A
comunicação hoje ao país do Presidente da República surpreendeu na medida em
que além de não ter aceite a proposta governativa da coligação - o que desde
logo coloca a questão de saber se o fez por não acreditar na solidez do
entendimento PSD-CDS, o que me parece absolutamente natural e lógico - teceu
considerações sobre a realidade política e os desafios do país até Junho de
2014 e procura chamar o PS a um acordo que, sinceramente, me parece distante
devido a radicalização de posições mas que esconde a manhosice presidencial de
tentar encontrar nos socialistas uma "almofada" que possa viabilizar a catástrofe social causada por
medidas que serão anunciadas em breve no quadro da redução da despesa do estado
a que se juntará um orçamento para 2014 que tudo indica será mais um
instrumento de bandalhice.Um
potencial erro de Cavaco Silva pode ser o de, aos olhos das pessoas, estar a
forçar um acordo partidário entre os subscritores do memorando de entendimento
- deixando a esquerda mais radical marginalizada, como é natural e
compreensível - é que parece apostado em manter esta política de austeridade,
ignorando os seus efeitos e o fracasso das opções tomadas, aliás reconhecido
pelo próprio ministro Gaspar na sua patética carta de demissão com recados em
várias direções. E é mau que o Presidente se transforme neste altura, depois de
Gaspar o ter sido durante dois anos, numa nova versão do Miguel de Vasconcelos
da troika, dos credores, da banca e dos especuladores europeus.