Li no Dinheiro Vivo que há uma forte
entrada de grupos empresariais da Madeira no aumento de capital do Banif. A
aquisição de ações no âmbito da oferta pública de subscrição por parte destas
empresas foi confirmada ao Dinheiro Vivo. Várias fontes do banco do Funchal
garantiram que a oferta terá “ultrapassado os 100 milhões de euros” de ações,
colocadas à venda nos balcões ao preço unitário de 1 cêntimo cada. “Há um
conjunto importante de empresários madeirenses, quer individuais quer grupos
residentes e espalhados pelo mundo (emigração), que com esta operação podem vir
a representar entre os 20% e os 25% do atual aumento de capital. Há uma vontade
enorme em atribuir à Madeira um papel importante no núcleo acionista do banco,
reforçando assim a sua posição”, referiu uma das fontes.
Até ao momento, a representação
madeirense rondará os 2% do capital social, o que significa que houve uma
grande aposta no plano de recapitalização do banco, um forte investimento
estratégico e um retorno às origens por parte dos acionistas madeirenses. “Há
boas perspetivas de investimento. O mercado-alvo do Banif continuam a ser as
regiões autónomas, onde mantém uma posição de liderança, nomeadamente junto das
comunidades de emigrantes. Ou seja, estamos a regressar ao passado. Após a
euforia de abertura de novas agências, a aposta centra-se, essencialmente, na
concentração de captação de investimento nestes mercados”, adiantou. Outra
fonte salienta o facto de Jorge Tomé, presidente executivo, ter sido a
figura-chave deste processo, “deslocando-se a vários países, como Venezuela,
áfrica do Sul e Estados Unidos, garantindo desta forma o êxito da operação ”,
referiu.
Depois da venda de ações, o banco
passará agora pela emissão de 250 milhões em obrigações, desconhecendo-se, para
já, se o investimento dos grupos madeirenses também se estenderá a esta fase.
Sobre as recentes quedas das ações em Bolsa, depois da forte valorização dos
títulos na passada quarta-feira, quando o Banif subiu mais de 36%, fontes do
banco consideram que houve uma corrida aos títulos vendidos a retalho (1 cêntimo)
e às cotadas em Bolsa. Isto é, sublinham, “não há nada de irracional nesta
situação”.“Se existe a possibilidade de comprar ações (em balcão) a 1 cêntimo e
sabendo-se que o preço do mercado é superior, bastava vendê-las imediatamente a
seguir para os acionistas registarem mais-valias”, dizem.
A família Roque
Uma das questões que, ainda, se coloca
sobre a mesa é o conflito interno da família Roque e as possíveis implicações
no grupo. As mesmas fontes reconhecem que a situação “não está ultrapassada mas
não atinge o Banif”. O problema de saber se os sócios são a mãe (Fátima Roque,
ex-mulher de Horácio Roque) ou as filhas (Teresa e Cristina Roque) não traz
implicações ao banco, garantem os mesmos responsáveis, já que isto não
interfere na gestão. “A gestão hoje é Jorge Tomé, presidente executivo, com
Luís Amado, chairman. É uma gestão profissional que não mete família. Portanto,
ninguém tem essa preocupação”, garante outra fonte. Recorde-se que já em finais
de junho (cumprindo os compromissos assumidos no Plano de Recapitalização) o
Banif aumentou o capital em 100 milhões subscritos pelos principais acionistas
(75 milhões da Rentipar Financeira, holding detida pelas filhas do fundador do
banco com 54% do Banif) e 25 milhões do grupo Auto-Industrial (13%). Na reunião
da assembleia geral do banco, a 16 de janeiro, os acionistas aprovaram o
reforço de capitalização com acesso a 1,1 mil milhões de euros em capitais
públicos, ficando o Estado como acionista maioritário pelo menos até junho. Aí
ficou deliberado que o capital seria de 450 milhões, através de oferta pública
de subscrição até 30 de junho. Cumprido o objetivo, prevê-se que o Estado
reduza a sua participação de 99,2% para 60,6% das ações e de 98,7% para 49,9%
dos votos passando então o controlo para os privados.