segunda-feira, novembro 08, 2010

Alberto João Jardim: "Portugal assistiu a uma espectacular manobra de propaganda"

"Sintetizo a minha posição sobre a novela Orçamento de Estado. Responsável principal por uma das parcelas que constituem o território nacional, pretendo que as pessoas não me confundam com as cenas políticas e partidárias que ocorreram em Lisboa e, de aqui a um ano, na situação em que o País estiver, julguem a minha posição, se desta ainda se lembrarem. Portugal assistiu a uma espectacular manobra de propaganda, unindo, ainda que por vezes parecendo o contrário, todos os que se revêm quase religiosamente neste sistema político que é a III República. Alimentou-se o mito falso de uma catástrofe, se o Orçamento de Estado não fosse aprovado, reproduzindo-se opiniões externas ao País, mas censurando ao conhecimento dos Portugueses, o facto de essas mesmas opiniões externas, consideradas relevantes para o efeito de passar o Orçamento, simultaneamente referirem que a estrutura política do Estado português se revela absolutamente inadequada para Portugal ser capaz de se desenvolver. Ciente disto, como muitos Portugueses estão, propus que a negociação do Orçamento, invocado como de salvação nacional, implicasse um acordo constitucional simultâneo, no qual as forças políticas democráticas, de uma vez por todas, rompessem com a mediocridade conservadora do situacionismo imperante e, patrioticamente, regenerassem Portugal através de uma reforma política adequada ao século XXI.
A Situação rejeitou-o, lançou uma enorme barreira de silêncio sobre esta proposta e, quando raramente tal barreira foi quebrada, logo aparecia um desses situacionistas da «classe política» que aturamos, a tentar ridicularizar o proposto, em termos de falta de respeito e de intolerância. O Estado tenta manter todo o seu poder e influência, recusa reduzir a despesa que tem com centenas de estruturas institucionais suas, onde alberga improdutivamente o garantido eleitorado de «esquerda» que todos nós pagamos. E mais ainda pagamos, e pagamos cada vez mais, a manutenção destes inúteis suportes-tachos do regime político.
Somos nós todos que temos de sustentar o Estado socialista, e não o Estado se reformar e se modernizar. Estamos de facto no caminho da construção de um obeso e inútil Estado socialista, à custa sobretudo da classe média e dos mais remediados, à custa de estarem comprometidos os dinheiros de que precisamos para quotidianamente vivermos as liberdades de decidir e de dispor.
A propaganda conduz a população para um sentimento de dependência completa e inevitável do Estado socialista. Disfarçadamente, com pezinhos de lã, o socialismo tornou-se a religião oficial do Estado, ao ponto de muitos admitirem o martírio em seu nome, tudo isto com a cumplicidade de uma burguesia que, em Portugal, tradicionalmente, foi sempre inculta e estúpida, e com a passividade medrosa das Instituições que historicamente fizeram Portugal.
Porque o socialismo é cientificamente o contrário do Desenvolvimento e das Liberdades, bem como o capitalismo selvagem é execrável, não contem com que eu pactue com o que passa. Mais do que a minha pertença a um Partido, porque a Constituição a tal me obriga se eu quiser ser politicamente interveniente, sou essencialmente Oposição a este regime, a esta Situação
" (crónica de Alberto João Jardim na rubrica "Palavras Assinadas", hoje na TVI24)

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