segunda-feira, março 16, 2009

Sobre o "caso" (?) do navio para os Açores


Ainda a propósito do caso do navio para os Açores, em construção nos estaleiros de Viana, recebi de um bloguista, profundo conhecedor da temática, o seguinte comentário adicional e que ajudará a uma percepção correcta do que se está a passar:
"As últimas "construções" navais em Portugal, foram levadas a cabo através dos conhecimentos e liderança do contra-almirante Rogério de Oliveira, tendo nos anos 60 projectado e calculado a construção de uma dezena de corvetas para a nossa e outras Armadas. Desde essa época (1966) até hoje nunca mais se projectou, estudou, construiu um navio em Portugal, com a consequente perda de know how. Posteriormente, foram encomendados os "Patrulhões", situação que se destinava a salvar os estaleiros de Viana do Castelo, mas que por qualquer carga de água, os mesmos não foram aceites nas provas de mar. No caso, foram descobertas limalhas de aço nas máquinas que inviabilizaram a sua aceitação definitivamente pela Marinha. Apesar do fabricante dos motores prontificar-se à sua substituição, essa operação "atira na prática" para a sucata os "Patrulhões" já construidos uma vez que as máquinas são montadas ainda com o navio em construção. Abrir um "buraco" no casco para tirar as ditas, num navio de guerra, significa a sua morte. Mais, estavam previstos mais navios, coisa que acabou por ser de apenas meia dúzia, tendo na altura vários países mostrado o seu interesse pelos mesmos. Agora todos fogem deles, tomaram outras opções. Julgo que o governo português está em campanha para vender "Patrulhões" a outras Marinhas... aos PALOP's é claro, com a qualidade de fabrico e preço ninguém lhes pega. Ao contrário do que seriam os requisitos iniciais (navios mais pequenos e leves do que as corvetas da Classe João Coutinho e Baptista de Andrade), começou-se a atribuir funções a torto e a direito que tornaram os "Patrulhões" mais pesados do que as actuais corvetas projectadas por Rogério d' Oliveira. Na altura até pretendiam construir um navio logístico com base naquele casco. Outra coisa curiosa é o facto das nossas corvetas possuírem um excelente casco (reconhecido internacionalmente), tanto que ainda estão ao serviços noutros países como Espanha que tem corvetas iguais na designada classe "Descubiertas". Aliás, Rogério d'Oliveira previu na fase de projecto das corvetas a sua posterior modernização, tendo atribuído uma folga de 90 toneladas a cada navio, para que isso fosse possível. Essas corvetas são de manutenção extremamente barata, dado que utilizam grande parte dos equipamentos de origem civil. Na altura, foram projectadas as primeiras 6 para a guerra de África e as 4 últimas para o Ultramar e NATO. Já nessa altura devido ao facto de Portugal estar atrasado na construção naval, a construção dessas corvetas foi realizada na Alemanha (Hamburgo), e Espanha (Bozon e Cartagena). Viana do Castelo apresentava os preços mais caros e mais tempo para fabrico (a verdade é que a opção de construir as corvetas lá fora teve, embora não se diga abertamente, com a má experiência das antigas fragatas da classe "Pereira da Silva" em Viana do Castelo). Como se viu agora com o ferry, 40 anos depois a história repete-se. Recuperem as corvetas que são excelentes escoltadores oceânicos (pelo menos isso Viana do Castelo pode fazer). Quanto aos "Patrulhões", são excelentes para a criação de mexilhões... A coisa é de tal maneira que nem sequer deixam fotografar esses "Patrulhões". Dado que a blogosfera é pródiga em antecipar, durante os próximos dias, vamos ver os estaleiros de Viana do Castelo a atirar as responsabilidades para terceiros, como foi o caso dos "Patrulhões", em que as culpas forma atiradas à Marinha, independentemente do "formato" encontrado quanto ao relacionamento entre ENVC e Marinha". Aqui fica a sua opinião, esperando que o caso do navio para os Açores seja em devido tempo esclarecido.

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