A um mês da dissolução da Assembleia, politólogos fazem ao DN a análise dos eleitorados. E concluem: alguns eleitores ocasionais de Bloco de Esquerda e PCP preferiram votar no PS nas últimas legislativas e as mulheres votaram mais à esquerda do que os homens. O perfil não é fácil de traçar. Mas há linhas que são comuns e ajudam a definir o típico eleitor português: mais velho, com mais habilitações literárias, e se for ativo profissionalmente terá mais tendência a votar. Usando as palavras da investigadora Paula do Espírito Santo: até aos 25 anos, a proporção de votantes "é muito baixa". Afinal, o país tem "a típica pirâmide invertida", com a percentagem de população envelhecida a ser maior, perfazendo quase um quarto da população. Isto significa também que, quando se abstêm, os eleitores até aos 25 anos "são poucos ou são menos" do que nas restantes faixas-etárias.
Sofia Serra Silva, investigadora no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, alerta que apesar de haver "diferenças estatisticamente significativas na participação eleitoral dos jovens portugueses", é necessário "não cair em narrativas demasiado dramáticas que os empurram para o campo da apatia generalizada face ao processo político".
Ainda assim, refere Pedro Magalhães, também investigador no ICS, a ideia da abstenção jovem esbateu-se mais "do que o habitual" em 2022. Tal pode justificar-se com "duas hipóteses: a capacidade de atração destes eleitores por parte de novos partidos e o crescente recurso ao voto antecipado".
