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segunda-feira, outubro 30, 2023

“Lembrem-se do Maine!” A história mostra como as mentiras podem espoletar guerras

"Uma mentira pode viajar meio mundo enquanto a verdade ainda está a calçar os sapatos", diz um ditado frequentemente atribuído a Mark Twain, embora Jonathan Swift possa ser a sua inspiração original. Na semana passada, no meio de receios de que uma guerra mais vasta pudesse eclodir no Médio Oriente, o presidente dos EUA, Joe Biden, aproveitou o momento para reforçar a verdade e travar a perigosa espiral de desinformação, que muitas vezes conduziu a guerras, como já vimos antes na história.

O bombardeamento do Hospital Al-Ahli em Gaza, a 17 de outubro, que matou centenas de civis, foi uma tragédia terrível. Imediatamente a seguir à explosão, muitos meios de comunicação social reciclaram declarações dúbias do grupo militante islâmico Hamas, culpando Israel. "Ataque israelita mata centenas de pessoas no hospital, dizem os palestinianos", dizia um dos primeiros títulos do sítio Web do The New York Times. Os líderes árabes apressaram-se a condenar Israel.

Numa nota dos editores, na segunda-feira, o Times admitiu que "as primeiras versões da cobertura - e o destaque que recebeu num título, alerta de notícias e canais de redes sociais - basearam-se demasiado em afirmações do Hamas e não deixaram claro que essas afirmações não podiam ser imediatamente verificadas. O relatório deixou os leitores com uma impressão incorrecta sobre o que era conhecido e o quão credível era o relato".

Biden, o Conselho de Segurança Nacional dos EUA e a comunidade de inteligência americana expressaram confiança de que o ataque ao hospital foi o resultado de um rocket errante disparado pela Jihad Islâmica Palestina, um grupo militante afiliado ao Hamas que os EUA e Israel consideram uma organização terrorista.

domingo, novembro 15, 2015

França: não se deixe enganar pelas trampas que escrevem nas redes sociais

Muitas imagens alteradas e informações erradas sobre os atentados de Paris circulam pelas redes sociais.
Os atentados de Paris mostraram mais uma vez como a informação circula a uma velocidade estonteante nas redes sociais, sobretudo quando tudo acontece muito rapidamente, como na sexta-feira à noite, e como invariavelmente alguma da informação que circula é falsa. Aliás, a polícia de Paris pediu mesmo ao público para evitar difundir "informação e rumores falsos", de forma a evitar confusão e pânico.
Algumas das informações falsas divulgadas durante o sábado, um dia depois dos ataques em Paris, foram partilhadas mais de dez mil vezes, sem que os utilizadores soubessem que eram falsas. Algumas eram apenas imagens descontextualizadas, outras tinham potencial para causar confusão.
A fotografia anterior demonstra, segundo a legenda, a alegria que se espalhou pela cidade de Gaza, na Palestina, após os atentados terroristas que mataram 129 pessoas e feriram outras 352 na França mas, na verdade, foi completamente descontextualizada. A imagem foi tirada em 2012, após um acordo de cessar-fogo entre a Palestina e o Israel, quando as pessoas saíram à rua para celebrar.
As fotografias que mostram as ruas da capital francesa completamente vazias tiradas, supostamente, no sábado, foram tiradas muitos meses antes, segundo o Le Monde. A primeira é de agosto de 2014, a segunda é de 2012, a terceira é de 2006 e a última foi tirada no ano de 2011. Todas tiradas em contextos e datas diferentes, juntas as fotografias retratam uma cidade quase vazia.
A fotografia que supostamente mostrava uma manifestação de apoio dos alemães à nação francesa foi tirada numa manifestação contra a imigração em 2014.
Algumas pessoas partilharam a fotografia acima como tendo sido tirada dentro da casa de espetáculos Bataclan, um dos locais atacados pelos terroristas, apesar de a descrição dizer claramente que foi tirada em Dublin, na Irlanda, onde os Eagles of Death Metal atuaram dias antes.

O Empire State Building, em Nova Iorque, não foi iluminado com as cores da bandeira francesa, ao contrário do que esta fotografia mostra. Para o provar, veja a fotografia do mesmo edifício tirada poucos minutos depois da primeira.
A informação de que houve um incêndio num centro de refugiados em Calais, no norte da França, que circulou logo na sexta-feira à noite e que fez temer retaliações contra os refugiados, só é parcialmente correta e está desatualizada. O incêndio foi causado por uma fuga de gás no dia 2 de novembro.
Circulou também na tarde de sábado a notícia de que a polícia francesa perseguia um carro com homens fortemente armados, que nunca chegou a ser confirmada (DN-Lisboa)