Em junho de 2010, escrevi uma prosa que resume o dilema presente do PS . Sim, nada mudou, a não ser a espuma. O problema continua a ser o choque entre a defesa do status quo socialista e a defesa do Euro, no fundo, é o choque entre as duas identidades que Soares, a partir de 77, injectou no PS: a identidade socialista e a identidade europeísta; guiado pelo PS, Portugal devia estar no centro da construção europeia e, ao mesmo tempo, devia criar um estado social retirado do modelo estatista francês. Em 2010 já era evidente que as identidades soaristas estavam em choque; em 2013, a jogada de Cavaco apenas levantou o véu sobre este dilema do PS, que, na verdade, é o dilema do país: ou ficamos no Euro e reformamos o Estado ou saímos do Euro para manter o status quo interno; ou ficamos na Europa ou recuamos para um "orgulhosamente sós" socialista. O Dr. Soares não quer escolher, o Dr. Soares e os soaristas nem sequer reconhecem a existência do dilema. Portanto, está na altura de meter o Dr. Soares na gaveta.
E é isso que o PS vai fazer. Agora ou depois. Neste momento, os senhores do Rato estão a seguir à risca o guião da treta de Hollande: choram todos os dias contra a "austeridade neoliberal" para ganhar votos; quando voltarem ao poder, vão impor uma "austeridade de esquerda" que será igualzinha à "austeridade neoliberal"; um ano depois, tal como o PSF, o PS cairá a pique nas sondagens . Neste sentido, seria mais honesto assumirem já uma posição realista perante o país. Mas, ora essa, encontrar honestidade no Largo do Rato é como encontrar inteligência na São Caetano. O PS só quer voltar ao poder depois do fim do nosso ajustamento económico e depois das eleições alemães em Setembro - um santo graal para muita gente. Sim, o PS está com receio de voltar ao poder antes do tempo. Debaixo da prosápia das "eleições antecipadas", há ali muito medinho, porque esta gente sabe que entrar agora no governo significa um massacre na popularidade, significa guiar o país durante mais um ano de ajustamento.
Agora ou depois, o PS vai chegar ao momento da decisão: ou mete Soares, Arnaut e Alegre na gaveta, ou engaveta o país. Ou segue esta versão simultaneamente decrépita e adolescente de Soares, ou recupera a melhor hora de Soares (83-85). Para terminar, convém dizer que o raciocínio desta coluna só perde validade se o PS começar a namorar o escudo. Mas aí, sim, teríamos política à séria. Aí, sim, teríamos o suicídio do PS. Ou do país" (texto de Henrique Raposo, Expresso com a devida vénia)
E é isso que o PS vai fazer. Agora ou depois. Neste momento, os senhores do Rato estão a seguir à risca o guião da treta de Hollande: choram todos os dias contra a "austeridade neoliberal" para ganhar votos; quando voltarem ao poder, vão impor uma "austeridade de esquerda" que será igualzinha à "austeridade neoliberal"; um ano depois, tal como o PSF, o PS cairá a pique nas sondagens . Neste sentido, seria mais honesto assumirem já uma posição realista perante o país. Mas, ora essa, encontrar honestidade no Largo do Rato é como encontrar inteligência na São Caetano. O PS só quer voltar ao poder depois do fim do nosso ajustamento económico e depois das eleições alemães em Setembro - um santo graal para muita gente. Sim, o PS está com receio de voltar ao poder antes do tempo. Debaixo da prosápia das "eleições antecipadas", há ali muito medinho, porque esta gente sabe que entrar agora no governo significa um massacre na popularidade, significa guiar o país durante mais um ano de ajustamento.
Agora ou depois, o PS vai chegar ao momento da decisão: ou mete Soares, Arnaut e Alegre na gaveta, ou engaveta o país. Ou segue esta versão simultaneamente decrépita e adolescente de Soares, ou recupera a melhor hora de Soares (83-85). Para terminar, convém dizer que o raciocínio desta coluna só perde validade se o PS começar a namorar o escudo. Mas aí, sim, teríamos política à séria. Aí, sim, teríamos o suicídio do PS. Ou do país" (texto de Henrique Raposo, Expresso com a devida vénia)