terça-feira, março 17, 2009

TVI24: crónica de Alberto João Jardim

O Presidente do Governo Regional, participou esta semana, no habitual espaço de crónica política da TVI24, no qual apresentou a seguinte crónica política:
"Estou convencido de que Portugal vive um processo kafkiano, doido, com inversão de Lógica e de Valores.Senão, vejamos.
Liberalizou-se o consumo de drogas, o que inevitavelmente fez aumentar a criminalidade e as despesas públicas com a Saúde. Mas, por outro lado, actuou-se com fundamentalismo e excessos na luta contra o consumo de tabaco. Vá lá se perceber...
Apela-se ao investimento privado, mas, por outro lado, não só se estabeleceu uma teia de burocracias que o emperram, como quem tiver semelhante ousadia de dinamizar a Economia, se arrisca a que qualquer um, inclusive por má-fé, possa sabotar tal investimento durante o seu percurso.
Criou-se um facilitismo nas Escolas, onde o culto do Trabalho, a exigência nos Conhecimentos, o valor da disciplina democrática, o enriquecimento cultural, a Educação Cívica, etc. já vinham desaparecendo, para se chegar ao ponto da não-avaliação dos alunos. Mas, por outro lado, foram os Professores que passaram, eles sim, a ser avaliados. E pelos meios cabotinos que a lei pretende. O Direito à Vida veio a ser posto em causa legislativamente, inclusive através do recurso a prioridades estabelecidas para o efeito e com mais despesa pública na Saúde. Mas, por outro lado, para reduzir tal despesa pública, fecharam-se unidades de saúde, e houve doentes, mormente de Terceira Idade que, assim, perderam o acompanhamento necessário. Bem como apareceu um novo tipo de maternidades – as ambulâncias, onde muitos bebés passaram a nascer. Facilitou-se o rompimento dos casamentos, mas por outro lado pretende-se estabelecer novos exotismos indevidamente chamados casamentos.
Aumentaram-se os impostos, mas tal não foi para mais investimento público, mais desenvolvimento e mais postos de trabalho, mas sim para sustentar a máquina burocrática do Estado.
As indevidamente chamadas “reformas do Estado”, não foram à substância das áreas que tinham de ser alteradas na sua essência. Como por exemplo no caso da Justiça, as reformas foram orientadas para a demagogia fácil de hostilizar os profissionais dos respectivos sectores. E se mais tempo eu tivesse, nem uma hora dava para descrever todo o absurdo, o kafkiano, o insólito patético, que nos últimos anos acontece em Portugal. Dizem-me, não sei se é verdade, que mesmo assim os Portugueses estão satisfeitos. Mas, se estão, há como que uma loucura colectiva à solta, sem cura à vista. Olhando para tal País, resta-me gritar: “tirem-me de aqui”.

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