Passos assumiu hoje na Assembleia da
República ter proposto a realização conjunta da 8 e da 9 avaliações e
recomendado que a troika tivesse oportunidade de participar nas negociações com
a troika, no âmbito da chamada reforma do estado e, mais concretamente da
redução da despesa pública, por temere, como é evidente, o descalabro da
situação social e o agravamento da contestação social que começa a roçar os
limites do alerta. Trata-se claramente de uma rasteira política ao PS - que
sempre recusou os cortes na despesa, nos moldes cegos como este governo de
coligação desesperado e cada vez mais entalado pretende implementar - mas uma
iniciativa que demonstra sobretudo o desespero de um primeiro-ministro que se
comportou sempre de forma autoritária e arrogante na sua relação política, quer
com o PS, enquanto maior partido da oposição, quer mesmo com o seu parceiro da
coligação, o CDS. Aliás não passou despercebida a contenção de Passos e Portas
em relação ao PS e a forma menos radicalizada de Seguro no tratamento da
situação política - não me recordo de o ter ouvido reclamar, por exemplo, de
forma categórica a realização no imediato de eleições antecipadas,
provavelmente depois da divulgação da sondagem que o Expresso publica amanhã.
Mas sabendo-se que Seguro se move num ninho de vespas esfomeadas, isso não
significa a garantia de uma estabilidade desse discurso político. Percebe-se que
Passos anda a confundir corte da despesa pública com austeridade, quando é
sabido que uma coisa é a necessidade de mantermos a austeridade para podemos
estabilizar as nossas conta s públicas e começarmos a reduzir o défice público,
outra coisa é sair para a estrada de olhos vendados e tesoura em riste,
cortando a eito, sem critérios, sem fundamentos, sem razoabilidade, sem lógica
e sem justificação plausível. O que está em causa é isso mesmo.