quarta-feira, outubro 23, 2013

Os custos escondidos dos voos ‘low cost’

Segundo o Economico, num texto da jornalista Hermíonio Carvalho, "ao comprar o bilhete numa companhia aérea ‘low cost’ está apenas a pagar a deslocação. Mas será que compensa se quiser usufruir de outros produtos?
Se o seu objectivo é deslocar-se do ponto A ao ponto B, podem não restar muitas dúvidas quanto ao tipo de companhia que procura, mas se à deslocação quiser acrescentar transporte de bagagem ou um simples copo de água durante a viagem, será que compensa? Na altura de comprar o bilhete, talvez queira ter em conta quanto custa o seu tempo e o seu conforto durante todo o processo de viagem. E lembre-se, como dizem os especialistas, uma viagem de avião pode ser só por si uma experiência muito desgastante.
As companhias ‘low cost' justificam os preços baixos dizendo que a diferença está nos serviços que os consumidores estão dispostos a pagar. E os preços podem ser muito díspares. Uma viagem de ida e volta entre Lisboa e Paris, por exemplo, pode custar-lhe 51,98 euros ou 137,57 euros euro, consoante opte por uma ‘low cost' e uma companhia de bandeira. A Ryanair, que começa a voar a partir de Lisboa a 26 de Novembro, cobra 51,98 euros, o que lhe dá direito a entrar no avião, com uma bagagem de mão até dez quilos, e a deslocar-se entre as duas capitais. Mas tudo o resto é pago à parte. Bagagem de porão, seguro de viagem, alimentação ou a possibilidade de escolher o seu lugar. No final, feitas as contas, será que compensa?
"Há quem prefira um produto com tudo incluído, evitando a opção ‘low cost' quando possível", diz Peter Morris, especialista em aviação e economista-chefe da Ascend Worldwide, alertando para a tendência das companhias tradicionais começarem a seguir um modelo de negócio semelhante ao das companhias de baixo custo, desagregando produtos e dando aos consumidores a possibilidade de escolher o que querem consumidor. A tarifa base da Air France, por exemplo, não inclui - como acontece com as ‘low cost' - o transporte de bagagem de porão. "Se todas as companhias adoptarem a mesma estratégia de preço das ‘low cost', há o perigo de serem todas mais caras, e de terem uma desagregação de produtos irritante", diz Morris. Se quiser viajar para Paris, a tarifa mais básica da TAP custa-lhe 137,57 euros. Ao comprar a viagem está também a comprar o direito de despachar uma mala com até 23 Kg, e outra de mão com até oito quilos. O bilhete ainda lhe dá direito a um pequeno-almoço completo com carnes frias, queijos, iogurtes, pão e manteiga e serviço de bebidas e cafetaria. Se precisar de um copo de água basta pedi-lo à hospedeira. Além disso, ainda tem direito a jornais. Se quiser pode mudar a data do bilhete, sujeito a penalização, mas não pode reaver o dinheiro se desistir da viagem. O preço na TAP não é muito diferente - mais 10 cêntimos - do que é praticado pela Air France, com direito a serviços semelhantes. Mas a companhia francesa dá-lhe a opção de não despachar bagagem. Se achar que consegue levar tudo o que precisa numa mala de mão, então pode poupar 15 euros, e o bilhete fica por 122,65 euros.
No universo das companhias tradicionais existe ainda uma terceira opção: a Lufthansa. Mas sem voos directos entre Lisboa e Paris, esta será a escolha mais cara, além do tempo que irá gastar, já que as ligações obrigam sempre a uma escala. Assim, o bilhete custa 184,4 euros, mas permite transportar até 23 quilos de bagagem no porão, uma mala de mão, e dá direito a jornais e a uma refeição quente entre Lisboa e a ‘snacks' na última parte da viagem. Nas companhias ‘low cost', sem excepção, está apenas a comprar a viagem e tudo o resto é pago à parte. As tarifas mais baixas são as da Ryanair, que a partir de 26 de Novembro começa a voar a partir de Lisboa para Paris, Bruxelas, Londres e Frankfurt. Os preços são quase metade do praticado pela Transavia, menos 25 euros do aplicado na easyJet. Mesmo depois de somar ao preço do bilhete todos os ‘extras' já incluídos nas tarifas da TAP ou da Lufthansa, apenas as viagens na Ryanair acabam por ficar mais baratas do que nas companhias tradicionais. Isto no cenário-base estudado, relativo à ligação entre as capitais portuguesa e francesa. Quando aterrar em Paris, há ainda que percorrer a distância entre o aeroporto e o centro da cidade. E se para si o tempo é dinheiro, a Transavia pode ser a melhor opção. Aterra no aeroporto de Paris Orly Sud, a menos de 20 quilómetros de distância. Já a Ryanair deixa-o no aeroporto de Beauvais, a mais de 100 quilómetros, e mais de uma hora de viagem até à cidade. E a viagem de autocarro custa mais 16 euros. Ou seja, na hora de escolher pense bem em todos os prós e contras"