Opinião diferente tem o bastonário da Ordem dos Advogados: “É do mais puro e duro corporativismo.” Marinho Pinto não se recorda de nenhuma classe no mundo em que sejam atribuídos tantos ‘Bons’ e ‘Excelentes’. E vai mais longe: “A profissão de juiz é fechada e vitalícia. Aos 26 anos, um magistrado começa a fazer tempo para a reforma”.
O bastonário critica o modus operandi das avaliações, que considera “retrógrado” e pouco compatível com as “necessidades dos tempos modernos”. Marinho Pinto argumenta que não podem ser os juízes a avaliar-se uns aos outros. “É preciso que sejam inspecionados de forma pública para que expliquem algumas das medidas que tomam”. E não pelos “ouvidores do Santo Ofício que andam de comarca em comarca”. António Martins discorda. “Não é verdade (que os juízes se avaliem uns aos outros)”. E lembra que os inspetores (são também magistrados) que vão ao terreno apenas se limitam a propor uma classificação. “Os membros do CSM (a maioria deles não são juízes e foram designados para o cargo pelo poder político) podem alterá-la, como aconteceu no caso recente do juiz Rui Teixeira”. Recorde-se que o congelamento da nota do juiz de instrução da Casa Pia deu origem a acesa polémica, que, de resto, levou à posterior homologação do ‘Muito Bom’. Martins revela que, durante um processo de avaliação a um juiz, os inspectores judiciais do CSM analisam os livros de registo das sentenças, os processos de que foi responsável (todos ou apenas uma amostra) e podem até ouvir os advogados das comarcas onde o magistrado trabalhou nos últimos quatro anos. No final, elaboram um relatório que tem em conta a “produtividade, celeridade e volume de serviço e propõem uma nota”. As classificações seguem para o CSM (órgão de gestão, administração e disciplina dos juízes) que são votadas pelo Conselho Permanente ou pelo Plenário.
Desde 2005, o CSM fez 1327 avaliações a juízes. E só em 2009 foram classificados 298, cerca de 15% do total de magistrados judiciais em Portugal. As últimas contas registam a existência de 1920 profissionais. “Portugal é o único país da Europa onde há avaliação de juízes, além da avaliação a tribunais”, diz um vogal do CSM, que acrescenta: “ A nota que o Estatuto dos Magistrados Judiciais prevê como nota-padrão é o ‘Bom’, a qual, porém, não permite que o juiz seja promovido aos Tribunais Superiores, nem a sua colocação, como efetivo, em Tribunais de Círculo ou equiparados na primeira instância”.




