sexta-feira, julho 12, 2013

O erro político dos Verdes



O pequenote partido dos Verdes - que só existe porque anda a reboque do PCP no quadro de uma coligação eleitoral, justificada apenas pelo facto do PCP ter medo de dar a cara sozinho e do seu logotipo aparecer isolado nos boletins de voto - resolveu hoje apresentar a moção de censura a que tem direito porque é grupo parlamentar graças aos 2 deputados que tem, na Assembleia da República. PS, PCP e Bloco já apresentaram antes moções de censura que foram sistematicamente derrotadas pela maioria, cenário que voltará a acontecer uma vez mais, e disso não tenho dúvidas.
O problema é que o PCP, que por vezes tem a mania que estratégia política e manhosice parlamentar é com ele, acaba de permitir que o filhote Verdes tome uma iniciativa política absolutamente errada, temporalmente desajustada, dada a conjuntura presente e politicamente patética. Desde logo porque se reservava para ver se o governo de coligação, ele próprio, se sentiria obrigado ou não a apresentar uma moção de confiança, iniciativa que estava em discussão no seio da maioria. Em seguindo lugar porque tal como sempre referi, o CDS de Portas, independentemente das guerras que tenha com o PSD na coligação nunca, repito, nunca votará a favor da esquerda de forma a provocar a queda deste governo e desta coligação.
Por isso a moção de censura do filhote do PCP, que será votada quinta-feira, é uma asneira política, mas com isso nada tenho a ver, e terá o seguinte desfecho em termos de votação: PS contra, porque já o fez antes e receia que uma abstenção possa ser aproveitada social e eleitoralmente pela esquerda mais radical, PCP e Bloco, que tal como os socialistas não podem apresentar mais moções de confiança neste sessão legislativa, também votarão contra tal como os dois deputados dos Verdes.
Estamos a falar de uma iniciativa política e parlamentar que serve o governo de coligação, já que a certeza de que os 132 deputados da maioria - a oposição fica-se pelos 98 - votarão solidamente contra aquela iniciativa, o que cria um problema acrescido ao Presidente da República para adotar uma posição política de afrontamento do atual quadro parlamentar. Ainda por cima quando Passos, provocatoriamente, se recusou hoje, no debate parlamentar, a demitir-se, dando claramente a entender que neste momento, aos portugueses e o país não existe outra alternativa que não seja a continuidade deste governo. Bem ao estilo patético do "ou nós ou o caos". Com tiros no pé destes o PCP e seu filhote certamente serão da maior utilidade para a coligação e para os seus argumentos políticos.