terça-feira, fevereiro 05, 2013

Retoma de 2014 será pouco ou nada sentida pelas famílias

Li aqui que "a retoma da economia prevista para 2014 será pouco ou nada sentida pelas famílias portuguesas e arrastará para mínimos o contributo da procura interna esperada para o próximo ano. O Governo, através do IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, na apresentação que levou aos investidores internacionais de dívida pública, revela inclusive que a procura doméstica pode vir a ser negativa, mas sublinha que as exportações, puxada pelo aumento da procura dos mercados de fora da Europa, podem salvar a situação, mantendo o crescimento económico à tona. De acordo com dados oficiais, o contributo do consumo privado para a taxa de crescimento de 0,8% será de apenas 0,1 pontos percentuais, o valor mais baixo de todos os episódios de recuperação registados desde 1961. O mesmo acontecerá com a procura interna (que inclui os efeitos do investimento total e do consumo público), que oferecerá uma ajuda de apenas 0,2 pontos percentuais, o valor mais baixo nos 53 anos de observações. Na extensa apresentação de 87 páginas que levou aos investidores estrangeiros em janeiro – em vésperas do leilão sindicado de dívida de longo prazo feito, com relativo sucesso, no dia 23 – o IGCP, que é tutelado pelo Ministério das Finanças, fixa uma data provável para o início da retoma. “Os indicadores coincidentes apontam para uma melhoria da atividade económica no curto prazo: espera-se o regresso a um crescimento positivo no terceiro trimestre”, lê-se no documento.
É uma posição mais otimista que a do Banco de Portugal, por exemplo. Este estima uma contração mais profunda da economia neste ano (-1,9% contra -1%, defendido pelo Governo), refletindo nos novos cálculos a forte desaceleração da economia da zona euro. O Governo vê a situação de forma diferente. Na apresentação do IGCP pode ler-se que “o contributo das exportações líquidas [exportações menos importações] mais do que compensa a procura interna negativa em 2014”. Contudo, no mesmo documento, as autoridades dizem, no quadro das projeções macroeconómicas (o mesmo que acompanha o OE/2013), que a procura interna deve avançar 0,2%, oferecendo um contributo de uma décima para a taxa de crescimento. O Governo acredita que o motor da economia (o externo) continuará a beneficiar de “um ritmo saudável de crescimento do contributo da procura externa líquida”, destacando a “diversificação geográfica”, a “maior diversificação industrial das exportações de bens portuguesas” e o maior peso dos sectores de “maior valor acrescentado”. Dentro de portas, a retoma (que até pode ser mais fraca do que se diz) deverá passa ao lado da maioria das famílias, mas também dos investidores. Segundo dados da Comissão Europeia, o contributo do investimento para o crescimento económico ficará pelos 0,3 pontos percentuais"