Cada português deve, em média, 11 235 euros aos bancos, com o crédito à habitação a representar mais de 80% desse valor. O volume dos empréstimos para a compra de casa é sete vezes superior ao crédito ao consumo, de acordo com um estudo do portal comparajá.pt. O nível de endividamento ‘per capita’ de Portugal é um dos mais elevados entre os países da Zona Euro. Os portugueses deviam, em junho último, cerca de 119 mil milhões de euros à Banca, ocupando desta forma o nono lugar no ranking dos países da Zona Euro mais endividados. O crédito à habitação representa 82% do total das dívidas 9161 euros ‘per capita’ - um valor acima da média europeia, que se fixa nos 75%. O crédito ao consumo, por seu turno, representa 11% do total, sendo o restante absorvido por "outros créditos". Em termos de empréstimos ao consumo, os portugueses estão ligeiramente abaixo da média europeia (que se fixa nos 12%). Face à riqueza nacional (Produto Interno Bruto) e considerando a dimensão da população, os portugueses estão entre os mais endividados, diz o estudo (Correio da Manhã, pela jornalista Raquel Oliveira)
terça-feira, setembro 20, 2016
Portugueses pagam 84 mil milhões de dívida pública
O Estado tem de pagar, entre este mês de setembro e o final de 2021, cerca de 84 mil milhões de euros de dívida pública. No prazo de cinco anos exige-se que Portugal amortize 34% do endividamento total, que chega aos 236 mil milhões de euros. Excluindo os 10,2 mil milhões de euros de dívida que tem que ser paga até ao final de 2016, o Estado terá de amortizar, entre 2017 e 2021, uma média de 14,76 mil milhões de euros por ano. Numa altura em que a economia portuguesa regista um forte abrandamento e os investidores exigem taxas de juros cada vez mais altas para emprestar dinheiro a Portugal, o brutal montante de dívida pública que tem de ser amortizado até 2021 evidencia bem a fragilidade financeira do País. As elevadas necessidades de financiamento do Estado vão manter Portugal, nos próximos anos, sob uma forte pressão dos mercados financeiros, em particular se a economia não crescer acima de 1,5% ao ano. Dos 84 mil milhões de euros de dívida pública que tem de ser paga, 68,4 mil milhões dizem respeito a Bilhetes e Obrigações do Tesouro emitidos pelo Estado nos últimos anos, e 15,6 mil milhões de euros são relativos a uma parte do empréstimo do FMI aquando do resgate. A estas amortizações, irão acrescer ainda os encargos com os juros da dívida pública: para se ter uma noção da dimensão desta despesa, os juros custaram ao Estado, desde 2012, mais de 7,4 mil milhões por ano. Tendo em conta esta realidade e o elevado montante da dívida, a despesa com juros irá manter-se elevada até 2021. O Conselho das Finanças Públicas deixa claro, no relatório divulgado esta semana, que na sua projeção sobre a evolução da dívida pública, face à prevista no Programa de Estabilidade, "constata-se um ritmo de redução [da dívida] menos vincado no rácio da dívida [face ao PIB]". A entidade liderada por Teodora Cardoso explica esta situação com uma menor acumulação de excedentes primários e um crescimento económico menos favorável (Correio da Manhã, pelo jornalista António Sérgio Azenha)
Você é classe média? Ganha mais ou menos que a maioria?
A propósito do eventual aumento de impostos para quem dispõe de património imobiliário superior a 500 mil euros, voltou a discutir-se em Portugal a classe média. Mas, afinal, o que é isso de classe média? Quanto ganha? Que impostos paga? E você, ganha mais ou menos que a maioria dos portugueses? Recuperamos a análise do 2:59, o programa de jornalismo de dados do Expresso, que se dedicou ao tema (Expresso)
Portugal Desigual (2)
Sente-se no bolso e no dia-a-dia: o programa de ajustamento obrigou os portugueses a apertarem o cinto e as consequências começam a ser conhecidas. A Fundação Francisco Manuel dos Santos cruzou dados estatísticos e disponibiliza, a partir de hoje, aquele que é o mais completo estudo sobre as implicações da presença da troika no nosso país. A SIC associou-se ao projecto e hoje mostra-lhe de que forma é que a crise foi sentida em Portugal e num dos países mais desenvolvidos da Europa (Ver aqui a reportagem da SIC-Notícias)
segunda-feira, setembro 19, 2016
O "caso" do novo Hospital do Funchal: PSD acusa PS de recorrer a falsas questões para não inscrever verbas no OE-2017
A propósito das notícias vindas a público sobre o novo hospital, o PSD/Madeira afirma o seguinte:
1- A construção do novo hospital foi assumida pelo novo Governo Regional como uma prioridade. Esta prioridade reuniu o consenso de todas as bancadas parlamentares representadas na Assembleia Legislativa da Madeira.
2- Foram iniciadas as diligências necessárias para a concretização desse projeto, designadamente através da constituição de um Grupo de Trabalho para o acompanhamento do processo de revisão do Programa Funcional do novo Hospital.
3- O Governo Regional entregou a candidatura do novo hospital a projeto de interesse nacional a 30 de Junho, conforme acordado com o primeiro-ministro António Costa.
Portugal Desigual (1)
De forma mais ou menos intensa, todos os portugueses sentiram, e sentem ainda, as consequências do programa de ajustamento a que o país esteve sujeito. Mas quem sofreu mais com este "apertar do cinto"? Os mais pobres foram, de facto, mais poupados a sacrifícios? E a classe média, como é que pagou a crise Esta e outras perguntas encontram respostas no mais completo estudo realizado em Portugal pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, em parceria com a SIC e o EXPRESSO. Eis o retrato deste "Portugal Desigual"(Veja a reportagem da SIC-Notícias, aqui)
domingo, setembro 18, 2016
Hospital do Funchal encostado às boxes: GRM conheceu os primeiros sinais de recusa em Agosto
O Governo Regional da Madeira tomou conhecimento a meados de Agosto de que o processo de construção do novo Hospital do Funchal podia ser mais uma vez encostado. A informação manteve-se contudo reservada, na expectativa de uma alteração da decisão. O que nunca aconteceu
De facto, a primeira vez aconteceu uma decisão semelhante com o governo de Sócrates que não considerou o Hospital do Funchal infraestrututura de interesse nacional, pelo que o financiamento comunitário ficou imediatamente inviabilizado.
Associada a esta posição esteve também a dimensão do projecto e os custos que o mesmo revelou numa primeira proposta.
Em 2009 aconteceu recusa semelhante...
A 16 de Setembro de 2009 foi enviado um ofício à então Ministra da Saúde, assinado por Francisco Ramos, anterior secretário regional. Nesse ofício era pedido que a construção do novo Hospital do Funchal fosse considerada "obra de interesse comum".
Opinião: avião cargueiro ou mais uma proposta da Madeira que bateu de frente até ver...
O tratamento dado pelo governo de Lisboa ao transporte aéreo para os Açores deve-se, ou a um processo conduzido de forma mais célere e competente por parte das autoridades açorianas, ou, hipótese mais plausível, à proximidade de eleições regionais, a 16 de Outubro deste ano, nas quais o PS aposta tudo por tudo, ao ponto de socorrer-se de tudo para garantir a continuidade da maioria absoluta socialista. Aliás se isso acontecer, se essa maioria absoluta continuar, penso que o PSD dos Açores vai implodir. Não há outra explicação.
Vamos a factos.
Durante a campanha eleitoral na Madeira falou-se no assunto. Uma questão que dependia essencialmente da iniciativa privada - aliás como outras - que indevidamente passaram a bandeiras eleitorais e que depois se revelaram, como se constata, um fracasso.
Depois foi encenado um acordo na Quinta Vigia formalizando a entrada em actividade desse avião de transporte de mercadorias entre a RAM e o Continente. Seguiram-se adiamentos, uns atrás de outros, até que o processo bateu no fundo. Já se tinha percebido isso. Os mentores reconheceram ao menos que contavam com a comparticipação financeira do GRM - aliás o mesmo se passa com os donos do Armas...- para que a proposta de viabilizasse. Caso contrário não seria possível dado o acumular de avultados prejuízos mensais que colocavam em risco qualquer empresa.
Albuquerque: Madeira não aplicará novo imposto sobre imóveis
Miguel Albuquerque garante que não vai "subir os impostos sobre os prédios e os imóveis na Madeira", independentemente do que decidir o executivo do continente. O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, afirmou hoje que não será aplicado qualquer imposto sobre os prédios e os imóveis na região autónoma, independentemente da decisão que seja tomada a nível nacional. "Quero deixar claro que, independentemente dos jogos de palavras e da retórica que seja introduzida relativamente ao aumento fiscal que potencialmente vai ocorrer na República, nós aqui na Madeira, relativamente ao imobiliário, não vamos acompanhar", disse Miguel Albuquerque. O presidente do Governo Regional, que fez estas declarações num discurso na Festa do Pêro, na freguesia da Ponta do Pargo, concelho da Calheta, na zona oeste da Madeira, estabelece assim a posição do executivo face à proposta em discussão entre a maioria de esquerda que apoia o Governo para um novo imposto sobre o imobiliário, que será progressivo e aplicado em paralelo com o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) a proprietários com património avaliado acima dos 500 mil euros.
Alberto João Jardim: da política para o cinema
O ex-presidente madeirense estreia-se no cinema, no papel de um pastor visionário, que, na primeira metade do século passado, prevê um futuro próspero para o arquipélago. Um pastor visionário. A personagem, admite o realizador Luís Miguel Jardim, foi desenhada com régua e esquadro para Alberto João Jardim. O histórico político social-democrata de 73 anos, presidente do Governo Regional da Madeira durante quase quatro décadas, integra o elenco do filme ‘O Feiticeiro da Calheta’, que está actualmente a ser rodado no arquipélago. Jardim está afastado da política, mas não dos holofotes. Apesar de não ser o protagonista da história, Alberto João Jardim é uma das atracções da película, que estreia no início do próximo ano e retrata a vida de João Gomes de Sousa, autodidata e poeta popular madeirense, homem alto, magro e de bigode, nascido em 1895 e falecido em 1974, defensor do Estado Novo. O cenário é a Madeira rural dos anos 30 e 40 do século passado, e a figura central do filme é precisamente João Gomes de Sousa, que apesar de ter pouco dinheiro e estudos, esteve na génese do tradicional ‘Bailinho da Madeira’, posteriormente imortalizado pelo fadista Max. A participação de Jardim no filme é curta, mas, como conta ao PÚBLICO o realizador, pretende ser “simbólica”. O ex-presidente madeirense veste a roupa de um pastor, que a um dado momento se cruza com a filha do protagonista. “É a uma miúda que lamenta as dificuldades da Madeira de então, onde, costumava dizer-se, faltava tudo, menos a fome.”
Alberto João Jardim: Os silêncios do homem a quem não faltavam palavras
Afastado da política activa desde Abril do ano passado, quando abandonou a liderança do governo madeirense após 38 anos, Alberto João Jardim tem andado distante da vida pública. Com excepção de uma ou outra pontual entrevista, o antigo presidente madeirense, que nas últimas quatro décadas povoava diariamente a imprensa local, tem cultivado um silêncio (auto-imposto) só entrecortado, aqui e ali, por alguma publicação na sua página do Facebook, quase sempre crítica para com a actual governação regional e contra o status quo do partido liderado por Passos Coelho. Aos 73 anos, feitos em Fevereiro, e gorada que foi a tentativa de reunir apoios para uma candidatura a Belém, Jardim refugiou-se na Fundação do PSD-Madeira, que fundou para reunir o vasto património, sobretudo imobiliário, que o partido foi acumulando no arquipélago.
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