Li no Dinheiro Vivo que "foram cinco meses de investigação, convidadas 51 pessoas e entidades a participar na reportagem A Fraude, sobre o caso BPN. Apenas 27 acederam falar para a reportagem da SIC. Dessas 13 aceitaram ser filmadas e oito não têm nada a ver com o caso BPN, precisa ao Dinheiro Vivo, Pedro Coelho, autor da reportagem. Vítor Constâncio (na época presidente do Banco de Portugal), Teixeira dos Santos (ministro das Finanças no governo de José Sócrates, que nacionalizou o banco), a atual administração do Banco de Portugal, a CMVM, Oliveira e Costa e Luís Caprichoso (braço direito do fundador do BPN) foram algumas das 24 personalidades e instituições que recusaram conceder entrevista, adianta o jornalista da SIC. A equipa de reportagem partiu do material produzido durante as duas comissões de inquérito parlamentar sobre o BPN, onde foram ouvidas 71 pessoas, para o seu trabalho de escalpelização do caso BPN. Apesar disso, e de ter sido produzida muita notícias sobre o caso BPN, Pedro Coelho considera que "há muitas coisas a que a opinião pública não acedeu". A Fraude propõe um "exercício de sistematização" de uma multiplicidade de episódios soltos. "Era preciso reconstruir essa narrativa. E em TV nada foi feito", diz Pedro Coelho, lembrando que na imprensa o Diário de Notícias já tinha realizado uma grande investigação sobre o tema, que mais tarde deu origem ao livro O Caso BPN - O verdadeiro retrato de Portugal Grande Investigação DN. A investigação da SIC, diz o jornalista, vai revelar novos protagonistas no caso. "Duas ou três pessoas que não se falava muito e que agora assumem um novo protagonismo", diz, embora não revele quem são essas figuras. "Os factos levarão a determinadas pessoas que não eram protagonistas", garante. A Fraude está dividida em quatro capítulos de 20 a 26 minutos cada um. A Linha do Tempo é o nome do capítulo de hoje à noite - uma análise dos dez anos de BPN - segue-se Anatomia de um Golpe (sobre a forma como o dinheiro serviu para financiar negócios e empréstimos a figuras próximas da administração do banco). No Rasto do Dinheiro (é abordado o caso do Banco Insular) e A Caixa Negra (o pós-nacionalização, "um período envolvido em névoa") são os dois últimos capítulos de um caso que, lembra o jornalista, deu apenas origem a um processo em tribunal (2010), com mais de 300 testemunhas, mas onde foram ouvidas 12. "Há outras razões que fazem com que não se investigue", diz o jornalista quando questionado se não fica surpreendido com a ausência de penalização na justiça, tendo em conta a abundância de informação. Pedro Coelho fala de razões "políticas". O caso envolve "pessoas com muito peso na sociedade. Põe em causa o regime". A Fraude emite no Jornal da Noite da SIC nos dias 5, 6, 7 e 8 de fevereiro. Ao final da noite, é reemitida na SIC Notícias, seguida de debate"