domingo, novembro 14, 2010

Sondagem: Passos não entra no Governo sem ir a votos


Segundo o Expresso, num texto da jornalista Angela Silva, "Pedro Passos Coelho não alinha nos apelos para um Governo de salvação nacional que inclua PS, PSD e CDS, sem haver eleições. O líder social-democrata chegou a admitir um plano B caso o Orçamento do Estado (OE) fosse chumbado e José Sócrates se demitisse (o que o levou a dizer numa entrevista à TVI e no Conselho Nacional do partido que o PSD nunca deixaria o país sem Governo) mas, uma vez assegurada a viabilização do OE, Passos enterrou o cenário de uma coligação de emergência. A convicção da direção do PSD é que, mesmo que se acabe por recorrer ao FMI isso levará meses a executar e não acontecerá em tempo útil para o Governo, ou seja, aproximar-se-á do ponto em que já será possível precipitar eleições. ‘‘Então — defendem altos dirigentes do partido — é preferível mudar os prazos para que o Presidente da República possa convocar eleições mal seja reeleito”. José Correia, o ex-chefe de gabinete de Durão Barroso que já propôs no Parlamento essa alteração, diz que é “uma questão de bom senso”. Com as sondagens a confirmarem uma vantagem destacada do PSD sobre o PS é na ida a votos que Passos Coelho aposta, e nesse sentido está disposto a não contribuir para desestabilizar já a cena política e espera que a entrada do FMI acabe por não ser necessária. Neste momento, as atenções dos credores internacionais estão viradas para a Irlanda e se a situação dos irlandeses foi, nas últimas semanas, uma desvantagem para Portugal pelo efeito de arrasto, o PSD acredita que, a partir de agora, o facto de a Comissão Europeia se preparar para dar a mão à Irlanda ajudará a aliviar a pressão sobre Portugal. Sem pressa em chegar ao Governo com o país no fio da navalha, a forma como Passos quase se remeteu ao silêncio mal fechou o acordo para viabilizar o Orçamento confirma que a sua aposta é, agora, na execução do OE por parte do Governo.
Sintonia com Cavaco
Aqui, a sintonia do líder do PSD com Cavaco Silva (em cuja campanha de recandidatura já é certo que Passos irá aparecer) não podia ser maior. O PR disse esta semana quatro vezes que espera que a intervenção do FMI não seja necessária e que o que importa é “fazer o que tem que ser feito”. Convidados a interpretar, os dirigentes do PSD não hesitam: o que tem que ser feito é executar com rigor o OE de austeridade que o PSD viabilizou. Esta semana, a Comissão Permanente do partido afinou a estratégia: o PSD não pode dar pretextos para que o acusem de desestabilizar e contribuir para o descalabro financeiro. Entenda-se: ninguém deve fazer declarações a cenarizar o que quer que seja. De facto, o PSD ficou calado quando os juros da dívida portuguesa ultrapassaram os 7% que Teixeira dos Santos chegou a dizer implicarem a ajuda externa. E ninguém comentou a entrevista de Portas ao “DE” a pedir uma coligação PS/PSD/CDS já, para evitar o colapso. Portas já o tinha dito no Parlamento quando pediu a Sócrates que saísse de cena por ser ele o principal obstáculo. E quis agora retomar a tese, aparentemente sem articulação com o líder do PSD. Passos e Portas falam regularmente (diz quem sabe que em algumas semanas chegam a trocar três a quatro telefonemas) e o CDS sabe ser o parceiro desejado pelos sociais-democratas para uma coligação pós-eleitoral. Mas a aposta de Portas é outra. Sabendo que numas eleições com o PSD em alta o CDS corre o risco de mirrar, o líder do partido preferia, por um lado, chegar ao poder sem ir a votos e, por outro, assegurar uma coligação para lá dos dois partidos de direita, que evitasse deixar o PS à solta na oposição a um governo PSD/CDS, obrigado a manter a austeridade. Curiosamente, quem surge com o discurso alinhado com o de Portas é o ministro dos Negócios Estrangeiros (entrevista ao lado). Mas Luís Amado é um ministro de Estado muito desalinhado dentro do núcleo duro do Governo (os sinais de que deseja deixar o barco não são de hoje) e a crescente desagregação no PS e no Executivo não chegou ainda ao ponto de precipitar uma clarificação interna. António Costa disse-o na SIC/Notícias, onde puxou pela recente legitimidade eleitoral de Sócrates para afastar cenários de emergência. E a aposta de Passos Coelho não é, ironicamente, muito diferente. Pelo menos até Cavaco estar reeleito"

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