A célebre frase de António José Seguro — “Qual é a pressa?” —, dita em 2013 para travar o impulso de António Costa para desafiar a sua liderança, tem sido invocada por estes dias para responder às muitas perguntas sobre o início do seu mandato como Presidente, empossado esta segunda-feira na Assembleia da República, mas ainda sem equipa em plenas funções. O motivo da demora é explicado de duas formas: as três semanas que teve entre a eleição e a posse foram curtas, e Seguro privilegiou as reuniões e contactos bilaterais que foi tendo afastados da agenda pública para preparar os vários dossiês com que teria de lidar a partir de 9 de março.
A reunião que teve
com o ministro dos Negócios Estrangeiros em Queluz, por exemplo, foi tornada
pública por Paulo Rangel e terá servido para preparar as muitas visitas de
chefes de Estado a Lisboa e as visitas do PR ao estrangeiro, que já estavam na
calha com Marcelo.
Além disso, Seguro é descrito como “ponderado”, ao ponto de fazer primeiras abordagens e listas para as várias posições antes de fazer os convites e montar o puzzle final da sua equipa. A completar tudo isto, um outro detalhe: Seguro esteve afastado da política durante 12 anos e a maior parte dos seus mais leais companheiros mudou-se para o sector privado, como é o caso de António Galamba, o que pode ser um handicap. Mais: a paridade, com igual representação de homens e mulheres, será um critério a ter em conta.
Diretor de
campanha terá antecipado que estaria indisponível para ir para Belém
Ao que o Expresso
apurou, o diretor de campanha, que muitos apontavam como tendo um lugar
assegurado em Belém, o deputado socialista Paulo Lopes Silva, terá feito saber
desde logo que não queria deixar a vida político-partidária (foi eleito
deputado pela primeira vez em maio), não escondendo eventuais ambições em
Guimarães, de onde é natural. Luís Sobral, que esteve à frente da comunicação
na campanha, já assumiu funções nessa área. E Rita Saias, que era consultora de
Marcelo para a juventude desde 2021 e que foi um elemento central na campanha
de Seguro, é já dada como certa na Casa Civil. Foi ela, de resto, que organizou
o evento com jovens no ISCSP, inserido nas cerimónias da tomada de posse.
Conselho de Estado
empurrado
São 12 assessores
(só se conhece um, Manuela Teixeira Pinto, na área diplomática), adjuntos,
secretários, consultores e, no topo de tudo, a chefia da Casa Civil. Para já,
Seguro nomeou Cláudia Ribeiro, com carreira na Administração Pública e no apoio
parlamentar, como secretária do Conselho de Estado e com a chefia transitória
da Casa Civil. Questionado pelos jornalistas sobre a nomeação transitória,
quando os seus antecessores anunciaram a escolha para a Casa Civil logo depois
da eleição, Seguro respondeu que as suas equipas “estão em construção”.
Ainda esta semana,
o Presidente terá uma reunião com as chefias militares, e houve uma alteração
nas tradicionais reuniões semanais com o primeiro-ministro: passam para as
terças-feiras, às 18h. Para as próximas semanas, as atenções estarão
concentradas no prometido Conselho de Estado sobre Segurança e Defesa, que
incluirá também o tema da reconstrução do país depois das tempestades. Esteve
prometido para março, mas ninguém acredita que acontecerá exatamente nesse
calendário, desde logo porque o Parlamento tem prevista a eleição dos novos
membros do Conselho de Estado para 1 de abril (se não for adiada outra vez).
Ao Presidente caberá nomear outros cinco elementos (a socialista Maria de Belém é um dos nomes mais falados). Deverá ser também em abril a primeira Presidência Aberta, dedicada à região centro, que se espera que coincida com a apresentação da versão final do PTRR por parte do Governo. Ou seja, Seguro não quer deixar Montenegro a falar sozinho sobre a reconstrução do país e vai querer marcar posição. Já o tema da Saúde, a que o Presidente dedicou especial atenção no discurso da posse, anunciando que iria convocar os partidos “em breve”, não será para tão em breve quanto isso (Expresso, texto da jornalista Rita Dinis)

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