sábado, agosto 15, 2009

A taxa de desemprego foi de 9,1% no 2º trimestre de 2009

A taxa de desemprego estimada para o 2º trimestre de 2009 foi de 9,1%. Este valor é superior ao observado no período homólogo de 2008 em 1,8 pontos percentuais (p.p.) e ao observado no trimestre anterior em 0,2 p.p.. A população desempregada foi estimada em 507,7 mil indivíduos, verificando-se um acréscimo de 23,9%, face ao trimestre homólogo, e de 2,4% em relação ao trimestre anterior. O número de empregados diminuiu 2,9%, quando comparado com o mesmo trimestre de 2008, e 0,4%, relativamente ao trimestre anterior.
1. População activa
Os resultados do Inquérito ao Emprego relativos ao 2º trimestre de 2009 indicam que a população activa em Portugal diminuiu 1,0% (54,1 mil indivíduos), face ao trimestre homólogo de 2008, e 0,2% (10,9 mil), face ao trimestre anterior. A taxa de actividade da população em idade activa (15 emais anos) foi estimada em 61,9%, no 2º trimestre de2009. Esta taxa desceu 0,8 pontos percentuais (p.p.), face ao trimestre homólogo de 2008, e 0,2 p.p., em relação ao trimestre anterior. No 2º trimestre de 2009, a taxa de actividade das mulheres em idade activa foi de 55,8% e a dos homens foi de 68,5%.
2. População empregada
A população empregada, num total de 5 076,2 mil indivíduos no 2º trimestre de 2009, registou um decréscimo homólogo de 2,9% (abrangendo 151,9 mil indivíduos) e trimestral de 0,4% (22,9 mil). Para a evolução homóloga referida contribuíram essencialmente os seguintes resultados:
- A diminuição do número de empregados do sexo masculino, que abrangeu 105,5 mil indivíduos e explicou 69,5% da variação ocorrida no emprego total.
- A diminuição de 111,6 mil empregados com idade dos 15 aos 34 anos e de 22,5 mil empregados com idade dos 45 aos 64 anos. O número de empregados dos 35 aos 44 e com 65 e mais anos diminuiu menos (abrangendo 5,8 mil e 12,0 mil indivíduos, respectivamente).
- A diminuição no número de empregados com nível de escolaridade completo correspondente, no máximo, ao 3º ciclo do ensino básico, que abrangeu 234,9 mil indivíduos. O número de empregados com nível de escolaridade completo correspondente ao ensino secundário e pós-secundário e ao ensino superior, pelo contrário, aumentou (em 48,9 mil e 34,1 mil indivíduos, respectivamente).
- A diminuição do emprego no sector da indústria, construção, energia e água, em 95,0 mil indivíduos. Esta diminuição foi explicada em partes iguais pela redução do emprego em actividades da indústria transformadora (que empregou menos 42,7 mil indivíduos) e da construção (45,2 mil). Nos sectores da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca, por um lado, e dos serviços, por outro, o emprego diminuiu menos, abrangendo 36,1 mil e 20,7 mil indivíduos, respectivamente.
- A diminuição no número de trabalhadores por conta de outrem, em 104,7 mil indivíduos, e, embora com menor expressão, no de trabalhadores por conta própria, em 37,1 mil. De entre os trabalhadores por conta de outrem, diminuiu o número daqueles que tinham um contrato de trabalho com termo (51,5 mil). O número de trabalhadores por conta de outrem com um contrato de trabalho sem termo ou noutra situação contratual também diminuiu (22,9 mil e 30,5 mil, respectivamente), embora o seu contributo para a redução global do emprego por conta de outrem tivesse sido menor.
- A diminuição no número de trabalhadores a tempo completo, que abrangeu 113,7 mil indivíduos e explicou 74,9% da redução global do emprego. A taxa de emprego (15 e mais anos) situou-se em 56,3%, no 2º trimestre de 2009. Este valor foi inferior ao do trimestre homólogo de 2008 em 1,8 p.p. e ao do trimestre anterior em 0,3 p.p.. No 2º trimestre de 2009, a taxa de emprego dos homens (62,6%) excedeu a das mulheres (50,5%) em 12,1 p.p.. Ambas desceram, quer face ao trimestre homólogo, quer face ao anterior.
3. População desempregada
A população desempregada em Portugal, estimada em 507,7 mil indivíduos no 2º trimestre de 2009, registou um acréscimo homólogo de 23,9% (abrangendo 97,8 mil indivíduos) e trimestral de 2,4% (11,9 mil). Para a variação homóloga da população desempregada contribuíram essencialmente os seguintes resultados:
- O aumento no número de homens desempregados (69,4 mil indivíduos), que explicou 71,0% do aumento global do desemprego.
- O aumento do desemprego de indivíduos de todos os grupos etários, mas sobretudo daqueles com idade dos 25 aos 34 anos (37,6 mil) e com 45 e mais anos (26,5 mil).
- O aumento do desemprego de indivíduos com um nível de escolaridade completo correspondente, no máximo, ao 3º ciclo do ensino básico (abrangendo 70,7 mil indivíduos). Embora com um contributo menor, o desemprego também aumentou entre os indivíduos com nível de escolaridade completo correspondente ao ensino secundário e pós- secundário (24,4 mil) e ao ensino superior (2,8 mil).
- O aumento no número de desempregados à procura de novo emprego (98,3 mil indivíduos), provenientes do sector da indústria, construção, energia e água (58,4 mil) e dos serviços (35,2 mil). O número de desempregados à procura de primeiro emprego permaneceu praticamente inalterado.
- O aumento no número de desempregados à procura de emprego há menos de um ano, que abrangeu 70,5 mil indivíduos e explicou 72,1% do aumento global do desemprego. A taxa de desemprego foi estimada em 9,1%, no 2º trimestre de 2009. Este valor é superior ao do trimestre homólogo de 2008 em 1,8 p.p. e ao do trimestre anterior em 0,2 p.p.. No 2º trimestre de 2009, a taxa de desemprego dos homens foi de 8,7% e a das mulheres foi de 9,5%. Ambas subiram face ao trimestre homólogo de 2008 (2,4 p.p. e 1,1 p.p., respectivamente). Face ao trimestre anterior, a taxa de desemprego dos homens aumentou (0,6 p.p.) e a das mulheres diminuiu (0,2 p.p.). O aumento trimestral da taxa de desemprego resultou do efeito conjugado do decréscimo da população empregada (de 0,4%) e do acréscimo da população desempregada (de 2,4%), abrangendo 22,9 mil indivíduos, no primeiro caso, e 11,9 mil indivíduos, no segundo.
O aumento trimestral da população desempregada ocorreu essencialmente nos seguintes grupos populacionais: homens, indivíduos com 45 e mais anos, indivíduos com nível de escolaridade completo correspondente ao ensino secundário e pós-secundário, indivíduos à procura de novo emprego (sobretudo provenientes da indústria, construção, energia e água) e indivíduos desempregados à procura de emprego há um ano ou mais.
4. População inactiva
No 2º trimestre de 2009, a população inactiva com 15 e mais anos aumentou 2,4% face ao trimestre homólogo de 2008 e 0,5% face ao trimestre anterior (abrangendo 79,2 mil e 16,8 mil indivíduos, respectivamente). A taxa de inactividade (15 e mais anos) fixou-se nos 38,1%, no 2º trimestre de 2009, tendo sido de 31,5% a taxa de inactividade dos homens e de 44,2% a das mulheres.
5. Fluxos trimestrais entre estados do mercado de Trabalho
Do 1º trimestre para o 2º trimestre de 2009, 1,3% dos indivíduos que estavam inicialmente empregados transitaram para o desemprego e 1,1% transitaram para a inactividade, totalizando 2,4% a proporção de empregados que saíram deste estado no 2º trimestre de 2009 (97,5% permaneceram empregados). Do 4º trimestre de 2008 para o 1º trimestre de 2009, a percentagem dos que saíram do emprego tinha sido maior (2,9%). As saídas do desemprego entre os dois trimestres foram, em termos relativos, mais intensas do que as saídas do emprego. Do total de indivíduos que se encontravam desempregados no 1º trimestre de 2009, 27,3% saíram dessa situação no trimestre seguinte, sendo que 15,5% se tornaram empregados e 11,8% transitaram para a inactividade. A percentagem dos indivíduos que transitaram do desemprego para o emprego foi maior do que a que tinha sido observada nos fluxos do 4º trimestre de 2008 para o 1º trimestre de 2009 (tinha sido 14,5%), enquanto que a percentagem dos indivíduos que transitaram do desemprego para a inactividade foi menor (tinha sido 14,6%). Do total de indivíduos com 15 e mais anos que eram considerados inactivos no 1º trimestre de 2009, 1,5% transitaram para o emprego e 2,1% transitaram para o desemprego, no trimestre seguinte. Estas percentagens são iguais às registadas nos fluxos do 4º trimestre de 2008 para o 1º trimestre de 2009.
6. Taxas de desemprego por região NUTS II
No 2º trimestre de 2009, as taxas de desemprego mais elevadas foram registadas nas regiões NUTS II do Alentejo (11,3%), Norte (10,5%) e Lisboa (9,4%). Os valores mais baixos foram observados no Centro (6,3%), na Região Autónoma dos Açores (7,0%) e na Região Autónoma da Madeira (8,1%).

Face ao trimestre homólogo de 2008, e à semelhança do sucedido globalmente para Portugal, a taxa de desemprego aumentou em todas as regiões. Os maiores acréscimos ocorreram no Alentejo (2,8 p.p.), no Norte (2,3 p.p.) e na Região Autónoma da Madeira (2,0 p.p.). Face ao trimestre anterior, também se verificou um acréscimo generalizado na taxa de desemprego, com excepção do Centro e do Algarve, onde a taxa diminuiu. Os maiores acréscimos foram observados na Região Autónoma da Madeira (1,3 p.p.) e no Alentejo (1,1 p.p.).

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