quarta-feira, agosto 14, 2013

Opinião: o PSD-Madeira e as autárquicas

O PSD da Madeira em que encarar as eleições autárquicas com toda a naturalidade, sem medos, sem receios que possam instalar uma espécie de caos interno ou uma aflição permanente susceptível de mergulhar o partido numa angústia desnecessária. Se isso não acontecer, as dificuldades serão maiores, pelo que as polémicas, a mês e meio das eleições, são o pior que pode acontecer. É incontornável que o PSD da Madeira sabe, e não vale a pena cuspir para o lado, que estas eleições, as primeiras depois das regionais de Outubro de 2011, serão um teste eleitoral difícil e exigente, porventura o mais difícil e exigente de todos os realizados até hoje, por razões que as pessoas facilmente entendem. Não me parece recomendável que se ande a importar mais problemas, quando ao PSD regional basta ter que enfrentar, quer a conjuntura extraordinariamente difícil que atravessamos, quer as pressões, sobretudo externas, claramente apostadas num ajuste de contas que em situações normais nunca aconteceu. Porque o eleitorado da Madeira mostrou sempre que sabia como votar e em quem votar.
Tenho para mim que estas eleições autárquicas, no caso do PSD nacional e da Madeira - nos Açores houve um teste em Outubro de 2012 cujo desfecho todos conhecemos... - marcarão um novo ciclo eleitoral que pouco ou nada terá a ver com o passado. Admito, já o escrevi, que os que vaticinam colapsos eleitorais da maioria social-democrata rapidamente verão frustradas as suas expectativas, na medida em que estas eleições se caracterizam pela presença de uma forte componente pessoal relacionada com a capacidade de persuasão dos candidatos e com o grau de confiança que eles transmitem às pessoas. Estamos a falar da gestão racional das freguesias e dos municípios numa conjuntura de privações sociais graves e onde as apostas sociais devem ser a prioridade das prioridades. As pessoas precisam hoje mais do que nunca dos seus eleitos, da sua compreensão, da sua solidariedade e da sua competência e determinação. É nisso que as pessoas votarão a 29 de Setembro, e disso não duvidem.
Lembro que entre 2005 e 2011, os socialistas locais, completamente coniventes e cúmplices, regra geral irritante e freneticamente cúmplices de tudo o quer o anterior governo socialista de Sócrates fez contra a Madeira - governo socialistas de Sócrates que serão sempre a grande imagem da corrupção política mais vergonhosa de que há memória, do primado da mentira, do embuste, da manipulação e da propaganda sem limites, do despesismo, da incompetência governativa, do descalabro ético e da falência do país, porque no fundo estamos hoje a pagar por isso - e acabaram pior pagar bem caro essa leviandade. O PSD da Madeira que se demarca politicamente de todas as medidas de austeridade criminosa impostas pelo governo de coligação, não pode, não se deve calar, porque corre o risco de lhe acontecer o mesmo.
Passos Coelho e o seu desgoverno incompetente de coligação com o CDS, não dão votos ao PSD da Madeira – lamento dizê-lo - nem constituem qualquer mais-valia para os social-democratas regionais. Pelo contrário, qualquer imagem de cumplicidade, inclusivamente por via do silêncio e da ausência de crítica, terá um efeito exactamente oposto ao pretendido. Se nos demarcamos não há que ter medo de o referir claramente, sem hesitações. Não duvido que este desastrado governo de coligação com o CDS que Passos Coelho ainda lidera será sempre altamente prejudicial para as estruturas social-democratas que a ele se colem demasiado ou que possam ser acusadas de cumplicidade. É uma opinião.
No caso da Madeira o que me preocupa é a necessidade de combater a abstenção que nas eleições autárquicas de 2005 foi de mais de 60%, descendo em 2009 para cerca de 55%, embora os eleitores nos dois actos eleitorais, 139 mil cidadãos, se tenham mantido estabilizados.