta do senador da "Caça às Bruxas", Joseph McCarthy. "A sua carreira lembra-nos o tempo em que a fronteira entre notícias e entretenimento era clara", remata Michael Harrison. Schorr morreu no Hospital da Universidade de Georgetown, em Washington, sem que se saibam as causas da sua morte. O jornalista nasceu em Nova Iorque, filho de imigrantes judeus russos e o seu primeiro "furo" foi precoce - aos 12 anos, dava informações ao jornal local sobre um corpo encontrado no seu prédio. Ganhou cinco dólares. Casou aos 50 anos e teve dois filhos. Só em Dezembro do ano passado, anunciou no Twitter, trocou a máquina de escrever por um computador"
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