Segundo o El Mundo,"el proceso continúa,
ayer no se acabó nada". El portavoz del Govern, Francesc Homs, ha resumido
con estas palabras la "determinación" del Ejecutivo catalán de seguir
adelante con su desafío soberanista al Estado tras el veto del Tribunal Constitucional
(TC) a la consulta. El Govern aprobó ayer un genérico acuerdo por el que se
compromete a "promover las iniciativas legales, políticas e
institucionales orientadas a garantizar el proceso para que la ciudadanía de
Cataluña pueda ejercer el derecho a decidir el futuro político de Cataluña,
atendiendo a los principios de legitimidad dcemocrática, pluralismo y
legalidad". Homs no ha sido capaz de precisar cómo se concretará ese
acuerdo y sólo ha avanzado que el Govern solicitará hoy mismo al Tribunal
Constitucional (TC) el levantamiento de la suspensión cautelar que ya pesa
sobre la Ley de Consultas, y que anulará la campaña de publicidad institucional
del referéndum para "proteger" y "garantizar la seguridad
jurídica" de los funcionarios de los medios públicos catalanes. El
portavoz del Govern ha rechazado que la retirada de la campaña institucional
sobre la consulta sea un "paso atrás", y se ha escudado en que el
Ejecutivo catalán no podía "poner contra las cuerdas" a los
funcionarios encargados de garantizar la difusión de la publicidad sobre el
9-N. La página web de dicha campaña [http://www.9nconsulta2014.cat/],
sin embargo, seguía plenamente activa minutos después de las 14.00 horas. El
portavoz del Govern ha confiado en que el TC sea tan "supersónico"
para estudiar el recurso del Govern y pronunciarse al respecto como lo fue para
suspender la Ley de Consultas. El también consejero de Presidencia trabaja con
la perspectiva de que el Alto Tribunal tome una decisión antes del 9 de
noviembre para que la consulta de autodeterminación pueda celebrarse. "Queremos
pensar que mantendrá su sentido de urgencia, porque si no querría decir que el
TC está a favor de una de las partes", ha dicho Homs. El portavoz del
Ejecutivo catalán ha subrayado su convicción de que la Ley de Consultas se
ajusta a la Constitución y que ello permitirá a los catalanes votar su futuro
político en la fecha prevista. El consejero de Presidencia ha avisado al
Gobierno de que "la partida no se ha acabado aunque algunos tengan la
tentación de pensarlo". Homs ha asegurado que Mas mantendrá en los
próximos días reuniones con los líderes políticos catalanes partidarios de la
consulta para consensuar la estrategia a seguir y descartado que esté sobre la
mesa la convocatoria de elecciones anticipadas”
quarta-feira, outubro 01, 2014
Uma nova crise económica global ao virar da esquina?
Escreve o Observador: “Desalavancagem? Qual desalavancagem?” é título
do último “Relatório de Genebra”, um documento publicado esta segunda-feira que
vem alertar para o risco de uma nova crise económica global. O baixo
crescimento mundial e a incapacidade dos Estados e das empresas reduzirem os
níveis de dívida, ou seja, promover a desalavancagem, criam uma “mistura
venenosa” que pode perturbar gravemente a economia global. Para que esta
“mistura venenosa” não resulte numa nova crise económica global, os principais
bancos centrais mundiais têm de manter as taxas de juro baixas por “muito,
muito tempo”. Perante expetativas de um crescimento relativamente baixo nos
próximos anos, só com taxas de juro baixas será possível reduzir os níveis de
dívida, que continuam em recorde em várias partes do mundo apesar das políticas
de consolidação orçamental. O “Relatório de Genebra” é elaborado por um
conjunto de economistas de relevo, incluindo antigos líderes de bancos
centrais. É encomendado pelo International Centre for Monetary and Banking
Studies e surge num momento em que se acredita que a Reserva Federal dos EUA se
prepara para fazer a primeira subida de taxas de juro desde a crise financeira
de 2008. Quanto a isso, o relatório pede “cautela”.
“Periferia” da Zona Euro “extremamente vulnerável”
“O legado da crise ainda é um problema enorme para várias economias
desenvolvidas – especialmente na periferia da Zona Euro – que continuam numa
situação extremamente vulnerável”, pode ler-se no documento assinado por
economistas de renome como Luigi Buttiglione, Philip Lane, Lucrezia Reichlin e
Vincent Reinhart. Os economistas detetam um “círculo vicioso de endividamento e
tentativas políticas de promover a desalavancagem e, por outro lado, um
crescimento económico nominal mais lento”. O que cria condições para que possa
ocorrer “uma de duas situações: um processo de desalavancagem lento e doloroso
ou uma nova crise, desta vez possivelmente com origem nas economias emergentes
(com a China a representar o risco mais grave)”. Segundo os cálculos da equipa
de economistas, o montante total em dívida pública e privada (quando expurgada
a dívida das empresas do setor financeiro) ascende a 212% do Produto Interno
Bruto (PIB) global. Era 160% em 2001. E a crise financeira global iniciada em
2008 levou este rácio a aumentar em 38 pontos percentuais, um “ritmo
implacável”, diz o “Relatório de Genebra”.”Ao contrário do que se acredita um
pouco por todo o lado, o mundo ainda não começou a reduzir a dívida e o rácio
global de dívida face ao PIB ainda está a crescer, fixando novos máximos
históricos”, pode ler-se no relatório. Os autores recomendam às autoridades
internacionais a adoção de medidas mais diretas de diminuição da dívida”
terça-feira, setembro 30, 2014
Opinião: “O sistema da carta anónima”
“O progresso mede-se assim: há cem anos, para derrubar um governo, ia-se
a um quartel; agora, vai-se ao tribunal. O golpismo mediático-judicial é a
versão democrática do golpismo militar da primeira república. O caso da
Tecnoforma lembrou-nos, a semana passada, como estas coisas se fazem. Depois do
procedimento judicial, que pode consistir apenas no arquivamento de uma carta
anónima, há a fuga de informação, calibrada para que a oposição e a imprensa
possam gritar por “esclarecimentos” que, venham quando vierem, já se sabe que
serão sempre “tardios” e “incompletos”. Ao visado, de nada serve “mostrar
tudo”. Resta-lhe subir a parada, como Passos Coelho terá feito na sexta-feira,
e colocar o caso no plano da conspiração. A partir daqui, cada um acredita no
que quiser.
Há muito tempo que em Portugal, como noutras democracias, o debate de
políticas públicas ou de princípios doutrinários conta menos na disputa
política do que a esgrima dos escândalos. As primárias do PS confirmaram a
tendência, quando Seguro tentou pregar Costa à cruz do “partido invisível”.
Para qualquer concorrente, a esperança nunca é convencer os eleitores com um
argumento, mas comprometer o rival num escândalo ou submetê-lo a uma súbita luz
melindrosa.
Primeiro, porque a oligarquia política não acredita em profundidades.
Está convencida de que a “imagem” é tudo, e que as ideias ou os factos não
comovem ninguém. É preciso ter um programa, porque é costume, mas quem é que
tem tempo para ler um programa? Mais: quem é que ainda acredita num programa?
Tudo parece epidérmico aos nossos oligarcas, e portanto pouco mais lhes
interessa do que sujar ou chamuscar o “boneco” do adversário, dê por onde der.
Não importa se Passos cometeu ou não “ilegalidades”. O que importa é acorrentar-lhe
o nome à “Tecnoforma”, mesmo que isso nada signifique em termos judiciais.
Segundo, e talvez mais importante, a oligarquia sente que a divisão
política passa cada vez menos entre os partidos, e cada vez mais entre todos os
partidos de um lado e os cidadãos do outro. A abstenção das primárias do PS
(25%) é um sinal: nem os militantes, que pagam quotas, ou os simpatizantes, que
foram de propósito inscrever-se, se dispuseram a votar a 100 %. Como, então,
mobilizar o eleitorado em geral, onde militantes e simpatizantes são um
resquício minoritário? O ponto de partida é este: ninguém acredita em virtudes,
mas toda a gente acredita em vícios. Por isso, o melhor truque é a demonização
do adversário, confiando no medo ou no repúdio para inspirar cidadãos imunes à
confiança ou ao entusiasmo. Passos Coelho, a esse respeito, já passou por tudo:
neoliberal, germanófilo, faltava a suspeita de que, afinal, não é uma “pessoa
remediada”.
A contenção, hoje, só serve para alimentar o sarcasmo. Seguro, sempre
explosivo, foi mesmo assim acusado de moderação excessiva. Não basta falar, é
preciso berrar. Não basta discordar, é preciso acusar. Ninguém percebe que o
comedimento pode não significar falta de paixão ou de urgência, mas apenas a
noção de que não faz sentido deitar fogo à casa só para nos livrarmos da
mobília da sala.
Não se pode esperar nada de bom deste sistema de facciosismo saloio. Em
França, as brigas despudoradas e os escarcéus sem limites da oligarquia local,
por entre prisões e escândalos de imprensa, não trouxeram nem mais limpeza, nem
mais transparência, mas têm ajudado à ascensão de Marine Le Pen, agora com dois
lugares no senado. A arte de derrubar um adversário sem ao mesmo tempo derrubar
o regime é uma arte subtil, e esquece-se muito facilmente” (texto de Rui Ramos,
Observador,com a devida vénia)
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