sábado, março 14, 2026

Seguro sem pressa para fechar equipa e marcar Conselho de Estado

A célebre frase de António José Seguro — “Qual é a pressa?” —, dita em 2013 para travar o impulso de António Costa para desafiar a sua liderança, tem sido invocada por estes dias para responder às muitas perguntas sobre o início do seu mandato como Presidente, empossado esta segunda-feira na Assembleia da República, mas ainda sem equipa em plenas funções. O motivo da demora é explicado de duas formas: as três semanas que teve entre a eleição e a posse foram curtas, e Seguro privilegiou as reu­niões e contactos bilaterais que foi tendo afastados da agenda pública para preparar os vários dossiês com que teria de lidar a partir de 9 de março.

A reunião que teve com o ministro dos Negócios Estrangeiros em Queluz, por exemplo, foi tornada pública por Paulo Rangel e terá servido para preparar as muitas visitas de chefes de Estado a Lisboa e as visitas do PR ao estrangeiro, que já estavam na calha com Marcelo.

Além disso, Seguro é descrito como “ponderado”, ao ponto de fazer primeiras abordagens e listas para as várias posições antes de fazer os convites e montar o puzzle final da sua equipa. A completar tudo isto, um outro detalhe: Seguro esteve afastado da política durante 12 anos e a maior parte dos seus mais leais companheiros mudou-se para o sector privado, como é o caso de António Galamba, o que pode ser um handicap. Mais: a paridade, com igual representação de homens e mulheres, será um critério a ter em conta.

Diretor de campanha terá antecipado que estaria indisponível para ir para Belém

Ao que o Expresso apurou, o diretor de campanha, que muitos apontavam como tendo um lugar assegurado em Belém, o deputado socialista Paulo Lopes Silva, terá feito saber desde logo que não queria deixar a vida político-partidária (foi eleito deputado pela primeira vez em maio), não escondendo eventuais ambições em Guimarães, de onde é natural. Luís Sobral, que esteve à frente da comunicação na campanha, já assumiu funções nessa área. E Rita Saias, que era consultora de Marcelo para a juventude desde 2021 e que foi um elemento central na campanha de Seguro, é já dada como certa na Casa Civil. Foi ela, de resto, que organizou o evento com jovens no ISCSP, inserido nas cerimó­nias da tomada de posse.

Conselho de Estado empurrado

São 12 assessores (só se conhece um, Manuela Teixeira Pinto, na área diplomática), adjuntos, secretários, consultores e, no topo de tudo, a chefia da Casa Civil. Para já, Seguro nomeou Cláudia Ribeiro, com carreira na Administração Pública e no apoio parlamentar, como secretária do Conselho de Estado e com a chefia transitória da Casa Civil. Questionado pelos jornalistas sobre a nomeação transitória, quando os seus antecessores anunciaram a escolha para a Casa Civil logo depois da eleição, Seguro respondeu que as suas equipas “estão em construção”.

Ainda esta semana, o Presidente terá uma reunião com as chefias militares, e houve uma alteração nas tradicionais reuniões semanais com o primeiro-ministro: passam para as terças-feiras, às 18h. Para as próximas semanas, as atenções estarão concentradas no prometido Conselho de Estado sobre Segurança e Defesa, que incluirá também o tema da reconstrução do país depois das tempestades. Esteve prometido para março, mas ninguém acredita que acontecerá exatamente nesse calendário, desde logo porque o Parlamento tem prevista a eleição dos novos membros do Conselho de Estado para 1 de abril (se não for adiada outra vez).

Ao Presidente caberá nomear outros cinco elementos (a socialista Maria de Belém é um dos nomes mais falados). Deverá ser também em abril a primeira Presidência Aberta, dedicada à região centro, que se espera que coincida com a apresentação da versão final do PTRR por parte do Governo. Ou seja, Seguro não quer deixar Montenegro a falar sozinho sobre a reconstrução do país e vai querer marcar posição. Já o tema da Saúde, a que o Presidente dedicou especial atenção no discurso da posse, anunciando que iria convocar os partidos “em breve”, não será para tão em breve quanto isso (Expresso, texto da jornalista Rita Dinis)

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