segunda-feira, outubro 26, 2026

Alguns dados sobre habitação nas ilhas

- Em Portugal, a habitação pública ou social representa cerca de 2% do total do parque habitacional do país. Este valor é significativamente inferior à média de outros países europeus, como os Países Baixos (29 a 30%), a Dinamarca (20%) ou a Suécia (40%). Mas para uma análise séria temos que recordar que depois da II Guerra Mundial o investimento na habitação pública numa Europa destruída foi uma das grandes prioridades governativas e uma das áreas onde mais recursos financeiros foram investidos.

- O parque habitacional público na Região Autónoma da Madeira representa cerca de 4,2% do total do parque habitacional. A Região dispõe de aproximadamente 130 mil fogos no total do seu parque habitacional. 

- A percentagem média do parque habitacional pertencente ao Estado ou destinado à habitação social na União Europeia situa-se entre os 6% e os 9%. Mas a situação muda entre os vários países europeus:

  • Países Baixos, 30% a 34% - líder europeu incontestável no arrendamento social.
  • Áustria, 24% - fortemente focada no modelo cooperativo (em Viena supera os 60%).
  • Dinamarca, 20% a 21% - possui um setor público habitacional sem fins lucrativos muito desenvolvido.
  • França, 17% a 18%.
  • Reino Unido, 16% a 18% - apesar das privatizações históricas, mantém um setor relevante.
  • Alemanha, 3% - parque público reduzido, com o arrendamento privado a ser dominante.
  • Portugal, 2% - encontra-se na cauda da Europa devido ao foco histórico na aquisição de casa própria.
  • Espanha e Itália,1% a 2% - escassa oferta de habitação pública, focando-se no mercado livre.

- Em Canárias, o parque de habitação pública ou protegida (pertencente ao Estado ou à Região Autónoma) ascende apenas a cerca de 1,7% a 2% do total do parque habitacional região, onde existem cerca de 18.000 a 19.500 habitações públicas integradas no inventário do governo autónomo e dos seus organismos dependentes, num universo total que ultrapassa 1,1 milhões de imóveis residenciais na Região.

- Na Sicília, a percentagem do parque habitacional pertencente ao Estado (habitação social/pública) é de aproximadamente 2% a 2,5% do total de habitações. Há na ilha um parque de aproximadamente 46.000 a 50.000 imóveis destinados a famílias de baixos rendimentos. Sublinhe-se que mais de 47% do património habitacional público na região foi construído antes de 1980, o que tem exigido a aplicação de fundos avultados para a recuperação de muitos imóveis.

- Na Sardenha, a percentagem do parque habitacional pertencente ao Estado (através do sistema de habitação social) situa-se entre os 3% a 4%. À semelhança do resto de Itália, onde a taxa de propriedade privada ronda os 77%, a esmagadora maioria dos imóveis na Sardenha pertence a privados. Nesta região italiana há um enorme paradoxo estrutural, na medida em que existem cerca de 300.000 habitações sem residentes permanentes (cerca de 30% a 35% do parque total da ilha).

- Nas Ilhas Baleares, o parque habitacional público (pertencente ou gerido pelo Estado e pelo governo regional) representa menos de 1% do parque residencial total. De acordo com os dados oficiais existem cerca de 620 mil habitações nas ilhas. O parque público sob gestão do governo autónomo ronda as 2.500 a 3.000 habitações. Nas Baleares, os fundos de investimento privados detêm cerca de 20.000 imóveis na região, o que equivale a dez vezes mais do que todo o stock de habitação social do Estado. As Baleares situam-se significativamente abaixo da média espanhola (2,5%) e muito distante da média da União Europeia (cerca de 6% a 9%). O governo das Baleares tem em marcha planos de expansão para construir e incorporar mais de 1.200 novas habitações públicas ao inventário atual.

- Já na Na Córsega, a habitação social (gerida pelo Estado através de entidades públicas e senhorios sociais/HLM) representa apenas 10% a 11% do total de residências principais. Uma taxa que é a mais baixa de todas as regiões da França Metropolitana, onde a média nacional se fixa nos 17% a 18%. A Córsega conta com pouco mais de 16.500 alojamentos sociais públicos. Embora a percentagem de habitação pública seja muito reduzida, a Córsega destaca-se por uma percentagem muito elevada de habitações secundárias/turísticas (cerca de 30% do parque habitacional total).

- De acordo com os dados oficiais (Censos de Jersey, a maior das Ilhas do Canal), cerca de 14% do parque habitacional (e dos agregados familiares) nas ilhas do Canal corresponde a habitação social ou pública. O Parque Habitacional em Jersey caracteriza-se pela propriedade privada (ocupada pelo proprietário), cerca de 54% dos fogos, pelo arrendamento privado, perto de 32% dos fogos e pela habitação social/pública, com aproximadamente 14% dos fogos. Grande parte deste parque social (mais de 5.000 unidades) é detida e gerida por uma empresa pública sem fins lucrativos detida integralmente pelo Governo de Jersey.

- Já nos Açores, a habitação pública representa cerca de 2,3% do parque habitacional regional. A Direção Regional da Habitação gere diretamente cerca de 2.400 imóveis próprios da Região destinados a habitação permanente, somando-se a estes mais 451 imóveis arrendados a particulares e ao IHRU. Mas cerca de 98% do parque habitacional dos Açores está distribuído pelo mercado livre e privado, mas estima-se que a taxa de imóveis devolutos nos Açores corresponda a 18% do edificado habitacional (buscas de LFM)

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