Li no Económico que "defensor de uma Europa federal, aconselha os britânicos a pensar com calma na saída da UE. Richard Parker, economista de Harvard, acredita que a Europa irá ultrapassar a crise e que o papel do BCE liderado por Draghi está no caminho correcto.
A Europa deve caminhar para o federalismo?
- Sou a favor de uma Europa federal, mas é preciso que se consiga construir um federalismo progressista. Basicamente, um federalismo em que tudo tem que ser transparente, desde os contratos aos salários públicos, aos benefícios públicos. Porque a erosão da confiança no que toca à ideia do projecto europeu tem sido um dos sintomas mais notados nos últimos anos. Há um grande cepticismo actualmente em relação à UE.
A saída do Reino Unido colocará a Europa sob risco?
- Absolutamente. Acho que não significará um falhanço do processo federal europeu. Mas o Reino Unido está, mais uma vez, a contar com a sua relação única com os Estados Unidos. É um jogo perigoso.
Há um risco para a zona euro?
- Acho que não, porque agora temos um banco central que começa a actuar como um banco central. A crise na Grécia, na Irlanda e em Portugal foi muito pior porque o BCE não actuou como um banco central. Não foi dada liquidez de forma rápida, que é no fundo o que um banco central tem que fazer. A resposta do BCE à crise foi muito tardia, muito pequena e feita de pequenos passos. O BCE de Draghi é um BCE diferente do de Trichet e, na minha opinião, segue o modelo correcto.
Concorda com a ideia de que a austeridade não é solução para a crise?
- Não há experiência nenhuma que mostre que a austeridade resolve de facto alguma coisa. Há uma diferença entre a recessão que resulta dos ciclos normais da economia e a que resulta do colapso financeiro. Temos um clara recessão do sector financeiro e neste ambiente austeridade é o pior caminho a seguir. Estamos a tentar restaurar a confiança do consumo e da procura e as políticas de austeridade dão mais razões para destruir o optimismo necessário. Acho isto completamente louco.
Deve haver mais tempo para os ajustamentos que os países têm que fazer, como defende o PS?
- Sim, por mais do que um motivo. Primeiro, a necessidade de fazer mudanças domésticas. A Grécia precisa de fazer essas mudanças e está a fazê-las. Algumas podem ser feitas rapidamente, como a informatização dos serviços públicos, mas outras, como pôr novas políticas de recursos humanos em funcionamento, não acontecem de um dia para o outro. Depois, porque vivemos numa economia cíclica e se Portugal e a Grécia dependem da recuperação da Europa, que depende da recuperação mundial, temos um problema. Porque a Europa não está a crescer, portanto não se pode esperar que estes países cresçam"