Li aqui que "a retoma da economia prevista para 2014 será pouco ou nada sentida pelas famílias portuguesas e arrastará para mínimos o contributo da procura interna esperada para o próximo ano. O Governo, através do IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, na apresentação que levou aos investidores internacionais de dívida pública, revela inclusive que a procura doméstica pode vir a ser negativa, mas sublinha que as exportações, puxada pelo aumento da procura dos mercados de fora da Europa, podem salvar a situação, mantendo o crescimento económico à tona. De acordo com dados oficiais, o contributo do consumo privado para a taxa de crescimento de 0,8% será de apenas 0,1 pontos percentuais, o valor mais baixo de todos os episódios de recuperação registados desde 1961. O mesmo acontecerá com a procura interna (que inclui os efeitos do investimento total e do consumo público), que oferecerá uma ajuda de apenas 0,2 pontos percentuais, o valor mais baixo nos 53 anos de observações. Na extensa apresentação de 87 páginas que levou aos investidores estrangeiros em janeiro – em vésperas do leilão sindicado de dívida de longo prazo feito, com relativo sucesso, no dia 23 – o IGCP, que é tutelado pelo Ministério das Finanças, fixa uma data provável para o início da retoma. “Os indicadores coincidentes apontam para uma melhoria da atividade económica no curto prazo: espera-se o regresso a um crescimento positivo no terceiro trimestre”, lê-se no documento.
É uma posição mais otimista que a do Banco de Portugal, por exemplo. Este estima uma contração mais profunda da economia neste ano (-1,9% contra -1%, defendido pelo Governo), refletindo nos novos cálculos a forte desaceleração da economia da zona euro. O Governo vê a situação de forma diferente. Na apresentação do IGCP pode ler-se que “o contributo das exportações líquidas [exportações menos importações] mais do que compensa a procura interna negativa em 2014”. Contudo, no mesmo documento, as autoridades dizem, no quadro das projeções macroeconómicas (o mesmo que acompanha o OE/2013), que a procura interna deve avançar 0,2%, oferecendo um contributo de uma décima para a taxa de crescimento. O Governo acredita que o motor da economia (o externo) continuará a beneficiar de “um ritmo saudável de crescimento do contributo da procura externa líquida”, destacando a “diversificação geográfica”, a “maior diversificação industrial das exportações de bens portuguesas” e o maior peso dos sectores de “maior valor acrescentado”. Dentro de portas, a retoma (que até pode ser mais fraca do que se diz) deverá passa ao lado da maioria das famílias, mas também dos investidores. Segundo dados da Comissão Europeia, o contributo do investimento para o crescimento económico ficará pelos 0,3 pontos percentuais"