Segundo o Económico, num texto da jornalista Ana Petronilho, "os cursos com mais de 13% de desemprego entre os seus diplomados são forçados a reduzir a sua oferta em 10%. Mais de 250 cursos superiores vão já este ano ser forçados a aplicar uma redução de 10% nas suas vagas devido à alta taxa de desemprego verificada entre os seus diplomados. De acordo com os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), há 253 licenciaturas e mestrados em que 12,95% ou mais dos alunos diplomados entre 2006 e 2011 se encontram inscritos num centro de emprego. É esta a fasquia a partir da qual, de acordo com as regras estabelecidas pelo Ministério da Educação, se deve aplicar o corte máximo exigível no total de novas admissões. Entre estes 253 cursos - 242 licenciaturas e 11 mestrados - a maioria encontra-se no ensino politécnicos (151). Estes são alguns dos dados que resultam do levantamento feito pelo IEFP que serviu de indicador base às insituições de ensino superior e à Direcção Geral de Ensino Superior (DGES) para a distribuição das vagas para o ano lectivo de 2013/2014, a que o Diário Económico teve acesso. Da lista de 857 cursos que têm alunos diplomados entre os anos lectivos de 2006/2007 e 2010/2011 no desemprego, mais de metade (61%) encontra-se em zonas periféricas e do interior do país. É o caso dos politécnicos de Bragança e Viseu, ou as universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Évora e Algarve. Tanto os reitores como os presidentes dos politécnicos contestam a análise sumária desta dados e a ideia de construir um ranking por instituições, argumentando que "é preciso ter em conta o universo de alunos e o número total de cursos de cada instituição". Posição defendida pela vice-presidente do Instituto Politécnico do Porto (IPP), Delminda Lopes, para quem "há uma gestão diferente das vagas de uma instituição com 18 mil alunos e de uma instituição com oito mil alunos". Além disso, sublinha, o IPP "já está a ajustar e a gerir as vagas em função da procura e do mercado de trabalho", tendo feito "uma redução de vagas, em alguns cursos, superior até ao que foi imposto pelo Ministério". Mais que isto, os reitores contestam também os próprios dados do IEFP. João Guerreiro, O reitor da Universidade do Algarve, explica que "quase metade" dos 14 cursos daquela universidade que se encontram nesta lista "já foram encerrados" - caso das licenciaturas em Física e Arqueologia. E explica mesmo que essa foi a razão que levou a própria Universidade a decidir o seu encerramento em anos lectivos anteriores: "acabaram justamente porque detectamos que tinham pouca empregabilidade". Ainda assim, João Guerreiro reconhece que existem cursos com uma baixa empregabilidade, em grande medida porque os diplomados tendem a procurar emprego apenas "a nível regional" e não "a nível nacional". E o Algarve "tem uma taxa de desemprego acima dos 20%" lembra o reitor. Também o reitor da Universidade do Minho, António Cunha, diz que já encerrou alguns destes cursos com maior desemprego, frisando que está "atento ao mercado de trabalho" e garantindo que tem vindo "a reduzir e a ajustar a oferta já há algum tempo". Ao levantamento realizado pelo IEFP é necessário excluir os cursos das áreas das artes, aos quais não se aplicam as regras de redução das vagas. O Ministério da Educação explica que "esta excepção, que tem o acordo das instituições de ensino superior, é uma forma de apoiar o desenvolvimento do ensino nesta área e de ter em consideração as características próprias dos cursos que nalguns casos exigem mesmo uma relação fortemente personalizada".