O Algarve inglesou-se e o ministro da economia - quem sabe se mais uma lucubração ministerial gerada na China?!... - descobriu a "pólvora". Se o Algarve precisa de turistas, se os turistas são na sua maioria estrangeiros, se a pronuncia fá-los "carregar" no "ele" então toca a inglesar o nome da região portuguesa e em vez do velhinho Algarve passa a "ALLGARVE". Por mim, até podem chamar "Sevilha pequeña" ou "Nueva Andaluzia", ou qualquer coisa do género. Desde que eles se sintam felizes (e os portugueses estão habituados a "comer" e a calar...), tudo bem. Por este andar ainda alguém vai terf a ideia peregrina de fazer o mesmo e inven btar uma "pinhice" qualquer. Se a Madeira precisa de turistas, se os turistas são na sua maioria estrangeiros, se a pronuncia fá-los "carregar" no "dei" então toca a inglesar o nome da nossa região e em vez da velhinha Madeira passamos a ter a "MADIRA".terça-feira, março 27, 2007
Madeira: porque não Madira?...
O Algarve inglesou-se e o ministro da economia - quem sabe se mais uma lucubração ministerial gerada na China?!... - descobriu a "pólvora". Se o Algarve precisa de turistas, se os turistas são na sua maioria estrangeiros, se a pronuncia fá-los "carregar" no "ele" então toca a inglesar o nome da região portuguesa e em vez do velhinho Algarve passa a "ALLGARVE". Por mim, até podem chamar "Sevilha pequeña" ou "Nueva Andaluzia", ou qualquer coisa do género. Desde que eles se sintam felizes (e os portugueses estão habituados a "comer" e a calar...), tudo bem. Por este andar ainda alguém vai terf a ideia peregrina de fazer o mesmo e inven btar uma "pinhice" qualquer. Se a Madeira precisa de turistas, se os turistas são na sua maioria estrangeiros, se a pronuncia fá-los "carregar" no "dei" então toca a inglesar o nome da nossa região e em vez da velhinha Madeira passamos a ter a "MADIRA".Madeira: Tenho dificuldade em perceber
É sabido que o representante da República devolveu mais um diploma aprovado pela Assembleia Legislativa e relacionado com o sector da educação. Confesso que são devoluções a mais nesta área específica, pelo que das três uma: ou há atrevimento legislativo regional a mais, e não percebo sequer porque se perde tempo com isso, se passamos a vida a levar "sopa", ou estamos perante uma situação de incompatibilidade conceptual e de princípios entre a SRE e o Representante, e neste caso há que saber concretamente quais são os nossos limites de intervenção e de competência específicos, ou pura e simplesmente andamos a meter água e não há maneira se ser produzida legislação com cabimento e que seja promulgada.
Madeira: Reunião do PS III
Não foi fácil o clima da reunião da Comissão Política do PS da Madeira realizada na noite de segunda-feira. Eu explico porque. Tudo porque o processo de discussão em torno da lista - que acabou por ter 24 votos a favor e 12 contra e/ou brancos - chegou a estar demasiado quente. O professor e actual deputado Joaquim Ventura não aceitou o lugar na lista (25º) o que cria um problema a Serrão que vai ter que preencher aquela posição. Isabel Sena Lino, Duarte Gouveia, e Ricardo Freitas (deputado na Assembleia da República) saíram para não votar, dado que todos eles discordaram da lista e dos critérios adoptados por Serrão. Aliás, a dada altura dos trabalhos, o líder socialista Jacinto Serrão perdeu autenticamente as estribeiras com Ricardo Freitas tudo porque se irritou com as críticas deste (e de outros presentes) sobre os critérios presentes na elaboração das listas. O essencial está aqui relatado com a fidelidade que a confiança pessoal que possam depositar no que escrevo num espaço pessoal, é certo, mas que quero sério e informativo.
Madeira: Reunião do PS II
Isabel Sena Lino, Fernão Freitas, Gil França, Martins Junior, eis alguns dos saneados da lista de Serrão, o que aliás não constitui novidade. A lista de candidatos é a seguinte ressalvando um lugar que não foi aceite pelo deputado (actual) indicado por Serrão (ver 25º):
1 - Jacinto Serrão
2 - Bernardo Trindade (secretário de estado, não vira para a ALM)
3 - Carlos Fino (ex-deputado, regresso)
4 - Bernardo Martins
5 - André Escórcio (ex-deputado, regresso)
6 - Carlos Pereira (candidato derrotado à presidência da Câmara do Funchal)
7 - Luísa Mendonça (Porto Santo)
8 - Victor Freitas
9 - João Carlos Gouveia (São Vicente)
10 - Jaime Leandro
11 - Filipe Sousa (Santa Cruz)
12 - José Manuel Coelho (Ponta do Sol)
13 - Nilson Jardim (Câmara de Lobos)
14 - Célia Pessegueiro (JS)
15 - Emanuel Câmara (Porto Moniz)
16 - Rui Caetano (Ribeira Brava)
17 - Óscar Teixeira (2º Santa Cruz)
18 - Samuel Rosa (Santana)
19 - Duarte Gouveia (deputado)
20 - Guido Gomes (Funchal)
21 - Francisco Dias (já esteve ligado ao PS da Ponta do Sol)
22 - Óscar Cid
23 - Mafalda Gonçalves
24 - Sérgio Rodrigues
25 Joaquim Ventura (não aceitou o lugar na lista)
26 - Micaela Camacho
27 - Tânia Gonçalves
28 - Paulo Jorge Santos
29 - Raquel Reis
30 - Gabriel Oliveira
31 - Luís Abreu
32 - Leonardo Santos
33 - Margarette Fernandes
34 - Juvenal Rodrigues
35 - Ricardo Santos
36 - João Ferreira
37 - Jesuíno Azevedo
38 - Tânia Silva
39 - Cláudia Rosa
40 - José Santos
2 - Bernardo Trindade (secretário de estado, não vira para a ALM)
3 - Carlos Fino (ex-deputado, regresso)
4 - Bernardo Martins
5 - André Escórcio (ex-deputado, regresso)
6 - Carlos Pereira (candidato derrotado à presidência da Câmara do Funchal)
7 - Luísa Mendonça (Porto Santo)
8 - Victor Freitas
9 - João Carlos Gouveia (São Vicente)
10 - Jaime Leandro
11 - Filipe Sousa (Santa Cruz)
12 - José Manuel Coelho (Ponta do Sol)
13 - Nilson Jardim (Câmara de Lobos)
14 - Célia Pessegueiro (JS)
15 - Emanuel Câmara (Porto Moniz)
16 - Rui Caetano (Ribeira Brava)
17 - Óscar Teixeira (2º Santa Cruz)
18 - Samuel Rosa (Santana)
19 - Duarte Gouveia (deputado)
20 - Guido Gomes (Funchal)
21 - Francisco Dias (já esteve ligado ao PS da Ponta do Sol)
22 - Óscar Cid
23 - Mafalda Gonçalves
24 - Sérgio Rodrigues
25 Joaquim Ventura (não aceitou o lugar na lista)
26 - Micaela Camacho
27 - Tânia Gonçalves
28 - Paulo Jorge Santos
29 - Raquel Reis
30 - Gabriel Oliveira
31 - Luís Abreu
32 - Leonardo Santos
33 - Margarette Fernandes
34 - Juvenal Rodrigues
35 - Ricardo Santos
36 - João Ferreira
37 - Jesuíno Azevedo
38 - Tânia Silva
39 - Cláudia Rosa
40 - José Santos
Quero apenas adiantar neste post que esta lista foi aprovada por 24 votos a favor, mas registaram-se 6 votos contra e 6 votos brancos ou nulos (os socialistas vão perceber que estou a falar de factos!). Uma lista que não inclui pessoas que sendo socialistas, alguns deles com uma fidelidade indiscutível, e que seriam merecedoras de uma atenção por parte do líder, estão desiludidas, mas tudo isso explica os factos que passo a descrever no comentário seguinte.
Madeira: Reunião do PS I
A Comissão Politica do PS reuniu na noite de segunda-feira. A lista foi o único ponto em cima da mesa. Eu vou contar o que se passou, o essencial. Graças a colaboração de pessoa amiga. Eu apenas digo, e repito, que as pessoas tenham presente que recuso a mentira e que apenas dou credibilidade às pessoas que me merecem respeito e consideração, mesmo que militem em partidos diferentes do meu ou tenham pontos de vista e propostas distintas das minhas. Mas o respeito nada tem a ver com essas divergências. Vou contar-vos o essencial no post seguinte. Quem não quiser acreditar, pois é livre de o fazer.
segunda-feira, março 26, 2007
Futebol: "Baixinho" quase com 1000
O Estádio do Maracanã estava a rebentar pelas costuras. O Rio de Janeiro parou na expectativa de ver o veterano Romário, de 41 anos, a marcar o seu milésimo golo, mas o "baixinho" só conseguiu atirar a bola para o fundo da baliza por uma vez no derby regional entre o Vasco da Gama e o Flamengo, que os primeiros venceram por 3-0. Romário tentará agora o golo 1000 no jogo contra o Americana, a contar para a Taça do Rio. O avançado já pediu que o palco desse jogo seja o Maracanã. Foto: Sérgio Moraes/Reuters (Publico online)Madeira: os 130 milhões
Os tais 130 milhões de euros em obras, conforme foi noticiado, alegadamente adjudicadas "ilegalmente" pelo Governo Regional da Madeira estão à vista de todos. Os interessados podem ir aqui e fazer o download do Jornal Oficial da RAM.
Eu fiz contas e resumidamente dou uma ajuda:
- 108 milhões de euros em obras, entre as quais o Laboratório de Veterinária, Via rápida para o Estreito e ligação à Cota 500, tudo obras aprovadas em 2006, com concursos publicos lançados em 2006, visados pelo Tribunal de Contas e adjudicadas em 2007;
- 6 milhões relativos ao aumento de capital social da ANAM, e à particpação da RAM na empresa, conforme deliberação tomada em 2004 que estabelecida este pagamento nesta data;
- 4 milhões para infra-estruturas desportivas diversas, com destaque para o complexo desportivo da Associação de Futebol da Madeira (Gaula) e para a organização desportiva do Campanário;
- 2,6 milhões de euros para instituições de educação e culturais;
- 2,9 milhões para o Madeira Tecnopolo relacionado com o projecto Galileo;
- 6,2 milhões de euros para expropriações.
STAPE
O Secretariado Técnico de Apoio aos Processos Eleitorais (STAPE) editou uma publicação, com 271 paginas, dedicada à Lei Eleitoral para a Madeira, e que constitui um importante instrumento de apoio, a todos os interessados, dado que inclui legislação complementar. Uma iniciativa que se regista com agrado.
Madeira: Devolução
Já percebi tudo. Cheirou a devolução, mas pensaram que seria o relacionado com a suspensão do POT. Não foi, como já vimos. Foi outro. O representante da República devolveu à Assembleia Legislativa - o que implica que nos termos da legislação caberá ao futuro parlamento uma palavra sobre o assunto - o diploma relacionado com o "regime jurídico relativo ao Sistema Educativo Regional". Os fundamentos da decisão foram enviados por Monteiro Dinis em missiva dirigida ao Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, desconhecendo o seu conteúdo.
Madeira: Suspensão do POT avança
Nao dizia!
Era boato. Posso garantir que o Representante da Republica assinou e enviou para promulgação o diploma regional que "Determina a suspensão parcial do artigo 5º e a suspensão do artigo 6º das normas de execução do Plano de Ordenamento Turístico da RAM".
Portanto, mudemos de assunto...
Madeira: Os erros de Violante Matos
Violante Matos cometeu dois erros políticos. O primeiro, porventura o mais pequeno, foi o de ter acreditado que a mudança seria possível e que Paulo Martins, o histórico dirigente da extrema-esquerda local, poderia ceder no processo de elaboração da lista de candidatos. Ou seja, a renovação que Violante Matos reclama e queria aplicada, nunca poderia parecer imposta, mas antes natural, o que explica o conservadorismo que Martins, coerentemente, diga-se em abono da verdade (entrevista ao DN do Funchal). Mas o segundo erro político de Violante, para mim o mais grave - e neste caso percebe-se bem a opção de Martins - foi o de querer impor(?) ao Bloco de Esquerda a opinião que nestas eleições deveria haver apenas um alvo político - o Governo Regional e o PSD. Segundo o DN do Funchal, isto não queria dizer "que devamos deixar passar em claro as medidas do Governo da República" mas noutro contexto que não o de eleições regionais. Consta que Violante Matos defendeu esta posição numa reunião da "Coordenadora" do BE mas que ficou compreensivelmente isolada. Vamos a factos: em 2004, com Violante Matos, o Bloco de Esquerda perdeu votos e um deputado. Um acho que mais do que tudo era preciso saber porque motivo isso aconteceu. O BE para poder recuperar votos, tem que fazê-lo á esquerda, não atacando o PSD. Alguém acredita que o eleitorado do PSD votará no Bloco de Esquerda seja a que pretexto for? Então como pode o BE crescer em votos e eventualmente eleger o desejado segundo mandato, que é o seu principal objectivo eleitoral? "Roubando" eleitores ao PS e ao PCP e recuperar parte do eleitorado da antiga UDP que em meu entender anda por ai meio a vaguear. Nesta conformidade, Violante Matos tem de reconhecer que não tem a razão do seu lado e que dificilmente Paulo Martins deixa de ter razão nos fundamentos das suas opções estratégicas e nas suas opções quanto à lista.Professor
Pessoa amiga - o meu caro Donato - sempre atenta, enviou-me esta homenagem aos propfessores que eu subscrevo, asisnan do por baixo:
Os profs. nunca têm razão...
Se é jovem, não tem experiência;
Se é velho, está ultrapassado.
Se não tem carro, é um coitado;
Se tem carro, chora de barriga cheia.
Se fala em voz alta, grita;
Se fala em tom normal, ninguém o ouve.
Se nunca falta às aulas, é parvo;
Se falta, é um "turista".
Se conversa com outros professores, está a dizer mal doSistema;
Se não conversa, é um desligado.
Se dá a matéria toda, não tem dó dos alunos;
Se não dá, não prepara os alunos.S
e brinca com a turma, é palhaço;
Se não brinca, é um chato.
Se chama a atenção, é um autoritário;
Se não chama, não se sabe impor.
Se o teste é longo, não dá tempo nenhum;
Se o teste é curto, tira a oportunidade aos alunos bons.
Se escreve muito, não explica;
Se explica muito, o caderno não tem nada.
Se fala correctamente, ninguém entende patavina;
Se usa a linguagem do aluno, não tem vocabulário.
Se o aluno reprova, é perseguição;
Se o aluno passa, o professor facilitou.
É verdade, os profs. nunca têm razão...
Mas se você conseguiu ler tudo até aqui, agradeça-lhes a eles
Madeira: Absurdo e mau exemplo
Eu acho, concordem ou não comigo, que qualquer cidadão tem o direito a indignar-se. A defesa da dignidade individual tem, obrigatoriamente, que privilegiar essa liberdade, a liberdade de nos revoltarmos perante a injustiça, a liberdade de nos indignarmos perante factos, decisões ou comportamentos com os quais não concordemos. Mas em política esse direito à indignação não deve significar, para credibilidade da própria política e dos seus actores, libertinagem, ou seja, o atropelo puro e simples da coerência e de normas de conduta que se devem reger por princípios. Eu percebo, e ainda por cima numa fase de elaboração de candidaturas a deputados, que a polémica aos poucos se apodere de pessoas ou estruturas partidárias, ou mesmo que a frustração pelo convite esperado mas nunca concretizado, possa originar decisões mais radicalizadas. Mas não aceito que tudo isso significa passividade, muito menos cumplicidade, perante a mudança de camisola transformada em sinal de coerência. Nunca. E neste contexto o PT tem vindo a constituir um mau exemplo.
Madeira: António Fontes
Foi hoje anunciado que António Fontes (o Tó Fontes) será candidato pelo PND. Confesso que não me surpreende, até pelas relações de amizade que ele nutre por varias pessoas que pelos vistos estarão no projecto de Manuel Monteiro, entre os quais o meu cunhado, Gil Canha, outro dos candidatos. Eu acho que as pessoas são livres de se candidatarem. Conheço o Tó Fontes e a sua família há muitos anos, sei que são pessoas sérias, íntegras, uma família unida, amigos dos amigos, que nunca foram oportunistas como outra escumalha que por aí anda, que viveram de forma tranquila as peripécias do quotidiano e que julgo que nalguns casos foram injustiçados. A liberdade que eu exijo para mim para ser candidato, ou não, ou para apoiar um partido, é a mesma liberdade que eu concedo, sem hesitação ou discussão, a qualquer cidadão que se candidata por qualquer partido. Não sou dos que dividem as pessoas entre "bons" ou "maus" só por casa da bandeira que mostram ou do partido ao qual se ligam. Eu gosto é de discutir ideias, de debater, de confrontar concepções. Mas a liberdade individual passa pela liberdade de optar, pelo direito de cada um de nós, sem manipulação, exercer o nosso dever de cidadania enquanto pessoas responsáveis. Aí de mim, aí de nós, se todos tivéssemos que pensar da mesma maneira ou fazer todos a mesma coisa. Portanto, a candidatura de António Fontes, do do Gil Canha, ou do Aguiar Baltazar, do do Eduardo Welsh, ou seja de quem for, pelo PND ou de qualquer outro cidadão, tem que ser, antes de tudo, uma decisão pessoal mas um um sinal de coerência de cada um deles, consigo próprio. Mas é mais do que tudo isso, uma atitude intelectual de liberdade que todos temos que respeitar. O que se espera das pessoas, da política, é que respeitem todo e qualquer cidadão. Pode-se discordar de comportamentos, de ideias, de propostas, de concepções de sociedade ou modelos de desenvolvimento. Mas temos que respeitar a Pessoa, sempre, para que a dignidade colectiva, a dignidade de cada um de nós, continue a ser um dos patrimónios mais valiosos da autonomia regional, ela própria construída por pessoas e para pessoas.
Citação: Considerações sobre a Vingança
A vingança é uma espécie de justiça bárbara, de tal maneira que quanto mais a natureza humana se inclinar para ela, tanto mais a deve a lei exterminá-la. Porque a primeira injúria não faz mais que ofender a lei, ao passo que a vingança da injúria põe a lei fora do seu ofício. De certo, ao exercer a vingança, o homem iguala-se ao inimigo; mas, passando sobre ela, é-lhe superior; porque é próprio do príncipe perdoar. E tenho a certeza que Salomão disse: «É glorioso para um homem desdenhar uma ofensa». O que passou, passou, e é irrevogável; os homens prudentes já têm bastante que fazer com as coisas presentes e vindouras; não devem, portanto, preocupar-se com bagatelas como o trabalhar em coisas pretéritas. Não há homem que faça o mal pelo mal, mas apenas na perseguição do lucro, do prazer ou da honra, etc. Porque hei-de ficar ressentido com alguém, apenas pela razão de que ele mais ama a si próprio do que a mim? E se alguém me fez mal, apenas por pura maldade, então, esse é unicamente como a roseira e o cardo que picam e arranham apenas porque não podem de outra forma proceder. A espécie mais tolerável de vingança ainda é aquela que vai contra ofensas que na lei não encontram remédio; mas, por isso, acautelai-vos, investigando se realmente não haverá para cada ofensa uma punição legal; caso contrário, o vosso inimigo ganhará vantagem, porque aliado à lei, terá dois votos contra vós. Alguns, quando exercem vingança, desejam que a pessoa saiba donde partiu o golpe. Isso é mais generoso, porque o prazer parece estar não tanto em arremessar o golpe como em obrigar o inimigo a arrepender-se, mas os covardes, baixos e vis, são como a seta que voa na escuridão.
Francis Bacon em ("Ensaios - Da Vingança")
Francis Bacon em ("Ensaios - Da Vingança")
Citação: A Desgraça do Sonhador
"E vocês sabem o que é um sonhador, cavalheiros? É um pecado personificado, uma tragédia misteriosa, escura e selvagem, com todos os seus horrores frenéticos, catástrofes, devaneios e fins infelizes... um sonhador é sempre um tipo difícil de pessoa porque ele é enormemente imprevisível: umas vezes muito alegre, às vezes muito triste, às vezes rude, noutras muito compreensivo e enternecedor, num momento um egoísta e noutro capaz dos mais honoráveis sentimentos... não é uma vida assim uma tragédia? Não é isto um pecado, um horror? Não é uma caricatura? E não somos todos mais ou menos sonhadores? (...)".
Fiodor Dostoievski (em "Escritos Ocasionais")
Fiodor Dostoievski (em "Escritos Ocasionais")
Citação: Os Convencidos da Vida
"Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força. Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil. Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro. Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi (...)".
Alexandre O'Neill ("Uma Coisa em Forma de Assim")
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força. Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil. Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro. Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi (...)".
Alexandre O'Neill ("Uma Coisa em Forma de Assim")
Europa: Estamos bem entregues?

Os líderes europeus posaram para a fotografia de família, hoje de manhã, em frente à Porta de Brandenburgo, na capital alemã, depois da assinatura da Declaração de Berlim, que marcou o 50º aniversário da assinatura dos Tratados de Roma, que deram origem à União Europeia, tal como a conhecemos hoje. Foto: Michael Dalder/Reuters (in Publico online)
domingo, março 25, 2007
Madeira: Falta-me alguma coisa...
O meu caro companheiro destas lides, Roberto Rodrigues anda provocatório. Mas confesso que não percebi aquela história do partido da terra, porque não consegui ler o post que deu origem a tal irritação dos lisboetas. Falta-me alguma coisa ou o PT anda frenético demais. Eu hoje, confesso meu caro Roberto, fiquei impressionado com o aspecto da sala do jantar do PT, pelo menos em função do que vi na televisão. Se fosse socialista ficava preocupado. Já agora o "Cortar (d)a Direita" sabe que existe um outro partido que vai concorrer às regionais, chamado PND?
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