domingo, novembro 14, 2010

Opinião: "Os donos do Estado"

"O secretário de Estado adjunto das Obras Públicas, Paulo Campos, estranha que se estranhe a circunstância de ter nomeado para os CTT dois gestores que foram seus sócios numa empresa. Tal como já estranhara o facto de se achar estranho o trânsito de dois assessores do seu departamento: um que foi para a administração de uma empresa fornecedora de chips de matrícula que o Governo queria usar nas SCUT e outro que foi nomeado para o Ministério depois de este ter adjudicado estudos sobre as SCUT, por ajuste directo, à empresa onde ele se encontrava então. E à qual, segundo as notícias da altura, manteve o vínculo. Chegámos a um ponto em que, na verdade, já nada se devia estranhar de certos governantes. Em resposta às suspeitas de falta de transparência, de amiguismo ou de eventual conflito de interesses, fazem-se de vítimas — é “jogo político”, sentenciou o secretário adjunto — e acenam com os resultados das empresas dos seus nomeados, como se este fosse o único factor a ter em conta na gestão da coisa pública. No fundo, desprezam as críticas, ou nem sequer as compreendem porque se consideram donos do Estado. Um leitor atento, a que já aqui me referi, pergunta todas as semanas: “Quando é que isto acaba?” Lamentavelmente, não sei responder" (Fernando Madrinha, Expresso, com a devida vénia)

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