sábado, março 14, 2026

Terramoto de Cúcuta na Venezuela cria as maiores reservas de petróleo do mundo

A Venezuela possui 300 mil milhões de barris de petróleo comprovados, um quinto do total mundial concentrados principalmente na Faixa do Orinoco, tornando-se assim um ator estratégico global. E tudo começou porque a terra abanou pondo a descoberto o ouro negro. No início de 2026, o petróleo venezuelano voltou a fazer manchetes internacionais, não apenas pelas suas reservas impressionantes, mas também pelo contexto político. O presidente Nicolás Maduro foi capturado por tropas norte-americanas, e as declarações de Donald Trump sobre o “ouro negro” do país chamaram atenção a nível global. Segundo a Keyfacts Energy, de  janeiro de 2026, a Venezuela possui 300 mil milhões de barris de reservas comprovadas, representando quase um quinto do total mundial, superando potências como a Arábia Saudita e o Canadá.

O petróleo é a espinha dorsal da economia venezuelana, historicamente representando cerca de 95% das receitas de exportação, aproximadamente um quarto do PIB e quase metade da receita do Estado. A indústria petrolífera do país concentra-se principalmente na Faixa do Orinoco, onde se encontra a maior parte do petróleo bruto pesado e extrapesado. Além disso, a Venezuela é membro fundador da OPEP e um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

No que respeita ao gás natural, o país detém reservas estimadas entre 195 e 205 biliões de pés cúbicos, posicionando-o como um dos maiores detentores da América do Sul. Grande parte desse gás está associada à produção de petróleo e é utilizada principalmente para consumo interno.

O setor petrolífero venezuelano não é apenas um motor económico interno, mas também um recurso estratégico de relevância internacional. A combinação de vastas reservas de petróleo, produção concentrada em petróleo pesado e extrapesado e importância geopolítica faz com que qualquer movimentação política ou militar envolvendo a Venezuela tenha repercussões directas nos mercados energéticos globais.

“No entanto, esta abundância subterrânea não se traduziu numa produção sustentável nem numa estabilidade económica duradoura. A produção de crude venezuelano, que chegou a ultrapassar os 3,5 milhões de barris por dia no final do século XX, encontra-se hoje reduzida a uma fração desse valor devido a políticas internas, falta de investimento e sanções internacionais”, diz a Reuters. Segundo o eleconomistaes, atualmente a produção gera apenas 1,1% da produção glonral, aquém dos 10% que produzia em 1967.

Um começo inesperado: o papel do terremoto de Cúcuta

As origens documentadas da indústria petrolífera venezuelana remontam ao século XIX, muito antes da exploração comercial em grande escala. À época, a região fronteiriça entre a Colômbia e a Venezuela era conhecida por exsudações naturais de petróleo — manchas negras que brotavam no solo e em cursos de água — mas permaneciam praticamente sem ser compreendidas.

“Foi no contexto de um terrível terremoto que atingiu Cúcuta, na Colômbia, causando milhares de vítimas em 1875, que se começaram a notar afloramentos significativos de petróleo no subsolo dos arredores, incluindo áreas do estado venezuelano de Táchira. As fraturas geológicas provocadas pelo sismo expuseram bolsas de petróleo que, até então, permaneciam ocultas”, explica o site ultimasnoticas.

Motivados por estas manifestações naturais, pioneiros locais perfuraram o poço “Eureka” em 1878, na fazenda La Alquitrana, tendo alcançado crude a mais de 20 metros de profundidade. “Embora a produção fosse modesta e essencialmente experimental, este foi o primeiro poço de petróleo reconhecido no território venezuelano, lançando as bases da futura indústria que o país viria a construir”, continua a explica o Eleconomista.es

O primeiro boom comercial: Zumaque I e o Lago de Maracaibo

Em 1914, o poço Zumaque I, no campo de Mene Grande, estado de Zulia, marcou o início da produção petrolífera comercial no país, diz a Keyfacts Energy de Janeiro de 2026. O poço, perfurado a cerca de 135 metros de profundidade, entrou oficialmente em produção em 31 de julho de 1914, extraindo crude natural que impulsionou a exploração dos vastos recursos da região do Lago de Maracaibo, principal foco petrolífero da Venezuela nas décadas seguintes.

Segundo o Correio Braziliense, este marco histórico transformou rapidamente o país num dos principais protagonistas da economia global de petróleo ao longo do século XX. Nos anos que se seguiram, outros campos significativos foram descobertos, expandindo a capacidade de produção e atraindo empresas estrangeiras para concessões na Venezuela.

Reservas gigantes e desafios modernos

Hoje, grande parte das reservas venezuelanas concentra-se na Faixa Petrolífera do Orinoco, uma vasta formação de hidrocarbonetos pesados e extra‑pesados que representa uma das maiores acumulações de petróleo do mundo. Embora enorme em termos de volume, este tipo de crude exige tecnologia sofisticada para ser produzido economicamente, o que tem sido um desafio persistente para Caracas.

“Apesar da fortuna natural, as políticas económicas e a gestão da indústria — especialmente desde a nacionalização do setor na década de 1970 e o papel dominante da empresa estatal PDVSA — levaram à erosão da capacidade produtiva e a uma crise que moldou profundamente a trajectória económica e social da Venezuela”, explica a keyfactsenergy (Jornal Economico, texto da jornalista Teresa Cotrim)

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