"Por um lado, copiou-se a moda “thatcheriana” das P.P.P. (parcerias público-privadas) maneira fácil de conferi r soluções privadas a interesses públ icos aval izando o estado o possível prejuízo futuro que, assim, retornava a si; Tony Judt, o grande pensador inglês que considera o caso do metro londrino como emblemático, damos o exemplo dos caminhos-de-ferro do seu país: privatizados em 1994 por terem um prejuízo de 950 mi lhões de libras, são renacionalizados de facto em 2008 por darem um prejuízo de 5 mil milhões de libras
Os contribuintes pagaram o fardo de um embuste.
Mas, por outro lado, sucedeu aquilo que Yves Mény, então presidente do Instituto Universitário Europeu de Florença, disse ao jornal “Público” numa entrevista com mais de 10 anos (14/1/2003): “os partidos tornaram-se máquinas políticas alimentadas a dinheiro” com efeitos no financiamento oculto. Percebe-se, assim, que assessores ministeriais com vinte e poucos anos de idade ganhem o que fará inveja a juízes de Tribunais superiores e muito mais a qualquer juiz de comarca.
Quando esta crise eclodiu, cumpria-se infelizmente a genial profecia que o Marques de Condorcet fizera no século XVIII quando previu: “um dia, a liberdade não será mais aos olhos de uma nação ávida, senão a condição para a segurança das operações financeiras”. A solução para superar o nosso busílis passou, então, por dar um sentido novo e enviesado aos pilares clássicos do estado social.
O imposto progressivo (um desses pilares) desapareceu: o multimilionário americano Warren Buffett admirava-se no seu célebre artigo publicado no New York Times, em 2011, que pagasse de imposto 17,4% sobre os seus rendimentos enquanto os seus assalariados pagavam entre 33 a 41%; Boaventura Sousa Santos no seu “Ensaio cont ra a autoflagelação” informa-nos que na UE, entre 2000/2008, a taxa sobre os rendimentos mais altos baixou 7% e sobre as grandes empresas 8,5%. Se a isto somarmos a evasão fiscal e os off-shores, temos os ricos a pagar menos e os não-ricos a pagar mais" (excerto do discurso do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Luís António Noronha Nascimento, proferido na cerimónia do Ano Judicial de 2013)