sexta-feira, julho 05, 2013

Recordando a carta de Passos Coelho à troika, de Maio de 2013



Lisboa, 3 de Maio de 2013
José Manuel Durão Barroso
Mario Draghi
Christine Lagarde

Na nossa carta de 10 de Abril assumimos o compromisso de identificar medidas de consolidação orçamental para 2014 e 2015 no valor de aproximadamente 2,5% do PIB. Escrevo hoje para vos informar das decisões tomadas recentemente pelo Conselho de Ministros.
Ontem mesmo decidimos propor a consulta pública um conjunto de medidas neste âmbito (ver tabela anexa). O processo envolverá agora os partidos políticos representados na Assembleia da República, a sociedade civil e os parceiros sociais. A iniciativa do Governo cumpre de forma substantiva a “ação prévia” prevista para conclusão do sétimo exame regular do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal. De forma a permitir a construção do consenso, está previsto que algumas medidas sejam substituídas por outras de semelhante qualidade e efeito orçamental.
Acresce que o valor global agora apresentado é superior ao necessário, dando-nos assim uma margem para diminuir a contribuição de sustentabilidade do sistema de pensões caso sejamos bem-sucedidos na obtenção de poupanças estruturais noutras áreas, nomeadamente nos consumos intermédios do Estado. No contexto do sétimo exame regular, as equipas da CE, BCE e FMI tiveram oportunidade de analisar medidas potenciais semelhantes às agora apresentadas. Tal deverá facilitar a sua apreciação final. A especificação detalhada destas medidas continuará a ser discutida entre as equipas técnicas nos próximos dias.
As medidas agora apresentadas colocam Portugal num claro e credível caminho para contas públicas equilibradas e para a redução da dívida pública, assegurando assim o 2 cumprimento das regras comunitárias de disciplina e estabilidade orçamentais. Em 2011 e 2012 Portugal reduziu a sua despesa primária de 48% para 42% do PIB. Para 2014 e 2014 queremos centrar o nosso ajustamento em medidas permanentes de redução de despesa pública.
Com base no nosso esforço e no apoio internacional seremos capazes de estabelecer acesso pleno aos mercados e assim concluir com sucesso o Programa de Assistência. Após o Programa, Portugal assegurará condições para um crescimento sustentado e gerador de emprego, dada a profundidade e abrangência de reformas empreendidas nos mercados de trabalho e de bens e serviços. A estabilidade futura será ainda reforçada através de mudanças profundas nas regras e procedimentos orçamentais.
Com os meus melhores cumprimentos,
Pedro Passos Coelho»
Notas explicativas:
Rescisões amigáveis e Mobilidade Especial:
- Sistema de Mobilidade tomando por base o Programa de Mobilidade Especial, este novo programa funcionará como um programa de requalificação e formação que facilite a transição dos funcionários públicos para os sectores transacionáveis e permite a desvinculação destes funcionários sem custos iniciais.
- Poupança adicional com Mobilidade resulta da decisão do Conselho de Ministros de reduzir a compensação dos funcionários para 2/3 durante os primeiros 6 meses, 1/2 durante os 6 meses subsequentes e 1/3 durante os últimos 6 meses, garantindo uma compensação mínima equivalente ao salário mínimo nacional.
- Programa de Rescisões Amigáveis em complemento do programa de mobilidade. A fase de negociação e seleção ocorrerá durante o 4º trimestre de 2013, para que as rescisões aconteçam em Janeiro de 2014. Assim os impactos orçamentais ocorrerão em 2014 bem como será possível assegurar que a poupança neste ano corresponde a um ano completo.
- Convergência das regras de trabalho público com as regras gerais do trabalho (privado) terão impactos significativos na melhoria da eficiência da gestão de recursos humanos na Administração Pública. A semana de trabalho vai aumentar de 35 para 40 horas, o direito a férias será reduzido de mais de 25 dias por ano para 22 e as regras de despedimento (Coletivo) passarão a aplicar-se.
- Sustentabilidade dos subsistemas de saúde - ADSE, SAD e ADM de acordo com o objetivo inicial do MoU de se garantir a autossustentabilidade dos subsistemas de saúde dos funcionários públicos, continuaremos a reduzir o apoio financeiro público (Orçamento de Estado) a estes subsistemas – através da redução da comparticipação do empregador para o ADSE, SAD e ADM compensada pelo aumento da comparticipação da contribuição do beneficiário em 0,75 pp de este ano em diante. Em paralelo a gestão destes subsistemas passará para a tutela do Ministérios da Saúde o que permitirá obter ganhos de escala entre estes subsistemas e o SNS. O Conselho de Ministros decidiu hoje ainda que a partir de 2014 a contribuição dos beneficiários será incrementada em mais 0,25pp.
- Eliminar fringe benefits injustificados em empresas do SEE e algumas categorias de funcionários públicos, como por exemplo o direito a uso gratuito de transporte público.
- Consumos intermédios o Conselho de Ministros decidiu ainda cortar os teto orçamentais a partir de 2014 bem como executar a segunda fase do PREMAC. Esta medida colocará em 2014 os consumes intermédios de volta ao nível de 2012 e permitirá poupanças adicionais em 2015.
- Ajustamento à Política de Remunerações da Administração Pública:
-- Tabela de Remunerações Única (TRU) e Tabela de Suplementos Única A revisão das tabelas salariais e de todos os suplementos dentro da administração pública levarão ao desenvolvimento de uma Tabela e Remunerações Única e uma Tabela de Suplementos Única que endereçarão diferenças injustificadas entre diferentes áreas da administração pública e entre estas e o sector privado e que ficaram claras com o estudo comparativo levado a cabo pelo Secretário de Estado da Administração Pública.
-- Medidas sectoriais O Conselho de Ministros reafirmou os objectivos traçados durante a 7ª revisão regular do programa e aprovou novas medidas adicionais.
- Reforma do Sistema de Pensões inclui um conjunto de medidas para promover a equidade entre os diferentes sistemas de pensões e assegurar a sua sustentabilidade:
-- Convergência da regras da CGA – o sistema de pensões dos funcionários públicos – com as da Segurança Social – o sistema da população em geral
-- Aumento da idade de reforma dos 65 para pelo menos os 66 anos de idade através da alteração da fórmula que ajusta o aumento da esperança de vida – i.e. o fator de sustentabilidade.
- Contribuição de Sustentabilidade de forma a complementar o conjunto de medidas necessárias para assegurar a sustentabilidade do sistema de pensões e assegurar o objetivo global de poupanças para esta área, o Conselho de Ministros decidiu a aplicação de uma contribuição de sustentabilidade que será aplicada aos pensionistas da CGA e SS. O nível de poupança objetivo para esta medida será ajustado em função do sucesso de captura das poupanças definidas nesta tabela para as restantes áreas