sexta-feira, julho 12, 2013

O desespero de Passos amansou-o...



Passos assumiu hoje na Assembleia da República ter proposto a realização conjunta da 8 e da 9 avaliações e recomendado que a troika tivesse oportunidade de participar nas negociações com a troika, no âmbito da chamada reforma do estado e, mais concretamente da redução da despesa pública, por temere, como é evidente, o descalabro da situação social e o agravamento da contestação social que começa a roçar os limites do alerta. Trata-se claramente de uma rasteira política ao PS - que sempre recusou os cortes na despesa, nos moldes cegos como este governo de coligação desesperado e cada vez mais entalado pretende implementar - mas uma iniciativa que demonstra sobretudo o desespero de um primeiro-ministro que se comportou sempre de forma autoritária e arrogante na sua relação política, quer com o PS, enquanto maior partido da oposição, quer mesmo com o seu parceiro da coligação, o CDS. Aliás não passou despercebida a contenção de Passos e Portas em relação ao PS e a forma menos radicalizada de Seguro no tratamento da situação política - não me recordo de o ter ouvido reclamar, por exemplo, de forma categórica a realização no imediato de eleições antecipadas, provavelmente depois da divulgação da sondagem que o Expresso publica amanhã. Mas sabendo-se que Seguro se move num ninho de vespas esfomeadas, isso não significa a garantia de uma estabilidade desse discurso político. Percebe-se que Passos anda a confundir corte da despesa pública com austeridade, quando é sabido que uma coisa é a necessidade de mantermos a austeridade para podemos estabilizar as nossas conta s públicas e começarmos a reduzir o défice público, outra coisa é sair para a estrada de olhos vendados e tesoura em riste, cortando a eito, sem critérios, sem fundamentos, sem razoabilidade, sem lógica e sem justificação plausível. O que está em causa é isso mesmo.