Uma palhaçada: só isso consegue avaliar o que aconteceu nas últimas duas semanas, com a ideia de salvação nacional destruída pela falta de concertação. É quase ridículo que os três partidos - se isto é arco da governação, não sei, não - que andaram a negociar um entendimento cheguem ao fim de mãos vazias.
Um acordo genérico era fácil - défice, dívida, crescimento - mas os interlocutores andaram entretidos com minudências. O PS queria a TAP com capitais lusos. O PSD queria amarrar politicamente o PS à austeridade. E, no meio de tanto disparate e maquiavelismo, o acordo derrapou. Só podia. Quando o método passa por nunca redigir uma folha com as propostas comuns - isso, nunca quiseram pôr num a4 o que concordavam- nunca podia haver consenso.
Cavaco, claro, foi o mais anjinho de todos. Primeiro achou que tinha partidos à altura da responsabilidade. Depois, precipitou-se para uma moção de censura velada a este governo. Pelo meio passou a ideia de que o país estava à beira do precipício e que precisava de uma clarificação, mesmo que não precisasse de eleições antecipadas.
No final, Cavaco recuou, mas os fundamentais ficaram: este é um governo fragilizado, este é um PS mais preocupado em rasgar tudo, este é um país que - vendendo credibilidade - caiu consideravelmente na percepção dos mercados. Cavaco até pode pôr uma tábua sobre tudo isto. Mas que a soalho está podre, está. (fonte: Dinheiro Vivo)
Um acordo genérico era fácil - défice, dívida, crescimento - mas os interlocutores andaram entretidos com minudências. O PS queria a TAP com capitais lusos. O PSD queria amarrar politicamente o PS à austeridade. E, no meio de tanto disparate e maquiavelismo, o acordo derrapou. Só podia. Quando o método passa por nunca redigir uma folha com as propostas comuns - isso, nunca quiseram pôr num a4 o que concordavam- nunca podia haver consenso.
Cavaco, claro, foi o mais anjinho de todos. Primeiro achou que tinha partidos à altura da responsabilidade. Depois, precipitou-se para uma moção de censura velada a este governo. Pelo meio passou a ideia de que o país estava à beira do precipício e que precisava de uma clarificação, mesmo que não precisasse de eleições antecipadas.
No final, Cavaco recuou, mas os fundamentais ficaram: este é um governo fragilizado, este é um PS mais preocupado em rasgar tudo, este é um país que - vendendo credibilidade - caiu consideravelmente na percepção dos mercados. Cavaco até pode pôr uma tábua sobre tudo isto. Mas que a soalho está podre, está. (fonte: Dinheiro Vivo)