A maioria dos portugueses considera que Mário
Centeno, atual governador demissionário do Banco de Portugal, teria melhores
condições para liderar o Partido Socialista do que José Luís Carneiro, que
assumiu a liderança do partido no final de junho, após a saída de Pedro Nuno
Santos. A conclusão resulta de uma sondagem da Intercampus realizada para o
Negócios, o Correio da Manhã e a CMTV, entre 7 e 14 de agosto. De acordo com os
dados divulgados, 56,3% dos inquiridos apontam Mário Centeno como melhor opção
para a liderança socialista face a José Luís Carneiro. Essa perceção é mais
expressiva entre os homens (57,3%), nos cidadãos com 55 ou mais anos (56,8%) e
em regiões como Lisboa (61,8%) e Algarve (59,2%). Pelo contrário, a confiança
no antigo ministro das Finanças é menos acentuada no Centro (51,8%) e no Norte
(54,3%), zona de origem do atual secretário-geral do PS.
O estudo evidencia também diferenças ligadas ao
perfil socioeconómico dos inquiridos: entre os que apresentam maiores
rendimentos e qualificações, 59,2% consideram Centeno mais competente para
assumir a liderança do partido. Ainda assim, 35,8% dos participantes entendem
que o atual governador do Banco de Portugal seria “pior” líder do que José Luís
Carneiro, uma perceção mais presente entre as mulheres (36,5%) e entre os que
têm idades entre os 35 e os 54 anos (37,8%). A sondagem revela ainda que 0,7% dos inquiridos
acreditam que Centeno seria “igual” a Carneiro, sobretudo no Norte (1,3%),
enquanto 7,2% não souberam ou não quiseram responder, percentagem mais elevada
entre jovens até aos 35 anos (7,8%) e entre adultos com 55 ou mais (9,2%).
Quando questionados de forma direta se Mário Centeno seria um bom líder do PS,
as respostas dividiram-se quase de forma equitativa: 33,4% responderam que sim,
33,9% que não e 32,7% não sabem ou não respondem, sendo as mulheres as mais indecisas
(41,8%). O debate em torno do futuro político de Centeno
surge num momento em que o Governo decidiu não o reconduzir para um segundo
mandato no Banco de Portugal. Álvaro Santos Pereira, até aqui economista-chefe
da OCDE e antigo ministro da Economia e do Emprego de Pedro Passos Coelho, foi
indicado para o substituir, após parecer parlamentar previsto para meados de
agosto. Centeno, que está no cargo desde 2020, deverá abandonar funções em
setembro, após um mandato marcado por tensão com o Executivo. Em declarações à
RTP após ser conhecida a sua saída, Mário Centeno afirmou que “o futuro a Deus
pertence”, afastando a ideia de fechar a porta a um eventual regresso à vida
política. Já José Luís Carneiro declarou estar disponível para receber Centeno
“de braços abertos” no partido (Executive Digest)