Dois anos e duas eleições depois, os portugueses já não se mostram decididos na preferência por Luís Montenegro para governar o país. De acordo com o estudo feito pelo ICS/ISCTE para a SIC e o Expresso, a AD está apenas marginalmente no topo das intenções de voto, mas em linha com o PS e até com o Chega a morder-lhe os calcanhares. Em números, se as eleições legislativas fossem hoje, 25% do eleitorado votaria na AD, 24% no PS e 21% no Chega. Contudo, as margens de erro tocam umas nas outras, representando, na verdade, um empate técnico entre os três maiores partidos. Com a distribuição de indecisos (9%) mantém-se o empate técnico, mas as distâncias encurtam: o intervalo entre a AD e o PS desaparece e surgem ambos com 29% nas intenções de voto. Em terceiro lugar, com 25%, está o Chega. Isto representa uma queda de dois pontos percentuais da coligação que venceu duas legislativas face à última sondagem, publicada em novembro de 2025. Já o PS e o Chega sobem um ponto percentual cada um.
Como votaria se as legislativas fossem hoje?
Resultados do total da amostra e projeção do resultado eleitoral. A projeção é calculada pela distribuição da intenção de voto após a exclusão dos inquiridos que dizem não votar (8%) e a imputação dos inquiridos indecisos (9%). A diferença para 100% corresponde à intenção de votos em branco e votos nulos (2%). A variação corresponde à diferença com o resultado da última sondagem (28 nov. 2025)
Assim, fica confirmado, por um lado, a estagnação dos sociais-democratas e, por outro, o crescimento dos dois maiores partidos da oposição. Luís Montenegro, que cumpriu esta semana dois anos da primeira eleição, tem vindo a argumentar que a capacidade “reformista” do seu Governo vale mais do que o “reformismo de boca” dos adversários, no que também pode ser lido como uma resposta a Pedro Passos Coelho (ver pág. 9), depois de, na semana passada, ter anunciado a antecipação para maio das eleições diretas no PSD.
Se os valores forem comparados diretamente com as
legislativas de 18 de maio do ano passado, é o PS que protagoniza o maior
salto, com uma subida de seis pontos percentuais em relação aos 22,8%
conquistados por Pedro Nuno Santos. Estes valores parecem confirmar o caminho
escolhido pelo líder socialista (que também se recandidata agora ao cargo de
secretário-geral, com diretas este fim de semana). Além disso, esta subida
consistente dos socialistas deixa em disputa o título de líder da oposição, com
que André Ventura tem feito campanha no último ano (embora o Chega se mantenha
firme na colagem à liderança).
IL mantém, Livre cai e CDU sobe
A mudança de líderes na IL não parece ter surtido
efeitos. Segundo o estudo, as intenções de voto nos liberais fixam-se nos 4%
sem distribuição e nos 5% com distribuição, semelhantes aos 5,3% que Rui Rocha
alcançou nas legislativas. Há, no entanto, um aumento de um ponto percentual
relativamente à sondagem de novembro.
Esta ligeira subida acontece também com a CDU,
que, em quatro meses, sobe a intenção de voto dos 3% para os 4%, com
distribuição de indecisos. À esquerda, esta é a subida mais significativa
quando comparada com as legislativas. Em sentido inverso, é o Livre que mais
perde, com 2% com distribuição de indecisos, o que representa uma descida de um
ponto percentual para a última sondagem e dois pontos para o resultado
eleitoral que o tornou na maior bancada à esquerda do PS.
O BE, que também mudou de liderança após a
hecatombe das legislativas, mantém-se nos 2% das legislativas. Assim como o
PAN, que não ultrapassa os 1%. Ainda assim, todas as variações à esquerda caem
dentro da margem de erro.
FICHA TÉCNICA
Sondagem cujo trabalho de campo decorreu entre os dias 27 de fevereiro e 8 de março de 2026. Foi coordenada por uma equipa do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa) e do ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), tendo o trabalho de campo sido realizado pela GfK Metris. O universo da sondagem é constituído pelos indivíduos de ambos os sexos com idade igual ou superior a 18 anos e capacidade eleitoral ativa, residentes em Portugal Continental. Os respondentes foram selecionados através do método de quotas, com base numa matriz que cruza as variáveis sexo, idade (4 grupos), instrução (3 grupos), região (7 regiões NUTS II) e habitat/dimensão dos agregados populacionais (5 grupos). A partir de uma matriz inicial de região e habitat, foram selecionados aleatoriamente 100 pontos de amostragem, onde foram realizadas as entrevistas de acordo com as quotas acima referidas. A informação foi recolhida através de entrevista direta e pessoal na residência dos inquiridos, em sistema CAPI, e a intenção de voto recolhida através de simulação de voto em urna. Foram contactados 2778 lares elegíveis (com membros do agregado pertencentes ao universo) e obtidas 801 entrevistas válidas (taxa de resposta de 29%, taxa de cooperação de 46%). O trabalho de campo foi realizado por 39 entrevistadores, que receberam formação adequada às especificidades do estudo. Todos os resultados foram sujeitos a ponderação por pós-estratificação de acordo com a frequência de prática religiosa e a pertença a sindicatos ou associações profissionais dos cidadãos portugueses com 18 ou mais anos residentes no Continente, a partir dos dados da vaga mais recente do European Social Survey (Ronda 11). A margem de erro máxima associada a uma amostra aleatória simples de 801 inquiridos é de +/- 3,5%, com um nível de confiança de 95% (Expresso, texto das jornalistas Sofia Miguel Rosa e Margarida Coutinho)

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