Segundo o Dinheiro Vivo, "Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças, está de volta ao seu gabinete no Banco de Portugal. Uma semana depois de apresentar a sua demissão, o ex-ministro das Finanças regressou ao anterior cargo de consultor do conselho de administração, avança o Expresso, tendo já participado em algumas reuniões. O regresso, acrescenta o semanário, começou a ser preparado no final da semana passada, apesar do desenho do Governo ainda não estar fechado. Com 52 anos, o ex-ministro é conselheiro do Banco de Portugal desde fevereiro de 2010. Antes, entre 1988 e 2004, tinha sido diretor-geral do departamento de pesquisa do Banco Central Europeu e uma das hipóteses, avançadas na semana passada, dava-o como possível candidato ao cargo de comissário europeu, na próxima rotação. No Banco de Portugal, Gaspar vai acompanhar de perto a execução do programa de ajustamento. As exceções abertas pelo Governo na reforma do Estado e a perda de credibilidade junto à troika foram os últimos argumentos para a saída de Vítor Gaspar que viu com maus olhos o recuo do Executivo perante os professores e temia que sejam abertas novas exceções depois do Governo se ter comprometido a cortar 4,7 mil milhões na despesa até 2015. Na carta enviada ao primeiro-ministro, Vítor Gaspar lembra o "pesado fardo" sobre Passos Coelho e garante que os "riscos e desafios dos próximos tempos são enormes". Num recado a Portas, o ex-ministro garante ainda que é sua "firme convicção" que a sua saída "contribuirá para reforçar a sua liderança [de Passos Coelho] e a coesão da equipa governativa". O maior "risco" é sem dúvida um novo chumbo - seria o terceiro - do Tribunal Constitucional às medidas previstas para a reforma do Estado, nomeadamente a convergência retroativa das pensões. Apesar de Passos acreditar que o único caminho é o da consolidação interna – já o repetiu por várias vezes -, cumprindo as metas acordadas com a troika, um travão do Constitucional à reforma do Estado seria mortal para o défice combinado pelo Governo para 2013 e 2014".