Em 11 de setembro de 2001, uma jovem de apenas 27 anos fez uma ligação de dentro de um avião sequestrado e disse palavras que sua família jamais esqueceria: “Isso vai ser muito mais difícil para vocês do que para mim.” Seu nome era Honor Elizabeth Wainio, mas todos que a amavam a chamavam carinhosamente de Lizz. Dois dias antes daquele momento, ela estava em Paris. Tinha acabado de realizar uma viagem que sonhava havia anos. Foi ao casamento de uma amiga em Florença, caminhou pela Champs-Élysées e entrou em uma igreja para acender uma vela em memória da avó. Certa vez, havia dito à mãe, com toda convicção, que se um dia conhecesse Paris, poderia morrer feliz. Lizz tinha 27 anos e trabalhava como gerente distrital das lojas Discovery Channel Stores, onde era vista como uma profissional promissora. Era determinada, acolhedora e cheia de vida, daquelas pessoas que parecem avançar rápido porque carregam a sensação de que ainda têm muito a realizar.
Na manhã daquele 11 de setembro, ela embarcou no voo 93 da United Airlines, em Newark, com destino a San Francisco. A bordo estavam 40 passageiros e tripulantes. Às 9h28, quatro sequestradores invadiram violentamente a cabine de comando.
Os passageiros foram forçados a ir para a parte de trás do avião. Mas, naquela manhã, algo decisivo aconteceu. Por meio de ligações telefônicas, as pessoas a bordo descobriram o que estava acontecendo do lado de fora. O World Trade Center já havia sido atacado. O Pentágono também havia sido atingido. Aquilo não era uma negociação. Era uma missão suicida. E os passageiros do voo 93 entenderam isso antes que fosse tarde demais. No meio do caos, alguém passou um telefone para Lizz e disse: “Ligue para alguém que você ama.” Ela ligou para sua madrasta, Esther.
Sua voz estava firme, calma e clara. Ela não gritou. Não implorou. Pelo contrário: tentou consolar a mulher que estava prestes a perdê-la. “O que mais me dói”, disse com serenidade, “é saber que isso vai ser muito mais difícil para vocês do que para mim.” Pense nisso por um instante. Uma mulher de 27 anos, diante da morte iminente, a milhares de metros de altitude, preocupada principalmente com a dor que sua família sentiria.
A conversa durou cerca de quatro minutos. As duas respiraram juntas pelo telefone, sem desespero, sustentadas apenas pelo amor que atravessava aquela distância impossível. Então, Lizz disse outra frase: “Vou ficar com a vovó.” Sua avó havia vivido perto da região rural da Pensilvânia, não muito longe de onde o avião cairia. Ela não tinha como saber disso naquele momento, mas encontrou consolo na ideia de um reencontro. Às 9h57, os passageiros tomaram uma decisão definitiva: eles iriam reagir.
A comissária Sandra Bradshaw ligou para o marido e contou que estava fervendo água para jogar nos sequestradores. O passageiro Todd Beamer rezou o Pai-Nosso com uma atendente por telefone e disse uma frase que depois ecoaria por todo o país: “Let’s roll”, algo como “Vamos nessa”. As últimas palavras de Lizz vieram pouco antes do início da revolta a bordo: “Eles estão se preparando para entrar na cabine. Eu preciso ir. Eu te amo. Adeus.”
Às 10h03, o voo 93 caiu violentamente em um campo perto de Shanksville, na Pensilvânia. Mais tarde, os investigadores concluíram que o avião seguia em direção a Washington. Como os passageiros decidiram lutar, o ataque terrorista não atingiu seu alvo, e incontáveis vidas em terra foram poupadas. Os 40 passageiros e tripulantes receberam, postumamente, a Medalha de Ouro do Congresso. Hoje, o local exato da queda faz parte do Memorial Nacional do Voo 93. Ali se ergue a Torre das Vozes, uma estrutura com 40 sinos de vento, cada um afinado em uma nota musical diferente. Quando o vento atravessa aquele campo, eles não soam como um único som. Soam como indivíduos.
Durante muitos anos, o pai de Lizz ligava para o celular dela apenas para ouvir sua mensagem de voz gravada. Um dia, a linha deixou de existir. Ele disse que perder a voz da filha pela segunda vez foi devastador. Hoje, no memorial, ele escuta um sino em especial e diz, emocionado: “Essa é a minha filha.”
A história de Honor Elizabeth Wainio não fala apenas sobre como ela morreu naquela tragédia. Fala sobre como ela escolheu viver seus últimos minutos na Terra. Ela tinha acabado de ver Paris. Tinha acabado de acender uma vela pela avó. E, quando enfrentou o pior momento imaginável, não pediu consolo para si mesma. Ela ofereceu consolo aos que amava. Em um mundo que costuma lembrar o fogo, o medo e a destruição daquele dia, lembre-se também disso: a milhares de metros do chão, uma jovem escolheu o amor em vez do pânico. E graças a pessoas como ela — pessoas comuns, assustadas e corajosas — o curso da história mudou para sempre (fonte: Facebook, Enfim, História)

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