Segundo o Jornal I, "há medidas que merecem compreensão, mas inquiridos consideram que os docentes deveriam mesmo trabalhar mais horas por semana, como pretendia o governo. Tanto os sindicatos de professores como o Ministério da Educação saem manchados da greve que prejudicou a realização dos exames nacionais de cerca de 20 mil alunos. Os inquiridos reconhecem mérito na contestação a algumas medidas do governo, mas consideram que os docentes devem mesmo trabalhar mais horas. Houve três grandes bandeiras a servir de guia à greve de 17 de Junho dos professores: recusa de ver o horário de trabalho semanal passar das 35 para as 40 horas, recusa de ser colocados a uma distância de até 200 quilómetros, caso não houvesse vagas mais perto; e recusa de ser integrados no regime de mobilidade especial caso não estivessem a dar aulas. Nem toda as exigências mereceram a concordância dos participantes no barómetro. No que diz respeito à distância a que podem ser colocados e à integração no regime de mobilidade especial, rejeição absoluta. No primeiro campo, 61,7% dos inquiridos mostram-se solidários com os argumentos dos sindicatos, apesar de 36,6% considerarem que essa medida do governo era positiva. A margem de compreensão é menor quando a questão passa pela integração dos docentes no regime de mobilidade especial caso não tenham sido colocados numa escola. Aqui, 55,9% dos participantes continuam a apoiar a posição sindical, contra os 38,7% que admitem ser essa uma boa solução. A posição é, no entanto, diferente quando em cima da mesa está o aumento da carga horária. A pretensão do governo de acrescentar cinco horas ao horário semanal - levando a uma aproximação aos horários do sector privado - é considerada positiva por 54,6% dos inquiridos. A dez pontos de distância, são 44,2% os participantes que consideram que esta mudança seria prejudicial à qualidade do ensino. As posições surgem algo extremadas nesta questão, uma vez que os 30,2% de pessoas que concordam totalmente com o aumento do horário de trabalho contrastam com os 32,5% de participantes que dizem o oposto: não concordam com o governo, que, de resto, acabou por abandonar a proposta do ministério de Nuno Crato, após uma série de negociações com os sindicatos. No balanço deste braço-de-ferro, sindicatos (por 30,9%) e ministério (35,5%) são chamados à responsabilidade em graus semelhantes. Mais de 30% consideram que ambas as partes ficaram mal na fotografia"