A invasão da Ucrânia pela Rússia está a redefinir as fronteiras historicamente instáveis da Europa. Além do desejo imperialista russo, há muitas linhas divisórias em outras zonas do Velho Continente que nem sempre contam com a aprovação dos países vizinhos ou, pelo menos, de sectores irredentistas que reivindicam o seu próprio mapa nacional. E, sim, Portugal entra neste ‘particular’. A Espanha é um dos países europeus com maior número de enclaves questionados pelos vizinhos, sobretudo no norte de África. Apesar de estar sob administração espanhola há cinco séculos, muito antes da existência de Marrocos como país, o reino alauíta incita regularmente a sua propaganda anexionista. Às cidades autónomas de Ceuta e Melilla, com mais de 80 mil habitantes cada, acrescem-se as praças de soberania ao largo da costa de Marrocos: as ilhas Chafarinas, as ilhas Alhucemas e o ilhote de Vélez de la Gomera. A ilhota Perejil, desabitada, sofreu um incidente militar há 20 anos.
Há ainda uma ‘questão’ com Portugal por causa da cidade de Olivença, na província de Badajoz – ocupada pelo exército espanhol no início do século XIX, o território passou para a Coroa espanhola em tratados da época, nunca anulados ou regovados. Portugal não reivindica formalmente Olivença ou a vizinha cidade de Táliga mas também não renuncia a sua reivindicação.

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